Defesa apresenta gravação de corrida em Jacareí para contestar a acusação de importunação sexual contra um motorista de aplicativo investigado após uma adolescente pular do carro em movimento, na quarta-feira (20/05), no Jardim Maria Amélia; o áudio tem cerca de 25 minutos e pode ser um novo elemento para a Polícia Civil confrontar versões no inquérito. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O Vale 360 News já havia publicado a primeira matéria sobre a ocorrência, com base no boletim de ocorrência registrado na Delegacia Seccional de Jacareí. Agora, o desdobramento é a versão da defesa do motorista, que apresentou uma gravação da corrida.
Por envolver adolescente em ocorrência inicialmente relacionada a possível crime sexual, a identidade da menor será preservada. Nas transcrições abaixo, o nome da passageira foi substituído por [adolescente].
Defesa apresenta gravação de corrida em Jacareí com discussão sobre pagamento
A gravação começa com o motorista confirmando quem entrou no veículo e questionando a forma de pagamento cadastrada no aplicativo. Às 00min44s, ele pergunta: “Olá, boa noite. É [adolescente]?”. A passageira responde: “Aham.”
Logo depois, às 00min50s, o motorista diz: “[Adolescente], eu vi aqui a forma de pagamento de dinheiro. Qual vai ser a forma de pagamento? Dinheiro?”. A passageira responde, às 00min54s: “Pix.”
Na sequência, às 00min57s, ele questiona: “Tá em dinheiro?”. Por volta de 01min07s, o motorista pergunta: “Você é a [adolescente]? Ou é a sua mãe?”. A passageira responde: “Não, eu ponho ela (a mãe).”
Motorista cita pendência de corrida anterior
Mais a frente no diálogo, a passageira questiona o motorista: “Você consegue jogar para a próxima”. O motorista responde: “Sem chance, já estou com quatro pendências já, eu tomei quatro calotes já. Não tem nem como. Por causa disso que eu perguntei, entendeu?”
Na sequência, às 15min59s, o motorista complementa: “Se jogasse na realidade, eu teria cancelado lá e tudo certo. Porque eu teria cancelado sem problema nenhum.”
Trecho final da gravação cita mãe, pagamento e delegacia
Na parte final da gravação, o motorista tenta confirmar o local de parada e pede que a passageira chame a mãe para resolver o pagamento. Às 17min48s, ele pergunta: “Qual o seu nome? Tá conversando com sua mãe”. Depois, às 17min59s, questiona: “Qual casa que é?”
Às 18min02s, o motorista pergunta sobre o destino: “O portãozinho de prata ali?”. A passageira responde: “Isso aqui?”
Por volta de 20min08s, o motorista diz: “Faz o seguinte, deixa o celular aqui comigo aqui, entra lá, chama sua mãe pra fazer o pagamento da corrida.”
Às 20min20s, ele afirma: “A corrida é que você paga, porque, ó, aqui, ó, vou mostrar pra você que não é KO, ó. Tudo é passageiro que não paga. Tudo é pra saber que não paga. Aí, fica essa palhaçada aí.”
Logo depois, às 20min30s, o motorista reforça a cobrança: “É por isso que eu tô perguntando antes. Qual é a forma de pagamento? É dinheiro? É Pix? Eu vou pedir pra jogar pra próxima.”
Às 20min37s, ele diz: “Então, faz favor, desce do carro que eu não trabalho dessa forma.”
“Corrida tá sendo gravada”, diz motorista
Aos 21min09s, o motorista menciona a delegacia: “Então, eu vou deixar você na delegacia lá.” A passageira questiona: “Pra quê, delegacia, não?”
Na sequência, às 21min14s, o áudio registra tensão dentro do carro. O motorista diz: “Você vai machucar, você vai machucar.” A passageira responde: “Então, para”.
O motorista fala: “Corrida tá sendo gravada. Corrida tá sendo gravada. Corrida tá sendo gravada.”
Neste momento, a adolescente pula do carro em deslocamento
Depois, por volta de 21min47s, já em diálogo com terceiros, o motorista encontra um outro motorista de uma Van, que possivelmente estava atrás dele no trânsito e diz: “Ó, vem cá, vem cá. Baixa o vidro.”
Às 21min55s, ele afirma para o outro motorista: “Eu sou motorista de aplicativo, tá? Ela não pagou a corrida e saiu correndo do carro. Não é sequestro, não é nada.”
Por volta de 22min05s, o motorista volta a negar crime: “Entendeu? A mina é pilantra. Eu sou motorista de aplicativo, não sou sequestrador, não sou nada. Beleza?”
