Partilha de bens foi o estopim para homicídio e tentativa de feminicídio em Jacareí, aponta Boletim de Ocorrência. O desentendimento sobre a divisão de bens antecedeu o ataque a tiros contra uma mulher, de 38 anos, e o pai dela, na noite de terça-feira (18/08), em uma residência na região da Vila Garcia. Carlos Inácio da Silva, de 62 anos, morreu no local, a filha sobreviveu e foi levada a uma unidade hospitalar. A Polícia Civil aponta o ex-namorado dela, de 37 anos, como investigado pelos dois crimes. Ele segue procurado. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O que o novo BO revela sobre homicídio e tentativa de feminicídio em Jacareí?
O boletim de ocorrência detalha que o casal manteve relacionamento por aproximadamente seis anos e haviam comprado uma casa em conjunto. Após a separação, ocorrida em 27 de julho, o imóvel foi colocado à venda.
De acordo com o depoimento da mãe do investigado à Polícia Civil, a mulher pretendia receber 50% do valor do imóvel, mas ele não concordava com a divisão. Ainda conforme esse relato, ele chamou a ex-namorada e o pai dela para uma conversa sobre a questão na noite do crime.
As novas informações acrescentam detalhes à primeira apuração do Vale 360 News sobre o homicídio e a tentativa de feminicídio em Jacareí. Durante a madrugada, as informações preliminares relacionavam o ataque ao fim do relacionamento. O registro policial, concluído horas depois, aponta o conflito patrimonial como elemento central do desentendimento que precedeu os tiros.
Como aconteceu o homicídio e a tentativa de feminicídio em Jacareí?
O pai do investigado afirmou à Polícia Civil que estava à mesa com o filho, a mulher e o pai dela durante a conversa sobre a divisão do imóvel. Em determinado momento, o filho teria deixado o ambiente e retornado com uma arma de fogo.
De acordo com essa testemunha, o primeiro alvo foi o pai da ex-namorada. Na sequência, o investigado teria se voltado contra a mulher. Ela correu para o interior da residência para fugir dos tiros, mas o ex-namorado teria ido atrás dela e feito novos disparos.
O pai do suspeito afirmou que tentou impedir a ação, mas não conseguiu evitar o ataque. Depois dos tiros, o autor teria deixado o imóvel em uma motocicleta.
A mãe do investigado apresentou à polícia uma versão semelhante sobre a sequência. Ela relatou que viu o filho retirar algo de uma gaveta e, inicialmente, pensou que fosse um canivete. Ao tentar segurá-lo, ela teria sofrido um empurrão e caído. Logo depois, ouviu uma sequência de tiros.
Quantos tiros foram disparados na casa?
O número exato de disparos ainda depende do trabalho pericial. A mãe do investigado estimou cerca de 15 tiros, mas esse número aparece no BO como percepção da testemunha e não como resultado técnico.
A perícia recolheu cápsulas deflagradas encontradas na cena. Os policiais militares também apresentaram um carregador vazio de pistola calibre .380, com capacidade para 12 munições. O objeto foi formalmente apreendido pela Polícia Civil.
O que aconteceu com as vítimas após os disparos?
Policiais militares chegaram à residência após um chamado do Copom para uma ocorrência com disparos de arma de fogo. A equipe encontrou Carlos inconsciente e a filha consciente.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou a morte de Carlos no local. A filha recebeu atendimento e foi levada ao hospital. O boletim informa que a Polícia Civil não conseguiu colher o depoimento da mulher naquele momento porque ela permanecia sob cuidados médicos. O documento não apresenta atualização posterior sobre o quadro clínico dela.
A autoridade policial também requisitou exame necroscópico para Carlos e perícia no imóvel. Uma equipe da Polícia Científica esteve no endereço para os levantamentos necessários.
O que familiares relataram sobre ameaças anteriores?
Um dos pontos mais relevantes do novo boletim aparece no depoimento da mãe do investigado. Ela afirmou que o filho já dizia que a ex-namorada não ficaria com o dinheiro dele e relatou uma ameaça anterior contra a vida dela.
Conforme o relato registrado pela Polícia Civil, o autor teria dito que acabaria com a vida da ex e depois com a própria vida. A declaração integra a investigação e ainda será confrontada com outros elementos do inquérito.
O pai do acusado também afirmou que já tinha ouvido do filho frases sobre o dinheiro e a ex-namorada. Após o ataque e a fuga, o investigado teria enviado uma mensagem ao pai.
O BO informa ainda que o casamento no civil estava previsto para outubro.
Como a Polícia Civil classificou o caso?
A Polícia Civil registrou a morte de Carlos como homicídio consumado e o ataque contra a filha dele como tentativa de feminicídio. O documento aponta indícios de autoria contra o ex-namorado e ex-genro de Carlos.
No caso do homicídio, o boletim também cita, na classificação inicial da ocorrência, motivo fútil e recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. A apuração prossegue para esclarecer toda a dinâmica, a origem da arma e outros elementos relacionados ao ataque.
A classificação registrada no boletim faz parte da fase policial do caso. O documento destaca a necessidade de continuidade das diligências para o completo esclarecimento dos fatos.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

