BAEP prende 4 suspeitos de sequestrar e tentar extorquir e ameaçar pai e filho em São José dos Campos. A prisão dos suspeitos aconteceu após abordagem dos policiais militares nas proximidades do CTA, na tarde desta segunda-feira (29/09). Na tarde de sexta-feira (26), pai e filho foram sequestrados e ficaram em poder dos criminosos por cerca de 01h30. A abordagem começou em Jacareí, teve desdobramentos em São José dos Campos e Ubatuba, e envolveu ameaças de morte, agressões físicas e psicológicas e exigência de entrega de imóveis, veículo e quantias em dinheiro. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Os quatro suspeitos foram levados para a CPJ (Central de Polícia Judiciária) em São José dos Campos e são ouvidos. Eles são de Rondônia e um deles já tinha mandado de prisão aberto.
As vítimas relataram que pelo menos quatro homens participaram da ação. A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Jacareí vai conduzir as investigações.
Entenda: Linha do tempo do crime
Abordagem na Rotatória das Letras, em Jacareí
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Por volta de 13h, de sexta-feira, o filho adulto dirigia um Fiat Mobi quando foi fechado por dois carros (um Jeep Renegade e um Hyundai HB20, ambos cinza), na Rotatória das Letras, próximo à rodoviária do Villa Branca. Ao tentar escapar, teve o pneu estourado e foi capturado por ao menos três homens.
Invasão ao apartamento em São José dos Campos com reconhecimento facial
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Os suspeitos levaram o jovem à força até o apartamento do pai em São José dos Campos e entraram no prédio utilizando o reconhecimento facial do próprio filho. No local, reviraram o imóvel em busca de armas, ameaçaram o empresário, o filho e o menor de 15 anos da família, e exigiram pagamento de dívida.
Deslocamento e coação em Ubatuba
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Em seguida, pai e filho foram coagidos a seguir para Ubatuba. Parte do grupo foi no Jeep Renegade com as vítimas. Os demais, no HB20, ficaram do lado de fora do prédio.
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Em Ubatuba, as ameaças continuaram por cerca de 1h30, com tapas no rosto e pressão para que as vítimas transferissem o apartamento de praia, uma Land Rover e pagassem entre R$ 100 mil e R$ 350 mil até esta segunda-feira (29), sob pena de matar o empresário e seus familiares. O grupo dizia ter fotos da família, informações sobre a escola do adolescente (15) e monitoramento prévio dos deslocamentos.
Retorno e liberação sob ameaça
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No início da noite, os suspeitos levaram as vítimas de volta ao Vale do Paraíba e abandonaram o Fiat Mobi com pneu furado nas imediações de uma farmácia em Jacareí. As ameaças foram reiteradas: se o dinheiro e os bens não fossem entregues até 6h30 de segunda-feira, haveria retaliação contra toda a família.
Madrugada de Ameaças
Na madrugada desta segunda-feira, uma das vítimas esteve na CPJ e registou novas ameaças feitas por telefone. Dois criminosos, em chamadas distintas, ameaçavam o filho menor da vítima.
O que dizem as vítimas
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O empresário (46) declarou que a origem do conflito seria um negócio de madeira que não se concretizou. Cheques de um cliente não compensaram e isso teria gerado prejuízos ao suposto credor que passou a cobrar a dívida por meio de violência. Ele apontou um homem de 42 anos como principal cobrador e outro homem, cuja idade não foi informada, como quem teria sido “contratado” para a extorsão, além de dois comparsas não identificados.
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O filho descreveu agressões (marcas no pescoço) e ameaças constantes à família, inclusive ao irmão adolescente (15), com exigência de R$ 350 mil e bens para “quitar a dívida”.
As duas versões convergem quanto a sequestro, transporte forçado entre cidades, cárcere, ameaças e exigência de valores e bens; divergem no montante cobrado (o pai menciona R$ 100 mil; o filho, R$ 350 mil).
Provas e diligências já realizadas
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Exame de corpo de delito (preliminar): laudos atestaram lesões leves em pai e filho.
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Imagens de Ubatuba: foram anexadas filmagens externas do prédio onde parte do grupo aparece na sacada durante a ação.
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Perícia papiloscópica: a polícia solicitou coleta de digitais no veículo e nos apartamentos para identificar todos os envolvidos (AFIS/Deinter-1).
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Empresas e vínculos: constam pesquisas societárias ligadas ao ramo de madeiras, que teriam relação com o suposto credor apontado pelas vítimas.
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Proteção às vítimas: a família pediu inclusão no PROVITA (programa de proteção a vítimas e testemunhas), e as medidas iniciais foram adotadas.
Quem são os investigados
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Homem de 42 anos: apontado pelas vítimas como credor no negócio de madeira e líder da cobrança violenta.
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Homem adulto (idade não informada): teria sido contratado para executar a extorsão, atuando com o grupo.
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Dois homens não identificados: integravam o carro de apoio e participaram da abordagem e vigilância. Um deles seria conhecido por apelido, segundo o BO.
O que a polícia já decidiu
A autoridade plantonista formalizou o Boletim de Ocorrência e encaminhou os autos para continuidade da apuração, com pedido de representações cabíveis, inclusive prisão temporária do investigado identificado. A DIG de Jacareí deve ficar à frente da investigação, por se tratar da circunscrição onde a ação criminosa começou (abordagem e sequestro).
Entenda os crimes
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Extorsão (art. 158 do CP): ocorre quando alguém, mediante violência ou grave ameaça, obriga outra pessoa a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa com o fim de obter vantagem econômica. A lei prevê causa de aumento quando o crime é cometido com restrição da liberdade da vítima.
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Sequestro e cárcere privado (art. 148 do CP): consiste em privar alguém de sua liberdade, ainda que por pouco tempo, o que, somado às ameaças e à finalidade de obter vantagem, compõe o quadro típico narrado pelas vítimas.

Perguntas Frequentes
Qual foi o estopim do caso?
Segundo as vítimas, um impasse comercial no ramo de madeiras teria gerado prejuízos ao suposto credor, que então recorreu a violência e ameaças para “cobrar a dívida”.
Onde as vítimas ficaram em cárcere?
Em dois apartamentos: um em São José dos Campos (onde os autores entraram com o reconhecimento facial do filho) e outro em Ubatuba, onde permaneceram sob coação por cerca de 1h30.
Houve armas de fogo?
As vítimas relataram ameaças com faca e forte coação física e psicológica, mas não descreveram arma de fogo exibida durante a ação.
Quanto exigiram?
Os relatos variam entre R$ 100 mil e R$ 350 mil, além da entrega de imóvel e veículo. O prazo imposto foi 6h30 da segunda-feira seguinte.
Quais provas a polícia já tem?
Laudos de lesões leves, vídeos externos do prédio em Ubatuba com suspeitos na sacada, solicitação de digitais em locais e veículos e documentos ligados ao ramo de madeiras.
Quem investiga?
A DIG de Jacareí deve assumir a investigação; o caso começou na cidade e teve desdobramentos regionais.
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