Assista: Mãe atende pedido de filho baleado por engano em Caçapava e doa cinco órgãos

Mãe atende pedido de filho baleado por engano em Caçapava e doa cinco órgãos. A doação de órgãos e tecidos de Pedro Henrique, de 16 anos, baleado por engano em Caçapava Velha, vai beneficiar cinco receptores após a família autorizar a retirada de dois rins, fígado e duas córneas neste sábado (22/08). A captação começou no fim da manhã na Fusam e terminou por volta de 14h30. Dois veículos da Secretaria de Estado da Saúde fizeram o transporte após o procedimento. A mãe do adolescente, Letícia Silva, contou que atendeu a um pedido que o próprio filho havia feito em vida. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

Quais órgãos e tecidos de Pedro Henrique foram doados?

A equipe responsável pela captação retirou os dois rins, o fígado e as duas córneas de Pedro Henrique. Os materiais seguem para cinco receptores diferentes.

Os rins atenderão duas pessoas. As córneas atenderão outras duas. O fígado será destinado a um quinto receptor.

Embora a expressão “doação de órgãos” seja usada de forma ampla, as córneas são classificadas como tecidos. No caso de Pedro Henrique, três órgãos e dois tecidos foram destinados a transplantes.

O coração também passou por avaliação para doação. A equipe médica concluiu que o órgão não reunia condições para transplante. Segundo Letícia, o coração do filho sofreu desgaste durante os dias em que o adolescente permaneceu em estado grave.

“O coração não vai dar, mas a gente já fica feliz que já vai salvar cinco vidas”, afirmou a mãe.

A decisão da família de doar os órgãos de Pedro Henrique já havia sido anunciada na sexta-feira (21/08), após a confirmação da morte do adolescente.

Por que a mãe de Pedro Henrique autorizou a doação?

Letícia Silva contou que Pedro havia falado sobre o assunto pouco tempo antes do ataque. A conversa ocorreu após a morte de uma pessoa conhecida da família. O adolescente perguntou sobre doação e deixou sua vontade clara.

“Mãe, se um dia acontecer alguma coisa comigo, eu quero que a senhora doe meus órgãos. Pode doar tudo”, disse Pedro na conversa, segundo o relato da mãe.

Letícia afirmou que, nos primeiros momentos, resistiu à ideia. O procedimento prolongava o período até a liberação do corpo em uma fase de sofrimento para a família. A lembrança do pedido do filho mudou a decisão.

“Deus me trouxe isso na memória, que era a vontade dele”, contou.

Para a mãe, saber que cinco pessoas receberão órgãos e tecidos do adolescente trouxe conforto em meio à perda. Ela relaciona a decisão ao modo como o filho tratava familiares, amigos, crianças e idosos.

Letícia descreveu Pedro como carinhoso, estudioso, trabalhador e ligado à fé. Segundo ela, o adolescente tinha o hábito de demonstrar afeto aos pais e aos avós e falava sobre ajudar outras pessoas.

Como funciona a autorização para doação após a morte?

No Brasil, a família autoriza a retirada de órgãos e tecidos após a morte. O Ministério da Saúde orienta que quem deseja ser doador converse sobre a decisão com os parentes. A intenção não exige registro em cartório nem anotação em documento. A autorização familiar é necessária para que o procedimento ocorra.

O caso de Pedro Henrique mostra o efeito dessa conversa antecipada. Letícia conhecia a vontade do filho e recorreu à lembrança desse pedido no momento em que recebeu a possibilidade da doação.

Após a autorização e a avaliação médica, a Central de Transplantes cruza informações dos receptores inscritos na lista. Critérios técnicos, compatibilidade, urgência e tempo de espera fazem parte da definição de quem receberá cada órgão.

Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do sistema. Em 2025, o país registrou 4.321 doadores efetivos. A lista de transplantes chegou a 48.159 pessoas naquele ano. A fila por córneas alcançou 34.552 pacientes.

O que a mãe de Pedro Henrique disse para outras famílias?

Letícia pediu que outras famílias conversem sobre doação antes de enfrentar uma situação semelhante. Ela lembrou os cinco dias de angústia que viveu durante a internação do filho e comparou esse período com a espera de pacientes inscritos há anos nas listas de transplante.

“Tem gente que fica numa fila esperando um órgão, lutando pela vida. É uma espera muito dolorosa”, afirmou.

Para Letícia, autorizar a doação significa oferecer uma nova oportunidade a pessoas que dependem de um transplante.

“Através de você, outras vidas voltam a sonhar. Essa esperança”, disse.

O que Letícia corrigiu sobre a noite em que Pedro Henrique foi baleado?

A mãe também apresentou uma informação nova sobre a dinâmica do ataque ocorrido no domingo (16/08), em Caçapava Velha. Segundo Letícia, Pedro não estava na residência da família quando recebeu o tiro.

Ela afirmou que o filho tinha acabado de sair de casa e parou em uma rua do bairro para cumprimentar colegas. De acordo com a mãe, passaram menos de nove minutos entre a saída de Pedro e o ataque.

Durante os tiros, o adolescente entrou em uma residência para buscar proteção. Letícia afirmou que a casa não pertencia à família.

A declaração corrige uma informação presente nos relatos iniciais sobre o caso, que indicavam que Pedro estava em sua própria residência. A primeira cobertura do ataque em Caçapava Velha registrou que criminosos perseguiam dois jovens de 22 e 23 anos e efetuaram diversos disparos.

A Polícia Militar informou desde o início da ocorrência que Pedro não era alvo dos atiradores. O adolescente sofreu um tiro na cabeça e permaneceu internado por cinco dias. A morte de Pedro Henrique foi confirmada na sexta-feira. A Polícia Civil mantém a investigação para identificar os autores e esclarecer a motivação do ataque.

O que a família pede após a morte de Pedro Henrique?

Letícia disse que a família quer respostas sobre o ataque e a responsabilização de quem efetuou os disparos. Ela afirmou que entrega a situação às autoridades e mantém a fé como apoio durante o luto.

“A gente pede que a Justiça seja feita”, declarou.

A mãe também agradeceu a mobilização registrada em Caçapava durante os dias de internação. Amigos, moradores e pessoas de outras cidades participaram de orações, ofereceram apoio à família e se mobilizaram após o pedido por sangue.

Segundo Letícia, a família recebeu alimentos, flores, mensagens e visitas. Ela afirmou que manifestações de diferentes grupos religiosos chegaram aos parentes durante os cinco dias de internação.

Agora, a família enfrenta a ausência do adolescente e acompanha a investigação criminal. Cinco receptores, em locais definidos pelo sistema de transplantes, terão uma nova etapa de tratamento a partir da decisão que Pedro Henrique comunicou à mãe antes do crime.

Mãe atende pedido de filho baleado por engano em Caçapava
Órgãos e tecidos de Pedro Henrique são captados na Fusam, em Caçapava. Foto: Jesse Nascimento (Vale 360 News)

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.