Primeira cirurgia robótica do Vale do Paraíba será realizada em São José dos Campos. Entenda como vai ser

Primeira cirurgia robótica do Vale do Paraíba será realizada em São José dos Campos. O procedimento de alta complexidade será realizado, nesta quinta (29/05), em paciente com câncer no reto e marca avanço tecnológico inédito na região. A cirurgia vai acontecer no Hospital Vivalle e será conduzida pelo cirurgião do aparelho digestivo Dr. Gustavo Rachid, especialista em oncologia e técnicas minimamente invasivas, com mais de 16 anos de experiência. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP E RECEBA AS NOTÍCIAS EM PRIMEIRA MÃO

A paciente, de 42 anos, diagnosticada com tumor maligno no reto, passará por uma cirurgia que, segundo o médico, foi inicialmente planejada por videolaparoscopia. No entanto, com a chegada do robô cirúrgico ao hospital na última semana, a equipe decidiu utilizar a nova tecnologia.

“Essa cirurgia é um marco para a nossa cidade e para toda a região. Pela primeira vez, conseguimos oferecer aos pacientes uma tecnologia que antes só estava disponível em capitais como São Paulo ou Campinas”, disse o Dr. Gustavo ao Vale 360 News.

Gustavo Rachid já tem experiência na cirurgia robótica há pelo menos quatro anos. Ele opera frequentemente usando o robô em Campinas e São Paulo.

Cirurgia robótica: como funciona

A técnica emprega quatro pequenas incisões de 8 mm na região abdominal. Através delas, são introduzidos os braços do robô – três manipulam instrumentos e um controla a câmera com visão 3D e qualidade 4K. O cirurgião, então, opera à distância, de um console com joysticks.

“O cirurgião principal não fica ao lado da paciente. A partir do console, controlamos todos os movimentos com extrema precisão, como se fossem as nossas mãos, mas com muito mais alcance e estabilidade”, explicou Rachid.

Segundo ele, essa abordagem é ideal para regiões de difícil acesso, como a pelve.

“No caso de câncer de reto, o robô oferece um benefício técnico extraordinário. A dissecção é mais limpa, a visão é ampliada e conseguimos preservar estruturas vitais com maior segurança.”

Benefícios para o paciente

A recuperação no pós-operatório é significativamente mais rápida e menos dolorosa quando comparada à cirurgia convencional ou à videolaparoscopia.

“Com a robótica, conseguimos oferecer uma cirurgia de grande porte com menor trauma. Isso significa menos dor, menos medicação, menos dias de internação e um retorno mais rápido às atividades cotidianas”, afirmou o médico.

A previsão é que a paciente receba alta em até 48 horas após a cirurgia, caso não haja intercorrências.

Primeira cirurgia robótica do Vale do Paraíba
Foto: Arquivo Pessoal

Segurança e controle total

Apesar da aparência tecnológica, o robô não possui autonomia.

“O robô não faz nada sozinho. Todos os movimentos partem do cirurgião, 100% do tempo. Ele apenas filtra os movimentos e permite mais precisão do que as nossas próprias mãos”, destacou.

O especialista também esclareceu que o sistema é altamente personalizado.

“Quando entro no console e digito meu nome, ele já configura tudo: altura do assento, posição das mãos, pedais. Isso garante conforto e controle absoluto durante toda a operação.”

Estrutura montada e equipe treinada

A realização da cirurgia mobiliza uma equipe multidisciplinar, treinada especialmente para operar com o robô.

“É uma estrutura complexa. Contamos com enfermeiros treinados, instrumentadora especializada, anestesistas experientes e uma equipe de apoio de primeira linha. O Vivalle fez um investimento grande em tecnologia e capacitação para que tudo funcione da melhor forma.”

A cirurgia será acompanhada por outro cirurgião especializado, Dr. Dario Viana Birolini, além da instrumentadora Tânia, que atua com Rachid há anos em procedimentos robóticos.

Primeira cirurgia robótica do Vale do Paraíba
Foto: Arquivo Pessoal

Robô multifuncional: várias especialidades

O robô utilizado não se limita à cirurgia digestiva. Ele pode ser utilizado por diversas áreas médicas, como:

  • Urologia: para remoção de próstata e rins

  • Ginecologia: no tratamento de endometriose e cânceres ginecológicos

  • Cirurgia torácica: em procedimentos pulmonares de alta complexidade

“Essa plataforma não é exclusiva da minha especialidade. O robô veio para revolucionar a medicina como um todo, oferecendo mais segurança e eficácia em diversas frentes”, declarou.

Resposta oncológica é melhor com o robô

O uso da tecnologia também tem impacto positivo em casos de câncer.

“A resposta inflamatória do corpo é menor com a cirurgia robótica. Isso favorece o processo de cicatrização e reduz as complicações no pós-operatório, o que é essencial em pacientes oncológicos”, disse o médico.

“O robô representa um avanço da laparoscopia. Comparado à cirurgia convencional, o trauma cirúrgico é muito menor, e isso faz toda a diferença na recuperação e prognóstico do paciente.”

Cirurgias à distância ainda não são realidade

Apesar de ser conectado à internet e registrar todo o procedimento em tempo real, a realização de cirurgias remotas ainda não está disponível no Brasil.

“Já houve casos no passado, como a chamada ‘Operação Lindbergh’, em que um cirurgião operou de Nova York uma paciente na França, mas ainda não é algo comum. No futuro, a cirurgia à distância deve se tornar realidade, mas ainda estamos nos preparando para isso”, explicou.

Perguntas Frequentes

Onde será realizada a cirurgia?
No Hospital Vivalle, em São José dos Campos.

Quem realizará o procedimento?
O cirurgião do aparelho digestivo Dr. Gustavo Rachid, com apoio do Dr. Dario Birolini.

O que o robô faz na cirurgia?
Ele executa movimentos controlados pelo cirurgião com extrema precisão, através de braços mecânicos e uma câmera com visão em 3D.

Quais os benefícios da cirurgia robótica?
Mais segurança, menor tempo de recuperação, menos dor, incisões menores e menor trauma.

O robô opera sozinho?
Não. Todos os movimentos são feitos exclusivamente pelo cirurgião.

O robô pode ser usado em outras áreas?
Sim. Urologia, ginecologia, cirurgia torácica e outras especialidades também utilizam a tecnologia.

É possível operar à distância?
Ainda não no Brasil, mas testes internacionais já provaram a viabilidade técnica.

Qual a duração do procedimento e da recuperação?
A cirurgia dura entre 2h30 e 3h. A previsão de alta hospitalar é de até 48 horas.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.