Prefeitura confirma paralisação parcial da obra da Avenida Brasil e diz não saber volume de esgoto despejado em Caçapava

Obra da Avenida Brasil em Caçapava teve a paralisação parcial dos serviços de perfuração pelo Método Não Destrutivo, o MND, confirmada pela Prefeitura, que respondeu aos questionamentos enviados pelo Vale 360 News sobre o rompimento de coletor-tronco, o extravasamento de esgoto, a empresa contratada, os riscos ambientais e a situação atual da intervenção. A administração informou que não tem estimativa técnica precisa sobre o volume de esgoto sanitário e dejetos “in natura” eventualmente despejado no córrego da via. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

As respostas foram encaminhadas após questionamentos da reportagem sobre a apuração envolvendo a obra da Avenida Brasil, que também é alvo de procedimento no Ministério Público de São Paulo.

Segundo a Prefeitura, a paralisação parcial foi determinada em 07/05/2026 pela Secretaria Municipal de Obras, em razão da possibilidade de rompimento de antiga rede coletora de esgoto existente no local.

Obra da Avenida Brasil em Caçapava não está totalmente embargada, diz Prefeitura

A obra da Avenida Brasil em Caçapava não está totalmente embargada, segundo a Prefeitura.

A administração informou que há apenas paralisação parcial dos serviços relacionados ao coletor-tronco, especialmente os que envolvem perfuração direcional e abertura de vala.

De acordo com a resposta, a medida foi adotada de forma preventiva para evitar o agravamento da situação identificada na antiga rede coletora de esgoto existente no local.

Quais serviços foram paralisados?

A Prefeitura informou que foram paralisados todos os serviços relacionados à perfuração direcional pelo Método Não Destrutivo, o MND, e também a abertura de novos Poços de Visita, os PVs.

Segundo a administração, permaneceram em execução apenas os serviços de acabamento interno nos PVs já implantados, com objetivo de possibilitar a liberação e garantir a funcionalidade das estruturas já executadas.

Situação Resposta da Prefeitura
Obra totalmente embargada? Não, segundo a Prefeitura
Paralisação parcial? Sim, confirmada pela administração municipal
Data da paralisação parcial 07/05/2026
Serviços paralisados Perfuração direcional pelo MND e abertura de novos PVs
Serviços mantidos Acabamento interno nos PVs já implantados
Retomada integral Sem prazo definido

Prefeitura diz que demais serviços seguem em andamento

Embora tenha confirmado a paralisação parcial, a Prefeitura afirmou que os demais serviços integrantes da obra seguem em andamento.

Segundo a administração, está previsto para a próxima semana o início das atividades de implantação da rede de microdrenagem no sentido centro.

A retomada dos serviços de perfuração e demais intervenções suspensas, porém, dependerá de etapas técnicas anteriores e de anuência da Sabesp.

Consórcio Eraguilera I executa a obra, informa Prefeitura

A Prefeitura informou que todos os serviços referentes ao contrato da obra da Avenida Brasil são executados pelo Consórcio Eraguilera I.

A identificação da empresa era uma das perguntas centrais encaminhadas pela reportagem, já que a Sabesp apontou, em manifestação anterior, interferência na rede coletora durante a execução de serviços por terceiros.

A administração municipal afirmou que a empresa responsável realizou levantamentos e procedimentos prévios antes do início dos serviços, incluindo uso de equipamento de georradar.

Prefeitura diz que houve alinhamento prévio com a Sabesp

Questionada se solicitou ou obteve anuência prévia da Sabesp para execução dos serviços na faixa da rede coletora de esgoto, a Prefeitura respondeu que os trabalhos referentes à implantação do novo coletor-tronco foram iniciados após alinhamentos técnicos e comunicações prévias com a concessionária.

A administração afirmou que não foi iniciada qualquer intervenção sem comunicação prévia à Sabesp.

A resposta contrasta com a versão técnica atribuída à Sabesp, que havia apontado ausência de anuência prévia, projeto executivo, plano de intervenção, plano de furo direcional e sondagens como fatores relevantes na ocorrência.

