Ventos de até 100 km/h no Vale do Paraíba e no Litoral Norte podem causar quedas de árvores, destelhamentos, interrupções de energia e bloqueios em rodovias entre a tarde desta quinta-feira (06/08) e a sexta-feira (07). Em entrevista exclusiva ao Vale 360 News, o capitão Maxwell Souza, porta-voz da Defesa Civil do Estado de São Paulo, afirmou que o órgão mobilizou as equipes e ativará um gabinete presencial de crise às 8h desta quinta-feira. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O que significa a previsão de ventos de até 100 km/h no Vale do Paraíba?
A previsão não indica vento constante nessa velocidade durante todo o dia. O risco está nas rajadas, que são aumentos rápidos e intensos na velocidade do ar e podem durar poucos minutos.
“Não é que vai ventar a 90 km/h o dia todo. Nós teremos picos de poucos minutos, nos quais o vento vem mais violento. É nessa hora que a população precisa se proteger”, explicou o capitão.
Segundo Maxwell Souza, mesmo uma rajada curta pode causar danos relevantes. Árvores, telhas, placas, antenas, tampas de caixas-d’água e objetos soltos podem cair ou atingir pessoas, casas e veículos.
“Ventos nessa proporção são capazes de derrubar árvores, destelhar imóveis, arrancar tampa de caixa-d’água e fachada de comércio. Esses objetos podem cair sobre as pessoas e provocar acidentes graves.”
A intensidade pode variar entre municípios e até entre bairros da mesma cidade. O relevo, a presença de serras, áreas abertas, corredores urbanos e a proximidade do mar interferem na velocidade registrada em cada ponto.
Quando começa o período mais crítico da ventania?
A mudança deve aparecer entre a tarde e a noite desta quinta-feira. A sexta-feira concentra o cenário mais severo, mas a Defesa Civil não descarta rajadas fortes antes desse período.
“A quinta-feira à tarde e à noite e a sexta-feira formam o período de maior atenção. Na quinta já existe chance de os ventos soprarem com mais força”, afirmou Maxwell Souza.
No Vale do Paraíba, a Defesa Civil trabalha com a possibilidade de rajadas entre 80 e 90 km/h em alguns municípios. No Litoral Norte, os valores podem chegar à faixa dos 100 km/h.
“No Vale do Paraíba, nós poderíamos ter ventos entre 80 e 90 km/h em alguns municípios. No Litoral Norte, os ventos podem ficar na faixa dos 100 km/h.”
O Vale 360 News já publicou a previsão detalhada para o novo episódio de ventania no Vale do Paraíba e Litoral Norte, com as estimativas para quinta, sexta, sábado e domingo.
Por que a Defesa Civil considera o cenário preocupante?
O risco decorre da formação de um sistema de baixa pressão associado a um ciclone extratropical no Sul do país. A circulação do sistema pode influenciar o vento no estado de São Paulo.
“Nós estamos mobilizados. A gente monitorou a condição do clima, assim como os demais institutos de meteorologia, e identificou a formação desse ciclone, que vai influenciar os ventos no Sul e no Sudeste, inclusive no estado de São Paulo.”
O capitão também citou a possibilidade de rápida intensificação do sistema, fenômeno conhecido como bombogênese e chamado de “ciclone bomba” na linguagem popular.
Embora o centro do ciclone permaneça sobre o oceano, a diferença de pressão atmosférica e a passagem da frente fria podem ampliar as rajadas no Vale do Paraíba, na Serra da Mantiqueira e no Litoral Norte.
Qual é o principal risco: chuva ou vento?
A chuva não representa o principal fator de preocupação neste episódio, conforme o porta-voz. A previsão indica volume baixo em comparação com eventos que causam alagamentos ou deslizamentos.
“A chuva não vai ser o grande complicador desta vez. O grande perigo é o vento: destelhamento, queda de árvore, queda de torre de transmissão e queda de antena.”
Maxwell Souza afirmou que o volume previsto não aponta, neste momento, risco relevante para deslizamentos em áreas de encosta, inclusive em municípios da Serra da Mantiqueira.
