Trio foi preso em flagrante em Taubaté após a Polícia Civil apontar que um adolescente de 13 anos e a mãe dele foram coagidos a participar de uma “busca” por cavalos furtados, em uma ocorrência que se estendeu por cerca de 10 horas. ENTRE AGORA no Canal do Vale 360 News no WhatsApp e receba alertas em primeira mão (urgentes e atualizações). CLIQUE AQUI.
O caso foi registrado no plantão da Polícia Civil de Taubaté como sequestro e cárcere privado (art. 148), exercício arbitrário das próprias razões (art. 345) e lesão corporal (art. 129). A ocorrência teve como referência a região do Areão e terminou com a condução de todos os envolvidos ao plantão policial durante a madrugada desta quinta-feira (19).
A ocorrência reacende o alerta sobre o risco de “resolver por conta própria” situações de suspeita ou furto. O Vale 360 News já mostrou casos em que a reação de moradores virou novo problema policial, como a agressão a investigadas em Taubaté após comoção no bairro (veja nesta reportagem) e episódios de “justiça com as próprias mãos” em outras cidades da região (leia aqui).
Cavalos furtados: como a Polícia diz que tudo começou em Taubaté
Segundo o boletim de ocorrência, a informação inicial apurada no plantão é que dois equinos teriam sido furtados por adolescentes. A partir disso, três homens (todos adultos) passaram a conduzir e coagir um adolescente de 13 anos, a mãe dele e um casal para realizarem buscas em diferentes pontos da cidade e áreas de pasto, do meio da tarde até a madrugada.
O chamado que levou a equipe da Polícia Militar ao local descreve um grupo de pessoas tentando localizar animais. Ainda conforme o registro, a PM foi acionada via COPOM e, ao chegar, encontrou a movimentação na região do Areão.
A busca por cavalos furtados durou cerca de 10 horas, segundo o registro
O relato que sustenta a versão inicial da ocorrência descreve um período prolongado de deslocamentos e pressão para que o adolescente e os demais envolvidos indicassem onde estariam os animais. De acordo com o histórico, a dinâmica teria começado por volta de 15h30 e avançado pela noite, com paradas em locais diferentes e tentativas de checagem em áreas de pasto.
O boletim descreve que, ao longo da noite, um dos animais foi recuperado — uma égua de pelagem castanha, de 13 anos, avaliada em R$ 3.500, conforme anotação inserida no documento. O segundo animal citado no registro não havia sido localizado até o momento em que a Polícia Militar interveio e conduziu todos ao plantão.
Quem são os presos e por que a prisão foi em flagrante
Os três homens foram presos em flagrante e formalmente indiciados pelos crimes apontados no registro. A autoridade policial registra que a situação de flagrante ficou caracterizada pela manutenção das vítimas sob controle por horas, com a condução ao plantão logo após a intervenção da PM.
Em um dos trechos do despacho, consta a decisão de manter a prisão em flagrante. Veja o trecho: “considero configurado o estado flagrancial”, diz o delegado que atendeu a ocorrência.
O documento também aponta que a conduta, nesta fase inicial, foi enquadrada nos crimes de sequestro/cárcere, exercício arbitrário das próprias razões e lesão corporal, com instauração de inquérito policial.
O que as vítimas relataram à Polícia
Conforme as declarações colhidas no plantão, o adolescente teria sido acusado de envolvimento no desaparecimento dos animais e, por isso, teria sido colocado sob pressão para indicar paradeiros e acompanhar buscas. A mãe do adolescente também relata que foi junto para tentar protegê-lo durante a movimentação, afirmando que permaneceu sob controle do grupo até a chegada da polícia.
O boletim registra ainda a menção a agressões. Em um trecho, a ocorrência cita que o adolescente afirmou ter recebido agressões sem lesões aparentes. Em outro ponto, a mãe menciona marcas e vermelhidão no rosto do filho após tapas, além de escoriação relacionada a arame farpado durante as buscas.
Há ainda a narrativa de um casal que teria sido compelido a ajudar na procura, por medo, até a apresentação de todos à unidade policial.
Versões dos indiciados: o que cada um disse no BO
O boletim traz as versões apresentadas pelos três indiciados, com negativa de crimes e justificativas sobre como se envolveram na ocorrência. Abaixo, os principais pontos com trechos em aspas, conforme o registro:
Indiciado 1: dono de uma das éguas recuperadas
O indiciado que se apresenta como proprietário de uma égua castanha relata que o animal teria sido furtado de uma fazenda e que ele fez diligências para recuperar o bem. No registro, ele afirma que agiu para tentar localizar os animais e sustenta que acionou a polícia.
- “nega os crimes que lhe são imputados”
- “sustenta álibi de trabalho em fazenda com câmeras”
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Indiciado 2: homem que diz ter sido chamado para “ajudar na busca”
Outro indiciado afirma que foi chamado para auxiliar nas diligências para encontrar a égua e que esteve em área de mata e buscas, sem localizar um dos animais. A versão registrada indica que ele também nega as imputações e, por meio do defensor, menciona como chegou ao local.
- “nega as imputações”
Indiciado 3: dono do segundo animal citado no registro
O terceiro indiciado relata que percebeu a ausência do animal em data anterior, que vinha procurando por conta própria e que foi informado sobre um possível paradeiro. Ele afirma que apenas acompanhou os dois amigos e que não colocou outras pessoas no veículo. O registro também aponta negativa de crimes.
- “nega quaisquer crimes que lhe são atribuídos”
O caso agora segue para a delegacia responsável pela área do fato, com a continuidade das diligências, análise de versões, eventual checagem de mensagens e confirmação das circunstâncias descritas em boletim.
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Entenda por que “fazer justiça com as próprias mãos” pode virar crime
O boletim enquadra o caso também como exercício arbitrário das próprias razões, que é quando alguém tenta “resolver” uma suposta injustiça por conta própria, fora dos meios legais. Em situações assim, a orientação é sempre acionar as forças de segurança e evitar confrontos ou coação.
O Vale 360 News acompanha ocorrências semelhantes na região, inclusive casos de sequestro e cárcere com investigação em andamento, como o caso em Caçapava que mobilizou a PM e a Polícia Civil (leia aqui) e outro episódio de extorsão mediante sequestro com desdobramentos entre Jacareí, São José dos Campos e Ubatuba (veja nesta matéria).

Perguntas frequentes
Por que o trio foi preso em flagrante em Taubaté?
O registro indica que a Polícia entendeu haver estado de flagrante pela manutenção das vítimas sob controle por horas e pela condução imediata ao plantão após a intervenção da PM.
O que motivou a ocorrência, segundo o boletim?
De acordo com o histórico do BO, tudo começou após a notícia de desaparecimento de animais e a suspeita de participação de adolescentes no sumiço, o que desencadeou a coação para buscas.
Por que a busca por cavalos furtados virou caso de sequestro e cárcere privado?
O registro aponta que as vítimas teriam sido constrangidas e obrigadas a acompanhar buscas por várias horas, com deslocamentos e pressão, situação enquadrada como sequestro/cárcere na ocorrência.
Um dos animais foi recuperado?
Sim. O boletim registra a localização de uma égua de pelagem castanha. O segundo animal citado no registro não havia sido localizado até a intervenção policial descrita no documento.
O que acontece agora com o caso?
Após o plantão, a Polícia Civil registra a instauração de inquérito e o envio do caso para a unidade responsável pela área do fato, para prosseguimento das apurações.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