Depois do diálogo, o motorista da Van segue o trajeto e vai embora.
Gravação contesta acusação de importunação sexual contra motorista em Jacareí
A versão apresentada pela defesa sustenta que a conversa dentro do carro tratava de pagamento, pendência anterior, valores da corrida, supostos calotes e eventual ida à delegacia por falta de pagamento. Não há também outras adolescentes no carro como mencionado no boletim de ocorrência.
Nos trechos da gravação acessados pela reportagem, não aparece a fala de teor sexual atribuída ao motorista no boletim de ocorrência. A análise completa do áudio, sua integridade e o confronto com os depoimentos cabem à Polícia Civil e eventual perícia no material.
O novo material não encerra a investigação, mas cria uma divergência objetiva entre a versão registrada no BO e a versão apresentada pela defesa.
O que diz o boletim de ocorrência
O BO registra que a representante da adolescente procurou a Polícia Civil depois que a filha chegou em casa chorando e abalada emocionalmente. Segundo o documento, a adolescente relatou ter solicitado um carro de aplicativo no Parque da Cidade, em Jacareí, para voltar para casa com duas amigas.
Ainda conforme o boletim, depois de deixar as amigas no bairro Bela Vista, o motorista seguiu para o Jardim Maria Amélia. A versão registrada afirma que, perto da casa da adolescente, houve discussão sobre pagamento e que o motorista teria feito uma fala de conotação sexual.
O BO informa que a adolescente pulou do carro em movimento, sofreu escoriações no joelho, nas costas e no braço e ficou escondida em um matagal até se sentir segura para retornar para casa.
Segunda edição mudou a tipificação
Na segunda edição, o boletim passou a enquadrar a ocorrência como crime tentado de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável.
O próprio registro afirma que a análise foi feita em cognição sumária, ou seja, de forma preliminar, com base nos elementos disponíveis naquele momento. O BO também registra que o entendimento pode ser reavaliado se surgirem novos elementos, como imagens, oitivas, diligências complementares ou outros dados durante a investigação.
Defesa do motorista nega acusação
O advogado Jorge Cespedes, que representa o motorista de aplicativo, afirmou que a defesa aguarda a conclusão da investigação e nega a acusação de assédio sexual durante a corrida.
Em nota, o advogado declarou: “A defesa do motorista aguarda confiante que a falsa acusação de assédio sexual durante corrida de aplicativo será rapidamente encerrada com a plena comprovação de sua inocência.”
Jorge Cespedes também afirmou: “Os responsáveis pela falsa acusação irão responder na Justiça pelo ato de covardia.”
Polícia Civil deve confrontar gravação, BO e depoimentos
A Polícia Civil deve confrontar a gravação da corrida com a versão do BO, os depoimentos da adolescente, da representante, do motorista e das amigas que estavam no veículo no início do trajeto.
Também podem ser analisados dados da plataforma, rota da corrida, histórico de pagamento, mensagens, localização, eventuais câmeras no trajeto e a íntegra do áudio apresentado pela defesa.
Até a conclusão da apuração, Murilo é tratado como investigado. O boletim informa que não houve flagrante.
Perguntas frequentes
O que mostra a gravação apresentada pela defesa?
A gravação mostra uma conversa sobre forma de pagamento, Pix, corrida pendente, valores, supostos calotes, pedido para chamar a mãe da passageira e menção à delegacia.
A gravação traz a fala de teor sexual registrada no BO?
Nos trechos acessados pela reportagem, a gravação não traz a fala de teor sexual atribuída ao motorista no boletim de ocorrência.
O que o motorista diz sobre a corrida estar gravada?
Em um trecho de tensão no carro, o motorista repete: “Corrida tá sendo gravada”.
O que diz a defesa do motorista?
A defesa afirma que a acusação é falsa e diz confiar na comprovação da inocência de Murilo durante a investigação.
Como o BO enquadrou o caso?
Na segunda edição, o BO enquadrou a ocorrência como crime tentado de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável.
O motorista foi preso?
Não. O boletim informa que não houve flagrante.
A adolescente será identificada?
Não. A identidade da adolescente será preservada por se tratar de menor de idade em ocorrência inicialmente relacionada a possível crime sexual.
O que a Polícia Civil deve fazer agora?
A Polícia Civil deve confrontar a gravação com depoimentos, dados da plataforma, rota da corrida, eventuais imagens e demais elementos do inquérito.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