O foco das equipes estará nas ocorrências causadas pelo vento, como árvores sobre vias ou imóveis, danos em coberturas, interrupções no fornecimento de energia, problemas em redes de telefonia e obstáculos em rodovias.
Por que a população não deve ignorar os alertas?
O capitão usou o episódio da semana anterior como exemplo dos riscos causados por decisões tomadas durante a ventania. Segundo ele, pessoas permaneceram em praias e áreas abertas apesar dos alertas.
“A gente não pode ignorar, porque, quando os fenômenos climáticos ficam intensos, nossa vida fica em risco. Os riscos estão presentes. Nós é que precisamos adotar uma postura de proteção.”
O porta-voz citou a morte de uma pessoa atingida por uma árvore em Santos e a morte de um homem após o naufrágio de uma embarcação em São Sebastião.
“Uma pessoa morreu em Santos após uma árvore cair sobre ela. Em São Sebastião, um homem morreu afogado após o barco virar. Então, a gente não pode ignorar.”
Na semana passada, o Vale 360 News mostrou que fortes rajadas causaram danos no Litoral Norte e assustaram moradores do Vale do Paraíba.
São José dos Campos registrou rajada de 90 km/h, enquanto cidades do litoral tiveram quedas de árvores, danos em estruturas, falta de energia e problemas com embarcações. Não há garantia de repetição dos mesmos impactos, mas os registros ajudam a dimensionar o risco.
Quais atividades devem ser adiadas durante a ventania?
Serviços em locais altos ou expostos ao vento exigem atenção especial. O capitão pediu que empresas e moradores adiem a limpeza de fachadas, reparos externos e trabalhos em andaimes.
“Amanhã não é dia de limpar fachada de prédio. Não é dia de fazer reboco em parede externa. Amanhã é dia de se proteger.”
A orientação não representa uma paralisação geral das atividades. O alerta se concentra nos trabalhos com maior exposição, como serviços em telhados, fachadas, andaimes, torres, placas e estruturas provisórias.
“Ninguém precisa cancelar a rotina, mas algumas atividades são mais arriscadas e precisam ser repensadas. Nós estamos avisando antes.”
Parques, praças, praias, trilhas, áreas arborizadas e locais próximos a estruturas frágeis também devem ser evitados durante as rajadas mais fortes.
Como será o gabinete de crise da Defesa Civil?
A Defesa Civil Estadual ativará o gabinete presencial às 8h desta quinta-feira. O órgão reuniu representantes das prefeituras nesta quarta-feira para apresentar o cenário e alinhar as ações.
“Gabinete montado a partir de amanhã, às 8h. Hoje nós fizemos uma reunião com todas as prefeituras de São Paulo para apresentar o cenário meteorológico e alinhar as estratégias.”
O gabinete terá representantes das concessionárias de energia e água, órgãos responsáveis pelas rodovias, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, empresas de telefonia e outras instituições essenciais.
“Quando o gabinete está montado, a decisão fica mais rápida. Nós temos os especialistas na mesma sala e podemos saber quantas equipes estão em cada cidade e deslocar reforços.”
A estrutura permite uma resposta mais rápida para falta de energia, interrupção de água, queda de internet, bloqueios viários e outras ocorrências. O objetivo é reduzir o tempo necessário para a volta dos serviços.
Na semana anterior, o portal também noticiou que a Defesa Civil ativou um gabinete de crise após o alerta de ventos acima de 70 km/h. A nova mobilização ocorre diante da previsão de outro evento de grande intensidade.
Como o alerta chegará a pescadores e trabalhadores do mar?
No Litoral Norte, as Defesas Civis municipais mantêm contato com pescadores, marinheiros, operadores de embarcações e lideranças comunitárias. Os avisos também passam por núcleos comunitários e grupos de mensagens.
“Nós usamos o acesso que as equipes municipais possuem aos pescadores e marinheiros. Também temos núcleos comunitários. O alerta chega a essas pessoas e elas repassam a informação por toda a orla.”
O capitão pediu que pescadores, turistas e proprietários de embarcações retirem barcos e motos aquáticas de áreas de risco quando receberem a orientação.
