Multidão se despede de Pedrinho em Caçapava. Centenas de pessoas participaram do velório e do sepultamento de Pedro Henrique, de 16 anos, na tarde deste domingo (23/08), no Cemitério Parque das Hortênsias. Familiares, amigos e moradores da cidade que sequer conheciam o adolescente foram ao local para se despedir e abraçar os pais. Três longas salvas de palmas marcaram a cerimônia. No fim, o público gritou o nome do jovem. A família mantém a fé, lembra a doação de órgãos e cobra respostas sobre o ataque que tirou a vida do adolescente. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Como foi a despedida de Pedrinho em Caçapava?
O Cemitério Parque das Hortênsias recebeu centenas de pessoas durante a tarde. Amigos dividiram espaço com parentes, conhecidos da família e moradores que acompanharam o caso desde o ataque.
Parte do público nunca havia encontrado Pedro Henrique pessoalmente. Mesmo assim, essas pessoas foram ao cemitério para prestar solidariedade aos pais e participar da despedida. A maioria era formada por amigos do mesmo bairro, Caçapava Velha.
Durante o sepultamento, Pedrinho recebeu três longas salvas de palmas. A homenagem interrompeu a cerimônia em três momentos. Após a última despedida, familiares e amigos repetiram em voz alta: “Pedrinho, Pedrinho, Pedrinho”.
As manifestações fecharam uma semana que mobilizou Caçapava. Desde o tiro que atingiu Pedro Henrique, moradores participaram de correntes de oração, campanhas de sangue e ações de apoio aos parentes.
Como a fé da família marcou os últimos dias de Pedro Henrique?
A fé esteve presente desde os primeiros momentos após o ataque. Durante os cinco dias de internação, parentes, amigos e moradores se reuniram para orar pela recuperação do adolescente.
Voluntários também aderiram à campanha de doação de sangue. Ao menos três vans saíram de Caçapava com destino a Taubaté durante a mobilização formada após o pedido de ajuda.
A mãe, Letícia Silva, atribui à fé a força da família para enfrentar a morte do filho. Na entrevista concedida após a decisão pela doação de órgãos, ela descreveu Pedro como um adolescente carinhoso, estudioso, trabalhador e ligado à religião.
Segundo Letícia, o filho demonstrava afeto todos os dias. Abraçava os pais, tratava os avós por “vovó” e “vovô” e mantinha o desejo de ajudar outras pessoas.
A família levou essa postura para a despedida deste domingo. A dor esteve presente. A fé também ocupou espaço durante os abraços, as homenagens e as manifestações de carinho recebidas no cemitério.
Como a decisão de Pedro Henrique beneficiou cinco receptores?
Antes do sepultamento, a família cumpriu uma vontade que Pedro Henrique havia manifestado em vida. O adolescente tinha dito à mãe que desejava doar seus órgãos caso enfrentasse uma situação sem possibilidade de recuperação.
Letícia recordou o pedido após a confirmação da morte. A família autorizou o procedimento e a captação de órgãos e tecidos de Pedro Henrique beneficiou cinco receptores.
A equipe retirou dois rins, o fígado e as duas córneas. Os rins foram destinados a duas pessoas. As córneas seguiram para outros dois receptores. O fígado foi destinado a uma quinta pessoa.
O coração também passou por avaliação. A equipe responsável concluiu que não havia condições para o transplante.
A captação começou no fim da manhã de sábado (22/08), na Fusam, e terminou por volta das 14h30. Dois veículos da Secretaria de Estado da Saúde fizeram o transporte após o procedimento.
A decisão encerrou uma espera dolorosa para a família e abriu uma nova etapa de tratamento para cinco pessoas. Letícia contou que a lembrança do pedido do filho teve peso direto na autorização.
O que aconteceu com Pedrinho antes da internação?
Pedro Henrique sofreu um tiro na cabeça na noite de domingo (16/08), em Caçapava Velha. Criminosos atiraram contra dois jovens, de 22 e 23 anos, que estavam em uma rua do bairro.
Segundo Letícia, Pedro tinha acabado de sair de casa e parou para cumprimentar colegas. Ela afirmou que menos de nove minutos separaram a saída do filho do ataque. Quando os tiros começaram, Pedro entrou em uma residência para buscar proteção. A casa não pertencia à família, segundo a mãe.
O adolescente não era alvo dos autores. O ataque em Caçapava Velha deixou três pessoas baleadas. Os outros dois jovens sobreviveram.
Pedro recebeu atendimento na Fusam. Durante cinco dias, familiares e moradores mantiveram uma mobilização pela recuperação dele. A morte de Pedro Henrique foi confirmada na sexta-feira (21/08).
O que a família cobra da Polícia Civil?
Depois da despedida, uma questão permanece para os pais: quem matou Pedro Henrique. A Polícia Civil investiga o ataque. Até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial de prisão dos autores.
Letícia já havia deixado clara a posição da família após a morte do filho. “A gente pede que a Justiça seja feita”, afirmou.
Os parentes querem a identificação dos responsáveis e a responsabilização de quem participou do crime. A investigação também precisa esclarecer a motivação dos tiros contra os dois jovens que eram os alvos iniciais.
A ocorrência começou como uma tentativa de triplo homicídio. Com a morte de Pedro Henrique, o caso passou a incluir o homicídio do adolescente. Na primeira apuração, policiais recolheram um cartucho íntegro de calibre 9 mm. Os relatos dos dois sobreviventes também integram o trabalho policial.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.