Prefeitura não confirma culpa exclusiva da empresa no extravasamento

A Prefeitura informou que não é possível afirmar, de forma conclusiva, que eventual extravasamento de esgoto bruto tenha ocorrido exclusivamente em razão de rompimento provocado pela empresa executora contratada pelo município.

Segundo a administração, trata-se de uma rede antiga, executada há décadas, subterrânea e localizada a metros de profundidade do leito carroçável.

A Prefeitura afirma que não seria possível identificar previamente, com precisão absoluta, as reais condições estruturais da tubulação existente.

Rede antiga e fragilidades estruturais foram citadas

Na resposta, a Prefeitura disse que foram constatadas fragilidades e possíveis pontos de falha estrutural na rede antiga durante a execução dos serviços.

Segundo a administração, essas circunstâncias podem ter contribuído para a ocorrência verificada.

A Prefeitura também afirmou que, tão logo identificada a possibilidade de interferência na rede coletora, adotou medidas preventivas e mitigatórias, incluindo a paralisação parcial dos serviços.

Prefeitura diz não ter estimativa precisa do volume de esgoto no córrego

Um dos pontos mais sensíveis das respostas envolve o volume de esgoto sanitário e dejetos in natura eventualmente despejado no córrego da Avenida Brasil.

A Prefeitura afirmou que, no momento, não é possível apresentar estimativa técnica precisa sobre esse volume.

Segundo a administração, a apuração exata é dificultada porque o sistema de encaminhamento e operação da rede coletora de esgoto é de responsabilidade da Sabesp.

Município cita lençol freático e solo turfoso

A Prefeitura também apontou que havia no local contribuição significativa do lençol freático do córrego, infiltrações e percolação oriundas do solo turfoso existente na área.

Segundo a administração, esses fatores comprometem a precisão de uma eventual medição volumétrica.

Apesar disso, a Prefeitura afirmou que todas as medidas necessárias de contenção, mitigação e acompanhamento técnico foram adotadas.

Mitigação começou em 7 de maio e terminou em 18 de maio, diz Prefeitura

Questionada sobre por quanto tempo o vazamento permaneceu ativo até ser contido, a Prefeitura informou que os serviços de mitigação e contenção foram iniciados em 07/05/2026.

Segundo a resposta, as intervenções permaneceram em execução contínua até 18/05/2026, quando teriam sido concluídas as medidas necessárias, incluindo interligação da nova rede, entrada em operação de novos PVs e garantia da estanqueidade do sistema implantado.

A Prefeitura, no entanto, afirmou que o período exato de eventual vazamento ou extravasamento deve ser confirmado junto à Sabesp, responsável pela operação e controle do sistema de esgotamento sanitário.

Extravasamento teria ocorrido de forma intermitente

A Prefeitura afirmou que a possibilidade de extravasão ocorreu de forma intermitente, em picos variáveis relacionados aos horários de maior fluxo da rede coletora.

Segundo a administração, essa característica também dificulta a definição precisa do período efetivo da ocorrência e eventual mensuração volumétrica.

Na prática, o município reconhece que houve necessidade de ações de mitigação por 11 dias, mas não apresenta o tempo exato de eventual vazamento de esgoto no córrego.

Coletas ambientais foram feitas, mas resultados não foram apresentados ao Município

A Prefeitura informou que, conforme dados repassados à Secretaria Municipal de Obras, foram realizadas coletas de amostras pela empresa responsável pela execução dos serviços.

O objetivo seria subsidiar eventual análise ambiental da área atingida.

Até a data da resposta, porém, os resultados das análises eventualmente realizadas não haviam sido formalmente apresentados ao Município, segundo a Prefeitura.

Cetesb realizou fiscalização no local

Questionada sobre comunicação formal à Cetesb, a Prefeitura informou que a agência ambiental realizou fiscalização no local para apuração dos fatos relacionados à ocorrência verificada durante a execução da obra.

A administração disse que vem prestando informações e esclarecimentos técnicos solicitados no âmbito das tratativas com os órgãos competentes.

A Prefeitura afirmou ainda que permanece à disposição para apresentar documentos e demais elementos necessários à apuração.

Prefeitura notificou empresa e Sabesp

A Prefeitura confirmou que realizou notificação formal à empresa responsável pela obra e à Sabesp.

