“Não era um simples desaparecimento, mas um crime grave”: delegado detalha investigação sobre latrocínio de motorista de app em São José dos Campos

Em entrevista ao TH+ Thati (SBT), o delegado Diego Amaral, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de São José dos Campos, afirmou que o caso deixou de ser tratado como desaparecimento ainda no sábado à noite, quando surgiram os primeiros indícios de movimentação financeira suspeita ligada à vítima, o motorista de aplicativo Carlos Eduardo de Faria César, 23 anos. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

“A nossa unidade tomou conhecimento do desaparecimento da vítima no sábado, mais para o final da tarde e início da noite. Recebemos informação da rede de bancos de que um banco percebeu movimentação suspeita na madrugada de sábado de um determinado cliente. Isso, somado ao boletim de desaparecimento, levou-nos a acreditar que não era um simples desaparecimento, mas um crime grave.”

Segundo Amaral, diante desse cenário, a resposta foi imediata:

“A nossa unidade foi toda mobilizada no sábado à noite. Todos vieram para cá e iniciamos diligências para primeiro localizar a vítima e identificar e prender os suspeitos.”

A trilha do dinheiro

A equipe partiu de um dado objetivo: quem recebeu o Pix com dinheiro da vítima. O delegado explica que o caminho até os suspeitos começou pela identificação do recebedor do valor e dos saques subsequentes.

“A nossa linha investigativa foi através da pessoa que recebeu o dinheiro da vítima na sua conta e que sacou em terminal bancário. Muito provavelmente para passar para alguém, porque ele ficou com 10%.”

O delegado descreve esse primeiro elo como o “conteiro” — o operador que recebe e repassa valores ilícitos:

“Fomos atrás desse que a gente chama de conteiro, elo com os demais envolvidos no crime. Ele colaborou com a investigação, apresentou o celular e indicou a pessoa para quem teria sacado o dinheiro.”

Essa indicação levou ao segundo suspeito. Mas a vítima ainda estava desaparecida, e o tempo corria contra os investigadores.

Virada no domingo: confissão e localização do corpo

No domingo, a companheira do segundo suspeito foi localizada e ouvida. Embora não tenha participação no crime, seus relatos reforçaram a ligação do namorado com os fatos e apontaram um terceiro envolvido, colega de trabalho.

“A companheira relatou que o namorado ficou fora de casa na madrugada de sábado. Tudo estava encaixando. Com a identificação desse terceiro, e considerando que a vítima ainda estava desaparecida, nossa equipe foi atrás dele.”

No início da noite de domingo, os investigadores encontraram o terceiro suspeito em uma adega na zona sul de São José dos Campos. Segundo o delegado:

De pronto, ele falou: ‘Fui eu que dei três tiros nele e o corpo está em Jacareí, perto da represa’. Ele indicou a localização do corpo.”

Com essa informação, as equipes seguiram até a estrada do Pagador Andrade (acesso à represa do Jaguari), em Jacareí, onde o corpo de Carlos Eduardo foi localizado. As primeiras informações indicam três disparosum na nuca e dois na região das axilas.

Dinâmica e motivação: roubo seguido de morte

De acordo com o que foi apurado pela DEIC e com relatos colhidos na investigação, os suspeitos saíram para cometer furtos e roubos na noite de sexta-feira (05). Em algum momento, solicitaram uma corrida de aplicativo e, dentro do carro, anunciaram o assalto. A decisão de matar teria sido tomada porque um dos autores foi reconhecido pela vítima.

“Os elementos indicam que a motivação foi patrimonial, com saques via Pix ao longo do trajeto. Quando perceberam que a vítima podia reconhecê-los, decidiram executar.”

A qualificação do crime é de latrocínio (roubo seguido de morte).

Prisão, foragido e antecedentes

Um dos autores foi preso em flagrante no domingo. Já o segundo investigado, Jonathan Eduardo Sousa Goulart, 24 anos, está foragido e tem mandado de prisão expedido pela Vara de Execuções Criminais de São José dos Campos (17 de julho de 2025), por furto qualificadopena de 3 anos em regime aberto.

