Caso Sarah Picolotto: Tribunal de Justiça diz que prisão de homem que confessou ter matado a jovem em Ubatuba seria “medida excepcional”

Tribunal de Justiça diz que prisão de homem que confessou ter matado a jovem em Ubatuba seria “medida excepcional” e que o investigado teve uma “postura colaborativa” quanto as investigações da Polícia Civil. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

A decisão da juíza da 2ª Vara de Ubatuba causou revolta na população da cidade, nos pais, familiares e amigos de Sarah Picolotto dos Santos Grego, de 20 anos, que passava o fim de semana passado na cidade e foi encontrada morta na manhã de sexta-feira (15/08), depois de intenso trabalho de investigação da SIG (Setor de Investigações Gerais), da Polícia Civil.

Sarah, segundo o depoimento do acusado, teria sido estrupada por ele e outros quatro homens. Ela foi morta enforcada e encontrada enterrada em área de mata no bairro Rio Escuro, em Ubatuba.

No dia da condução do acusado à delegacia para depoimento, a Polícia Civil pediu a prisão do suspeito. O Ministério Público foi favorável, porém a juíza que analisou o caso decidiu, que mesmo tendo confessado os crimes, deixá-lo em liberdade.

O Tribunal de Justiça justificou a atitude da magistrada: “a prisão temporária é medida excepcional e só pode ser decretada quando estritamente indispensável ao andamento da investigação, conforme determina a Lei 7.960/89.

Caso Sarah Picolotto
Foto: Reprodução

O crime

o Vale 360 News teve acesso com exclusividade. Depois de intenso trabalho de investigação da SIG (Setor de Investigações Gerais), da Polícia Civil um homem foi conduzido à delegacia para depoimento.

No depoimento, ele confessou o crime e relatou que Sarah estava em uma adega, do Bairro Rio Escuro, e que chegou ao local por volta de 23h, de domingo (10/08). O investigado disse que, até então, “estava somente ela (Sarah) de mulher e 4 homens”.

Ao menos em duas ocasiões, quando foi questionado pela delegada, que colheu o depoimento sobre o que Sarah estava fazendo no local, ele disse: “programa, programa”.

Estupro coletivo

Em dado momento, há o relato de que os cinco homens teriam abusado da jovem. Ela teria sido obrigada a fazer sexo oral nos cinco. A delegada questiona se o ato praticado foi voluntário, mas o suspeito diz que nada foi voluntário. A polícia teria vídeos do que aconteceu neste momento.

Após o abuso, eles voltaram à adega e na sequência Sarah e o investigado, de 24 anos, foram para a casa dele, onde tiveram relação. Houve uma briga entre e como estaria sob efeito de bebidas e drogas, ele a enforcou e enterrou o corpo.

Outros detalhes

O homem ainda ressaltou que pegou o celular da jovem e jogou o aparelho no rio.

Nota do Tribunal de Justiça

“A 2ª Vara de Ubatuba negou o pedido de prisão temporária de Alessandro Neves dos Santos. A decisão reconhece a gravidade dos fatos investigados, mas ressalta que a prisão temporária é medida excepcional e só pode ser decretada quando estritamente indispensável ao andamento da investigação, conforme determina a Lei 7.960/89.

De acordo com os fundamentos da decisão, a postura colaborativa do investigado não representa risco imediato às diligências e há uma série medidas cautelares para viabilizar a apuração de circunstâncias criminosas, como buscas e apreensões, levantamento de sigilo de dados e financeiro, interceptação telefônica etc. Na mesma decisão, foi deferida a busca e apreensão nos endereços indicados, para fins de arrecadação de provas e objetos relacionados à apuração”.

CNJ

O Vale 360 News pediu um posicionamento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) a respeito da decisão da juíza neste caso e aguarda um posicionamento.

O que diz o Instituto Todas Por Uma

O Instituto Todas Por Uma, que é um instituto defesa das mulheres divulgou nota de repúdio nas redes sociais e ressaltou que a decisão da Justiça “representa não apenas um retrocesso, mas um grave sinal de negligência com a vida das mulheres”. Leia a posição do Instituto.

“É com profunda indignação que o Instituto Todas por Uma se manifesta diante da liberação, no mesmo dia, do autor confesso de um crime brutal ocorrido no bairro Rio Escuro, em Ubatuba.

Apesar do trabalho rápido e eficiente da Polícia Civil e SIG , que elucidou o caso em menos de 24 horas, e mesmo com o parecer favorável do Ministério Público pela prisão, o Poder Judiciário optou por soltar o acusado. Isso é inadmissível!

Trata-se de um crime de extrema gravidade. Além de confessar o homicídio de uma mulher em situação de vulnerabilidade, há registros em vídeo que indicam possível violência sexual coletiva, envolvendo cinco homens. As investigações seguem apurando a natureza dos atos cometidos, incluindo a suspeita de estupro de vulnerável, já que a vítima estava sob efeito de álcool.

A liberação imediata do suspeito representa não apenas um retrocesso, mas um grave sinal de negligência com a vida das mulheres. Mais uma vez, vemos o sistema falhar em protegê-las e punir os responsáveis.

Esse caso escancara uma estrutura que não garante justiça para as vítimas, mas que, repetidamente, permite que a impunidade prevaleça.
Basta!
Não vamos nos calar! A justiça será feita, doa a quem doer”.

Sarah era filha de pastor

Sarah Picolotto dos Santos, de 20 anos, era filha do Pastor Leonardo Pereira dos Santos, que agradeceu as mensagens de apoio nas redes sociais. “Venho por essa mensagem agradecer a todos que ajudaram. Mas a Sarah foi encontrada… está morta”, disse o Pastor.

Sarah tinha saído da Vila Progresso em Jundiaí. Na manhã de 12 de agosto, a mãe dela procurou a Delegacia Eletrônica e registrou que o último contato com a filha havia sido às 22h do dia 9/8, indicando como referência o endereço na Rua Dr. João Abifadel, bairro Rio Escuro, na cidade do Litoral Norte.

O pai de Sarah já temia o pior: “Minha filha curtia a vida, usava drogas, gostava de baile funk, mas me diga aí hoje, essa juventude, quem não faz isso? Julgar é fácil, mas a realidade de pai e mãe não é”, desabafou nas redes sociais.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.