Segundo a administração, as notificações tinham como objetivo exigir adoção imediata de medidas para resolução e mitigação da ocorrência, em caráter emergencial.

A Prefeitura afirmou que as notificações buscavam assegurar atuação contínua dos responsáveis na contenção da situação, acompanhamento técnico da área e adoção de providências para evitar agravamento dos fatos.

Não há penalidade contratual automática, diz Prefeitura

Apesar das notificações, a Prefeitura informou que, até o momento, não há previsão contratual específica de aplicação automática de penalidade.

A justificativa apresentada é que a ocorrência teria natureza imprevisível e estaria vinculada às condições estruturais de rede subterrânea preexistente.

A administração afirmou que medidas administrativas, técnicas e legais cabíveis estão sendo adotadas para apurar eventuais responsabilidades.

Quem vai pagar reparo e recuperação ambiental?

A Prefeitura informou que os serviços relacionados à execução da obra contratada, incluindo acabamento, estanqueidade e adequações da rede implantada, já estão contemplados no contrato vigente.

Quanto aos serviços de interligação das redes existentes, a administração afirmou que eles já estavam previamente ajustados para execução pela concessionária responsável pelo sistema de esgotamento sanitário.

Sobre eventuais danos e necessidade de recuperação ambiental da área atingida, a Prefeitura disse que serão adotadas medidas administrativas e legais para apuração de responsabilidades, com acionamento da empresa responsável por eventuais obrigações decorrentes dos fatos apurados.

Prefeitura diz que obra tinha licenças e autorizações necessárias

A Prefeitura afirmou que a obra possuía licenças ambientais e autorizações técnicas necessárias no momento do rompimento do coletor.

Segundo a administração, antes do início dos serviços relacionados à implantação do coletor-tronco e demais atividades da obra, foram realizadas aprovações e alinhamentos necessários junto aos órgãos competentes e entidades responsáveis.

A Prefeitura disse que os procedimentos técnicos e administrativos aplicáveis foram observados para garantir a regularidade e a legalidade da execução dos serviços.

Retomada depende de Tunnel Liner e anuência técnica da Sabesp

A Prefeitura informou que não há prazo exato para retomada integral dos serviços parcialmente paralisados.

Segundo a administração, a retomada está condicionada inicialmente à execução de um trecho pelo método Tunnel Liner sob a linha férrea e à interligação da nova rede à rede existente na Avenida Marechal Castelo Branco.

Depois dessas etapas, a situação será formalmente comunicada à Sabesp, e a retomada dos serviços será autorizada somente após anuência técnica da concessionária.

Medidas para evitar novos extravasamentos

Como medida preventiva, a Prefeitura informou que definiu novo planejamento executivo para os serviços remanescentes do coletor-tronco.

A continuidade das intervenções deve ocorrer em etapas condicionadas, começando pelo trecho em Tunnel Liner sob a linha férrea.

Segundo a administração, o objetivo é garantir maior segurança operacional ao sistema existente, reduzir riscos de interferência na rede coletora e assegurar melhores condições técnicas para continuidade da obra.

Moradores foram informados sobre riscos?

A Prefeitura respondeu que, durante a identificação da possibilidade de risco sanitário, os locais com potencial de extravasamento foram sinalizados.

A administração também informou que foram implantados desvios e medidas de isolamento para minimizar o contato da população com áreas impactadas e garantir maior segurança aos munícipes.

Segundo a Prefeitura, equipes responsáveis acompanharam continuamente a situação, adotando medidas preventivas e mitigatórias para reduzir eventuais riscos à saúde pública e à segurança da população.