Temos dois autores já identificados. Um foi preso ontem em flagrante. A audiência de custódia confirmou a prisão preventiva. Agora é localizar o segundo indivíduo, que inclusive é procurado por outro crime, e fechar a investigação.”

Linha do tempo da investigação

  • Sábado (fim da tarde/início da noite): DEIC recebe o BO de desaparecimento e alerta bancário sobre transações suspeitas.

  • Sábado (à noite): Carro da vítima é localizado abandonado, sem uma das placas; equipe chega ao conteiro, que entrega o celular e aponta o próximo elo.

  • Domingo (manhã/tarde): Companheira do segundo suspeito é ouvida e menciona o terceiro, colega de trabalho.

  • Domingo (início da noite): Terceiro suspeito é localizado em uma adega; confessa três tiros e indica o ponto em Jacareí.

  • Domingo (noite): Corpo da vítima é encontrado na estrada do Pagador Andrade, perto da represa do Jaguari.

  • Segunda (manhã): Custódia do preso em flagrante; prisão preventiva decretada. Buscas continuam ao foragido.

O que disseram os envolvidos próximos

A noiva de Jonathan buscou espontaneamente a DEIC para prestar esclarecimentos. Em seu depoimento, ela relatou que o noivo saiu de madrugada alegando “cobrar uma dívida” e “receber um veículo” como pagamento. De acordo com ela:

Ele voltou por volta das 5h, falou coisas desconexas e parecia não querer contar a verdade.”

Ao longo do domingo, a noiva relatou um telefonema em que Jonathan teria questionado o comparsa:

Por que ele fez isso?

Ela disse ainda que, ao ser avisada de que a polícia a procurava para ouvi-la, Jonathan levantou-se de um churrasco de família, não se despediu e foi embora. Diligências foram feitas no endereço do suspeito, sem êxito.

Como a polícia chegou até os autores

Além da trilha do Pix e dos saques em espécie, a polícia reuniu:

  • Imagens de câmeras que mostram o trajeto do veículo entre São José dos Campos e Jacareí;

  • Localização do carro abandonado e perícia;

  • Confissão do terceiro suspeito sobre os três disparos e a indicação do local do corpo;

  • Colaboração do conteiro, com apreensão do celular e detalhes das transferências.

A partir das diligências foi possível encontrar os dois suspeitos autores do crime, prender um e identificar o outro, que segue foragido.”

Próximos passos

O delegado Diego Amaral aponta as frentes finais de investigação:

“Agora é localizar o segundo indivíduo, consolidar a prova técnica — balística e de local de crime —, fechar o ciclo financeiro das transações e encaminhar o inquérito com os indiciamentos de latrocínio.”

A DEIC também trabalha para reforçar o lastro probatório com:

  • Laudos periciais (balística, necroscópico, trajetória dos disparos);

  • Quebra de sigilo telemático e bancário (judicialmente autorizada);

  • Confronto de imagens com rotas e horários;

  • Oitiva de testemunhas e cruzamento de metadados.

Perguntas Frequentes

Qual a tipificação do crime?
Latrocínio (roubo seguido de morte).

Quantos disparos a vítima sofreu?
Três: um na nuca e dois na região das axilas (informações preliminares de investigação).

Por que a polícia buscou o “conteiro” primeiro?
Porque as transações financeiras ligadas ao desaparecimento geraram alerta bancário; seguir o dinheiro é uma via rápida para chegar aos executores.

Há réu confesso?
Um suspeito preso relatou ter efetuado os três disparos e indicou o local do corpo.

Quem está foragido?
Jonathan Eduardo Sousa Goulart, 24 anos, procurado também por furto qualificado (mandado vigente, VEC de SJC, 17/07/2025).

O que falta para concluir o inquérito?
Prender o foragido, encerrar perícias e consolidar provas documentais/telemáticas.

Links recomendados

Mais notícias sobre São José dos Campos

ENTRE NO GRUPO DE NOTÍCIAS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

[back-redirect link="https://www.vale360news.com.br/%22]