O caso aconteceu em uma residência na Rua Benedita Henrique e foi registrado como lesão corporal, violência doméstica, violência psicológica contra a mulher e ameaça.

O flagrante foi lavrado após atendimento da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que levou a jovem para uma Unidade de Pronto Atendimento.

Pai encontra filha com hematoma no rosto e chama socorro

De acordo com o boletim, o pai foi até o imóvel para visitar a filha e percebeu que a jovem apresentava equimose no rosto. Diante da situação, ele acionou o Samu, que a encaminhou para atendimento médico, e solicitou apoio da Polícia Militar para acompanhar a ocorrência.

No endereço, os policiais fizeram contato com o companheiro da vítima, que negou ter praticado agressões. Em seguida, a jovem contou que o ferimento no rosto teria sido causado, em data anterior, por uma ex-namorada do suspeito, em razão de ciúmes. Ainda assim, ela relatou aos policiais que vive uma relação marcada por episódios de violência doméstica e controle excessivo por parte do homem.

Jovem relata clonagem de WhatsApp, controle do celular e impedida de ver família

Já na delegacia, a vítima afirmou que convive maritalmente com o suspeito e não tem filhos. Segundo o boletim, ela declarou que o companheiro é muito ciumento e a submete a violência psicológica ao clonar seu perfil de WhatsApp, acompanhar conversas e impor restrições ao uso do telefone celular e das redes sociais.

A jovem disse ainda que não visita os pais porque o companheiro afirma que os familiares estariam atrapalhando o relacionamento do casal e que, por causa do ciúme excessivo, ela vem sofrendo agressões.

O contexto descrito foi considerado pela Polícia Civil como indício de violência doméstica e familiar no âmbito da Lei Maria da Penha.

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Pai diz ter sido ameaçado ao tentar levar a filha embora

O pai da jovem confirmou, em depoimento, o que havia dito aos policiais militares. Ele relatou que, ao buscar a filha na residência, o homem teria proferido ameaças, dizendo palavras que ele interpretou como promessa de causar mal injusto e grave, caso insistisse em retirar a jovem do local.

Diante do relato da vítima e do pai, as partes foram conduzidas à Central de Polícia Judiciária de São José dos Campos, onde a ocorrência foi apresentada à Delegacia de Defesa da Mulher. Todos foram ouvidos por meio de gravação audiovisual.

Homem é preso em flagrante por violência psicológica e ameaça

Na unidade policial, o suspeito foi informado sobre seus direitos constitucionais e optou por permanecer em silêncio.

Após analisar as versões e os demais elementos colhidos, a autoridade policial entendeu, em juízo inicial, que havia indícios suficientes para configuração de violência psicológica contra a mulher e ameaça no contexto da Lei Maria da Penha.

O delegado decretou a prisão em flagrante do homem e determinou o indiciamento formal, arbitrando fiança no valor de R$ 3 mil. Segundo o boletim, como medida adicional, foi feita representação pela prisão preventiva, cabendo agora ao Poder Judiciário decidir se mantém o suspeito preso ou se aplica outras medidas cautelares.

A Polícia Civil instaurou inquérito para aprofundar as investigações. O caso segue sob responsabilidade da área policial de São José dos Campos, que deverá ouvir novamente os envolvidos, analisar laudos médicos e eventuais registros de episódios anteriores de violência doméstica.

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Rede de proteção e canais de denúncia contra violência doméstica

Casos como este se enquadram na Lei Maria da Penha, que prevê medidas de proteção à mulher em situação de violência doméstica e familiar, incluindo agressões físicas, psicológicas, morais, sexuais e patrimoniais.

A legislação permite o afastamento imediato do agressor do lar, a concessão de medidas protetivas de urgência e o acompanhamento das vítimas por uma rede de apoio.

Qualquer pessoa pode denunciar situações de violência doméstica pelos seguintes canais:

  • Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher.
  • Disque 190 – Polícia Militar, em casos de emergência.
  • Disque 181 – serviço de denúncias anônimas, em alguns estados.
  • Delegacias de Polícia e DDMs – atendimento presencial para registro de boletim de ocorrência e pedido de medidas protetivas.

Em São José dos Campos, mulheres em situação de violência podem procurar a DDM, a rede de saúde e os serviços municipais de assistência social para orientação jurídica, psicológica e encaminhamentos.

impedida de ver família
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Perguntas frequentes

Onde aconteceu o caso?

O caso foi registrado em uma residência localizada na Rua Benedita Henrique, no bairro Campo dos Alemães, zona sul de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

Quem é a vítima apontada no boletim?

A vítima principal é uma jovem de 20 anos que vive em união estável com o suspeito. O pai dela, de 59 anos, também foi registrado como vítima por conta das ameaças relatadas.

Por quais crimes o homem foi autuado?

O boletim registra as naturezas de lesão corporal, violência doméstica, violência psicológica contra a mulher e ameaça. Na decisão de flagrante, a autoridade policial destacou especialmente os crimes de ameaça e violência psicológica no contexto da Lei Maria da Penha.

O que a jovem relatou sobre o comportamento do companheiro?

Ela disse que o companheiro é muito ciumento, que teria clonado seu perfil de WhatsApp para vigiá-la, que controla o uso do celular e das redes sociais e que a impede de visitar os pais, além de associar o ciúme a episódios de agressões sofridas.

O homem confessou as agressões?

Não. Na presença da Polícia Militar, o suspeito negou ter agredido a companheira e, na delegacia, após ser cientificado de seus direitos, optou por permanecer em silêncio.

Qual foi a decisão da Polícia Civil?

A autoridade policial decretou a prisão em flagrante do suspeito por violência psicológica e ameaça, determinou o indiciamento formal, arbitrou fiança de R$ 3 mil e representou à Justiça pela prisão preventiva. Um inquérito policial foi instaurado para aprofundar as investigações.

Como denunciar casos de violência doméstica?

Denúncias podem ser feitas pelo Disque 180, pelo telefone 190 da Polícia Militar, pelo 181 (quando disponível) ou diretamente em delegacias comuns e Delegacias de Defesa da Mulher. Em situação de risco iminente, a orientação é acionar imediatamente o 190.