Resumo das respostas da Prefeitura

Ponto questionado Resposta da Prefeitura
Paralisação parcial Confirmada em 07/05/2026
Obra embargada? Prefeitura diz que não está totalmente embargada
Serviços paralisados Perfuração direcional por MND e abertura de novos PVs
Serviços mantidos Acabamento interno em PVs já implantados e demais serviços da obra
Empresa executora Consórcio Eraguilera I
Anuência da Sabesp Prefeitura diz que houve alinhamentos e comunicações prévias
Culpa pelo extravasamento Prefeitura diz não ser possível atribuir exclusivamente à empresa contratada
Volume de esgoto Prefeitura diz não ter estimativa técnica precisa
Período de contenção De 07/05/2026 a 18/05/2026
Análise ambiental Coletas teriam sido feitas, mas resultados não foram apresentados formalmente ao Município
Cetesb Prefeitura diz que houve fiscalização no local
Retomada integral Sem prazo; depende de etapas técnicas e anuência da Sabesp

O que ainda segue sem resposta conclusiva

Mesmo com as respostas da Prefeitura, pontos centrais seguem sem definição objetiva.

A administração não informou o volume estimado de esgoto despejado no córrego, não apresentou resultado de análises ambientais, não indicou o período exato de eventual vazamento e não confirmou responsabilização direta da empresa executora.

Também não há prazo para retomada integral dos serviços paralisados, já que a continuidade depende de novas etapas técnicas e da anuência da Sabesp.

Ponto ainda pendente Situação
Volume de esgoto despejado Sem estimativa precisa
Período exato do vazamento Prefeitura diz que deve ser confirmado pela Sabesp
Resultado de análise ambiental Não apresentado formalmente ao Município
Responsabilidade definitiva Ainda em apuração
Penalidade contratual Sem aplicação automática informada
Retomada integral Sem prazo definido

Por que o caso importa para Caçapava

O caso envolve uma obra em uma das vias mais importantes de Caçapava, a possível interferência em uma antiga rede coletora de esgoto, apuração ambiental e impacto em córrego urbano.

Além da questão técnica, a situação afeta diretamente moradores e comerciantes da região, que convivem com obras, desvios, riscos sanitários e dúvidas sobre o andamento dos serviços.

A confirmação de que não há estimativa precisa sobre o volume de esgoto eventualmente despejado mantém aberta uma das principais perguntas da apuração.

Espaço segue aberto

O espaço segue aberto para novas manifestações da Prefeitura de Caçapava, da Sabesp, da Cetesb, da Arsesp e do Consórcio Eraguilera I sobre a obra da Avenida Brasil, o extravasamento de esgoto, os laudos ambientais, a retomada dos serviços e a eventual responsabilização pelos fatos apurados.

Caso novas informações sejam encaminhadas, a matéria poderá ser atualizada.

obra da Avenida Brasil
Foto: Reprodução

Perguntas frequentes

A obra da Avenida Brasil está totalmente embargada?

Não, segundo a Prefeitura. A administração informou que a obra não está totalmente embargada, mas possui paralisação parcial em serviços relacionados ao coletor-tronco.

Quais serviços foram paralisados?

Foram paralisados os serviços de perfuração direcional pelo Método Não Destrutivo, o MND, e a abertura de novos Poços de Visita.

Quais serviços continuam?

Segundo a Prefeitura, continuam os acabamentos internos em PVs já implantados e demais serviços da obra, incluindo previsão de início da microdrenagem no sentido centro.

Qual empresa executa a obra?

A Prefeitura informou que os serviços são executados pelo Consórcio Eraguilera I.

A Prefeitura sabe quanto esgoto foi despejado no córrego?

Não. A administração informou que não é possível apresentar estimativa técnica precisa do volume de esgoto sanitário e dejetos in natura eventualmente despejado.

Quando começaram as medidas de contenção?

Segundo a Prefeitura, os serviços de mitigação e contenção começaram em 07/05/2026 e seguiram até 18/05/2026.

Houve análise ambiental?

A Prefeitura informou que coletas foram realizadas pela empresa responsável, mas os resultados não foram formalmente apresentados ao Município até a data da resposta.

A Cetesb esteve no local?

Sim. A Prefeitura informou que a Cetesb realizou fiscalização no local para apuração dos fatos.

Há prazo para retomada total da obra?

Não há prazo definido. A retomada depende de etapas técnicas, execução de trecho em Tunnel Liner, interligação de rede e anuência técnica da Sabesp.

A empresa foi multada?

A Prefeitura informou que notificou a empresa e a Sabesp, mas disse que não há previsão contratual específica de aplicação automática de penalidade até o momento.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.