O iça, conhecido como o “caviar do Vale do Paraíba”, voltou a aparecer no fim de outubro e já virou tradição nas mesas e nas rodas de conversa de quem vive na região. Em São José dos Campos, no Parque Santos Dumont, no fim de semana, e nesta segunda-feira (03/10), na Avenida Brasil, em Caçapava, os “caçadores” de iça estavam atentos. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
A iguaria, extraída de formigueiros subterrâneos, é tão aguardada que, a cada temporada, movimenta feiras, bares e até grupos de amigos que se reúnem para a “caçada do iça”.
O que é o iça
O iça é a formiga alada da espécie saúva (Atta spp.), que aparece em determinadas épocas do ano para reproduzir-se e formar novas colônias.
A fêmea, chamada de tanajura, é maior e mais robusta — e é justamente ela que se transforma no famoso “iça”, consumido assado, frito ou cozido em diferentes receitas regionais.
Rico em proteínas e gorduras boas, o inseto é considerado alimento sustentável e nutritivo, com sabor marcante e textura crocante.
Não à toa, ganhou o apelido de “caviar do interior” ou “ouro das saúvas”.
Quando o iça aparece
O fenômeno ocorre geralmente entre o fim de outubro e meados de novembro, dependendo das chuvas e da temperatura do solo.
O iça sobe à superfície logo após as primeiras chuvas fortes da primavera, especialmente à noite, quando o clima está úmido e quente — condição ideal para o voo nupcial das formigas.
Esse período dura de 7 a 10 dias, podendo se estender um pouco mais conforme o regime de chuvas. Depois disso, os insetos retornam à terra e somem até o próximo ano.
“É uma época curtinha, mas muito esperada. Tem gente que larga tudo para ir catar iça”, conta um morador de Caçapava, que participa da tradição há décadas.
Como é feita a coleta
Logo após as chuvas, moradores costumam buscar os formigueiros em áreas rurais, pastos e terrenos baldios, armados com baldes e lanternas.
As fêmeas aladas são recolhidas e preparadas sem as asas, sendo vendidas frescas ou já torradas nas feiras livres de cidades como Taubaté, Pindamonhangaba, Caçapava, Guaratinguetá e São José dos Campos.
Em muitas cidades, o preço do iça pode chegar a R$ 300 o quilo, tamanha a procura.

Como preparar o “caviar caipira”
Depois de retiradas as asas, as tanajuras são lavadas e limpas.
Em seguida, podem ser:
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Torradas na frigideira com sal e alho;
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Misturadas ao arroz ou à farofa;
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Servidas como petisco, acompanhadas de cachaça ou cerveja.
Algumas famílias mantêm receitas tradicionais passadas por gerações — um verdadeiro patrimônio gastronômico do interior paulista.
Tradição que aquece o comércio
Durante a curta temporada, o iça movimenta barracas, feirantes e restaurantes típicos.
Em Taubaté, por exemplo, há comerciantes que relatam vendas dobradas entre o fim de outubro e o início de novembro, quando o produto é mais abundante.
“Assim que começa a chover e o iça sobe, a gente já sabe que vai vender tudo em poucas horas”, disse um feirante da região.
A iguaria também atrai turistas e curiosos, que buscam experimentar o sabor exótico e culturalmente enraizado no Vale do Paraíba.
Perguntas Frequentes
🔹 O que é o iça?
É a formiga alada da saúva, conhecida como tanajura, muito consumida no interior de São Paulo e Minas Gerais.
🔹 Quando o iça aparece?
Normalmente entre o fim de outubro e meados de novembro, após as primeiras chuvas da primavera.
🔹 Quanto tempo dura a temporada?
A época do iça dura cerca de uma semana a dez dias, variando conforme o clima e as chuvas.
🔹 Onde encontrar iça no Vale do Paraíba?
Em feiras e mercados de cidades como Taubaté, Pindamonhangaba, Caçapava, São José dos Campos e Guaratinguetá.
🔹 Como preparar o iça?
Pode ser frito, torrado ou usado em farofas e risotos, sendo considerado um petisco típico e nutritivo.
🔹 Por que chamam o iça de “caviar do Vale”?
Pela raridade, alto valor e sabor marcante, que o tornaram um símbolo gastronômico regional.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

