Furto de gado em Queluz: homem suspeito de coagir administrador a levar 22 cabeças é preso

O furto de gado em Queluz levou à prisão em flagrante de um homem de 28 anos na quinta-feira (27/08), após a Polícia Civil apontar que ele teria coagido um administrador de fazenda a participar da retirada de 22 cabeças de gado de duas propriedades. O suspeito também foi autuado por crimes ligados a extorsão e tráfico de drogas e foi encaminhado ao Centro de Triagem de Cruzeiro. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

O caso começou com uma investigação sobre furto de semoventes. Esse é o termo usado na área policial e jurídica para animais que se deslocam por meios próprios, como bois, vacas, cavalos e outros animais de produção. No decorrer da apuração, o depoimento de um administrador de fazenda mudou o rumo do inquérito.

Segundo o boletim de ocorrência, o administrador declarou que sofria ameaças e que havia recebido ordens para assumir a responsabilidade pelos furtos. A Polícia Civil afirma que mensagens enviadas ao celular da vítima reforçaram a suspeita de coação.

Como a polícia chegou ao furto de gado em Queluz?

Os policiais apuravam inicialmente o desaparecimento de 10 cabeças de gado de uma propriedade. Durante o depoimento do administrador, a equipe identificou sinais de que ele também seria vítima de extorsão.

O homem relatou que precisava de dinheiro para quitar dívidas de IPTU e contas de água. Segundo o BO, ele acertou um empréstimo de R$ 10 mil com o investigado, mas recebeu R$ 2 mil em espécie. O suspeito teria prometido entregar os R$ 8 mil restantes em outra data. O documento não informa se essa quantia restante chegou às mãos do administrador.

A partir dessa relação financeira, segundo a versão registrada pela Polícia Civil, o suspeito teria pressionado o administrador para que ele identificasse animais e ajudasse na retirada do gado.

De quem eram as 22 cabeças de gado citadas pela investigação?

O boletim divide os animais em dois grupos. Dez cabeças pertenciam ao proprietário que deu origem ao inquérito policial. Outras 12 pertenciam ao empregador do administrador.

Na data em que o BO foi elaborado, o documento afirma que o dono dessas 12 cabeças ainda não tinha conhecimento do furto relatado à polícia.

O administrador disse que não possuía o contato do responsável pelo transporte dos animais. Segundo o depoimento, essa comunicação ficava sob responsabilidade do suspeito. O registro também cita contatos com pessoas de Passa Quatro, em Minas Gerais, para negociação e transporte do gado. A investigação terá de definir o papel de cada pessoa citada.

O Vale 360 News já mostrou outro caso de furto de 55 cabeças de gado em São José dos Campos. Naquela ocorrência, os animais foram avaliados em R$ 250 mil e dois homens acabaram presos em flagrante.

Como as ameaças contra o administrador foram descobertas?

O ponto central para o flagrante foi uma mensagem de áudio recebida pelo administrador durante a passagem dele pela Delegacia de Queluz.

De acordo com os policiais, o suspeito exigiu que a vítima avisasse quando deixasse a delegacia e teria determinado que ela ficasse em silêncio sobre o suposto envolvimento dele no esquema. O BO informa que a mensagem tinha visualização temporária e foi apagada. Os policiais registraram fotografias da tela do celular.

A autoridade policial tratou a mensagem como elemento ligado à continuidade da extorsão e determinou uma diligência até a residência do investigado, no bairro Figueira.

O que a Polícia Civil apreendeu na casa do suspeito?

Os policiais apreenderam dois aparelhos celulares, uma balança de precisão com resquício de pó branco, uma faca com resíduos, uma pequena travessa metálica com vestígios de substância e dois pedaços de plástico.

O boletim relaciona esses materiais à suspeita de tráfico de drogas. O documento não apresenta, nas páginas do registro, resultado de laudo pericial que identifique a composição dos resíduos encontrados. Essa análise faz parte dos procedimentos posteriores à apreensão.

Segundo o relato dos policiais, o homem teria afirmado, em conversa informal, que teria condições de devolver o gado. Quando os agentes solicitaram o desbloqueio de um dos celulares para contato com o suposto receptador, ele recusou e informou que só prestaria declarações em juízo.

No interrogatório formal, acompanhado por dois advogados, o suspeito exerceu o direito de permanecer em silêncio.

Quais crimes aparecem no boletim de ocorrência?

O quadro inicial do BO registra associação criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico e extorsão. No histórico da ocorrência, a autoridade policial afirma que ratificou a prisão em flagrante por extorsão, tráfico de drogas, associação para o tráfico e milícia privada.

A diferença entre o quadro de naturezas e o relato final faz parte do próprio documento policial. O enquadramento definitivo dependerá da investigação, da manifestação do Ministério Público e das decisões da Justiça.

Outro homem aparece no BO como investigado. A Polícia Civil afirma que ele teria participado de ameaças contra uma das vítimas e teria usado uma arma ligada ao principal suspeito. O documento não registra prisão desse segundo investigado nessa ocorrência.

O que acontece com a investigação após a prisão em Queluz?

A Polícia Civil pediu a conversão do flagrante em prisão preventiva. O delegado também solicitou autorização judicial para quebra do sigilo dos celulares apreendidos.

A análise dos aparelhos busca identificar contatos, mensagens e outros dados relacionados ao furto do gado, ao transporte dos animais e aos demais crimes citados no boletim.

O homem preso foi levado ao Centro de Triagem de Cruzeiro e ficou à disposição da Justiça. O BO não informa decisão judicial posterior sobre o pedido de prisão preventiva.

Casos de crimes contra propriedades rurais já apareceram em outras cidades do Vale do Paraíba. Em 2022, o Vale 360 News registrou um caso no qual três homens foram presos em Pindamonhangaba após a localização de cabeças de gado dentro de uma van.

Em fevereiro de 2026, outro episódio ligado ao desaparecimento de animais terminou com três pessoas presas em Taubaté após uma ocorrência relacionada a cavalos furtados. Os casos têm dinâmicas diferentes e não há indicação de ligação entre eles.

Por que a Polícia Civil pediu acesso aos celulares apreendidos?

O pedido de quebra de sigilo busca ampliar a apuração sobre os participantes e o destino das 22 cabeças de gado. O próprio BO cita um transportador, contatos em Minas Gerais e um segundo investigado.

A polícia também quer analisar dados dos aparelhos em razão das suspeitas de extorsão e tráfico. A autorização depende de decisão judicial. Até essa análise, o registro não confirma quem recebeu os animais nem informa se as 22 cabeças foram recuperadas.

A ausência dessa informação é relevante para os proprietários rurais da região. No momento da emissão do boletim, não havia confirmação documental de restituição do rebanho às vítimas.

Furto de gado em Queluz
Foto: Google Maps

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.