A Câmara de Pindamonhangaba rejeitou o requerimento de audiência pública para discutir o PL 344/2025 (nova Planta Genérica de Valores – base do IPTU). A decisão, em regime de urgência, fecha a etapa de escuta popular antes de um projeto que pode elevar o IPTU por quatro anos seguidos (até 25% da diferença por ano). O governo Piorino (PL) é acusado pela oposição de retirar o debate da sociedade. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O que aconteceu na sessão
O requerimento de audiência pública não passou. Em plenário, a vereadora Ana Paula Goffi (União) lamentou:
“Hoje saio triste porque o requerimento de audiência pública não foi aprovado. Nós estamos com uma situação muito triste, que é fechar a porta para o debate, fechar a possibilidade de a população debater. Eu não sei que medo é esse de audiência pública. Se isso vai impactar na vida de milhares de pessoas, se existe uma empresa com um estudo técnico, que está recebendo para isso, qual é o problema para ter uma audiência pública”.
A vereadora cobrou transparência sobre o estudo técnico contratado pela Prefeitura — apontado por oposicionistas como um pacote de R$ 3,6 milhões — e criticou a votação “de afogadilho”. O Executivo enviou o PL 344/2025 na segunda (10/11) e a tramitação foi acelerada sem o debate aberto com contribuintes.
Como votou cada vereador
A favor da audiência pública
• Ana Paula Goffi (União)
• Norberto Moraes (PP)
• Gilson Nagrin (PL)
• Rogério Ramos (PODE)
Contra a audiência pública
• Carlos Magrão (PSD)
• Professor Everton (Republicanos)
• Felipe César Filho (PL)
• Professor Felipe Guimarães (PODE)
• Renato Cebola (União)
• Gari Abençoado (Republicanos)
Com a negativa, o projeto segue sem audiência específica para discutir a PGV e seus efeitos no IPTU.
O que está no PL 344/2025 (e por que mexe no seu bolso)
O texto institui uma nova PGV a partir de 1º de janeiro de 2026, revoga a lei de 1993 e muda a base de cálculo do IPTU (valor venal do terreno + da construção). Dois pontos concentram o impacto:
-
Escalonamento do aumento: se o IPTU recalculado pela nova PGV ficar maior que o valor lançado em 2025, a diferença será cobrada aos poucos: até 25% por ano, por 4 exercícios (ou até alcançar o valor integral antes disso).
-
Poder por decreto: o prefeito poderá fixar e atualizar por decreto peças decisivas da base: o valor do m² por Eixo de Logradouro (terrenos) e a pontuação de categorias (padrões de construção). Além disso, a PGV poderá ser revisada em ciclos de até 4 anos com critérios como IPCA, mercado imobiliário e obras públicas.
Exemplo didático (ilustrativo)
-
IPTU 2025: R$ 1.000
-
IPTU pela nova PGV: R$ 2.000
-
Diferença = R$ 1.000 → cobra-se até R$ 250 extras por ano
-
2026: R$ 1.250 → 2027: R$ 1.500 → 2028: R$ 1.750 → 2029: R$ 2.000
Atenção: a regra não vale para novo lançamento por alteração cadastral (ampliação, demolição, mudança de uso, etc.).
Por que a audiência pública importa
Audiências são o espaço institucional de transparência para apresentar laudos, metodologias, mapas de valores por rua/bairro e simulações por perfis de imóveis. Sem ela, a sociedade perde a chance de questionar critérios (ex.: por que tal bairro subiu mais? quais fatores de topografia, pedologia, padrão construtivo e estado de conservação foram aplicados?) e de ajustar distorções antes do carnê de 2026.
O que dizem os lados
-
Base de governo: defende a atualização da PGV como lei obrigatória para corrigir distorções e equalizar o valor venal aos preços de mercado, distribuindo o impacto com regra de transição (25%/ano).
-
Oposição: fala em pressa e falta de transparência (sem audiência e sem divulgação detalhada do estudo). Critica o poder por decreto sobre valor do m² e pontuação de categorias, o que deixaria a base do imposto sujeita a atos do Executivo com baixo controle social.
Linha do tempo resumida
-
10/11 (seg.): Prefeitura envia o PL 344/2025 à Câmara, em urgência.
-
Sessão seguinte (11/11) : requerimento de audiência pública é rejeitado pela maioria.
-
Próximos dias: projeto segue tramitando sem audiência específica; podem ocorrer votações nas comissões e em plenário.
O que o contribuinte pode fazer agora
-
Guarde seu carnê 2025: ele é a referência para calcular a diferença que será escalonada entre 2026 e 2029.
-
Monitore o Diário Oficial e a Câmara: os decretos de valor do m² por Eixo e a Tabela de pontuação sairão após a aprovação, e definem o impacto real no seu imóvel.
-
Revise seu cadastro (área, padrão, estado de conservação, nº de testadas, fração ideal em condomínio). Erros cadastrais elevam o valor venal.
-
Peça simulação quando os anexos forem publicados; compare com 2025 e projete o escalonamento.

Perguntas frequentes
O IPTU vai dobrar?
Não necessariamente. A lei cria uma ponte de 4 anos para chegar ao valor calculado pela nova PGV. Onde a diferença for grande, o caminho será mais longo (até 25% da diferença/ano).
Quando começa a valer?
A partir do exercício de 2026 (carnê 2026). O projeto revoga a legislação de 1993.
Por que o valor pode subir tanto em alguns bairros?
Porque a PGV reprecifica o valor venal com base em valor do m² por rua/eixo, padrão da construção, topografia, estado de conservação e outros fatores técnicos. Zonas que valorizaram mais podem ter saltos maiores.
O prefeito pode mexer no valor do m² por decreto?
Sim. O texto dá ao Executivo o poder de fixar/atualizar o valor do m² (terreno) e a pontuação de categorias (construção) por decreto, além de permitir revisão da PGV em ciclos de até 4 anos.
Por que a audiência pública foi barrada?
A maioria entendeu que não seria necessária ou optou por acelerar a tramitação. A oposição chama isso de “blindagem” e vê prejuízo à transparência.
O que fazer se eu discordar do valor venal depois?
Quando sair o decreto com tabelas e houver o lançamento, é possível protocolar pedido de revisão com provas (plantas, laudos, fotos) que mostrem erro cadastral ou indevida aplicação de fatores.
Links recomendados
Mais notícias sobre Pindamonhangaba
ENTRE NO GRUPO DE NOTÍCIAS DE PINDAMONHANGABA
Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