“O alerta chega. O que a gente precisa é que a pessoa tenha consciência: ‘Deixe-me proteger o barco, recolher o jet-ski e sair do mar’.”
A ventania pode causar ressaca, ondas elevadas, dificuldade de navegação, naufrágios e suspensão da travessia entre São Sebastião e Ilhabela. A operação das balsas depende da avaliação das condições de segurança.
Quais objetos precisam sair de quintais e varandas?
O porta-voz recomendou uma vistoria ainda nesta quarta-feira em casas, prédios, comércios, escolas e outros imóveis.
“Piscina de bolinha, vaso de planta, cadeira, banco e balde precisam sair. Cuidado também com os animais domésticos. Coloque o bichinho em um local protegido.”
Placas publicitárias móveis, lixeiras, brinquedos, ferramentas, lonas, móveis de jardim e outros itens leves devem ficar em ambientes fechados ou presos de forma segura.
“Comerciante, você tem aquela placa de publicidade na calçada? Recolha, porque isso pode sair com o vento. Veja também o telhado, a caixa-d’água e a varanda.”
Condomínios devem verificar coberturas, antenas, toldos, calhas, telhas e tampas de reservatórios. A orientação não inclui subir em telhados sem equipamento ou treinamento.
“Hoje é dia de olhar isso para garantir que amanhã esteja tudo certo.”
O que fazer se a rajada começar durante um deslocamento?
Quem estiver a pé deve procurar uma construção fechada e resistente. Árvores, postes, placas, muros frágeis, coberturas leves e estruturas metálicas não servem como abrigo.
“Percebeu a mudança do tempo? Entre em um comércio, fique protegido, espere passar e depois continue a rotina.”
Motoristas devem evitar ruas com muitas árvores e não estacionar sob copas, placas ou postes. O capitão também alertou que o interior do veículo não oferece proteção suficiente contra a queda de uma árvore de grande porte.
“Não fique dentro do carro debaixo de uma árvore. Nós já tivemos mortes dessa forma. Saia do ponto de risco e procure um local seguro.”
Em rodovias, a orientação é reduzir a velocidade, manter distância do veículo à frente e usar farol baixo. Caso a visibilidade ou a estabilidade do veículo fiquem comprometidas, o motorista deve parar em local permitido, longe de árvores.
“Na estrada, mantenha distância do veículo à frente, use farol baixo e reduza a velocidade. Se a condução ficar insegura, pare no acostamento longe de árvores e espere.”
Quais telefones devem ser acionados em uma emergência?
A Defesa Civil atende pelo número 199. O Corpo de Bombeiros recebe chamados pelo 193. Algumas prefeituras também oferecem atendimento pelo número 156.
“Se alguém se machucou, ligue para o 193. Se houve abalo estrutural ou uma árvore caiu sobre alguma coisa, acione a Defesa Civil pelo 199.”
Fios no chão exigem distância. A população não deve tocar nos cabos nem tentar retirar galhos próximos à rede elétrica. A concessionária responsável precisa receber o chamado.
Por que os modelos meteorológicos reforçam a probabilidade do evento?
A Defesa Civil usa os modelos meteorológicos europeu e americano. Os sistemas processam dados de satélites, estações, medições atmosféricas e institutos de diferentes países.
“São cálculos matemáticos extremamente complexos, feitos por especialistas. Supercomputadores processam esses cálculos e recebem dados de institutos meteorológicos do planeta todo.”
Maxwell Souza explicou que os dois modelos apresentam projeções semelhantes para este evento, o que eleva a confiança na previsão.
“Nós usamos os dois modelos. Quando os dois mostram a mesma coisa, a probabilidade do evento fica muito grande.”
As velocidades exatas ainda podem variar, pois mudanças na pressão, na trajetória do sistema e em outras condições atmosféricas alteram os resultados locais.
O episódio de rajadas de 90 km/h em São José dos Campos, registrado na semana anterior, reforça a necessidade de atenção aos avisos e às mudanças rápidas do tempo.
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Perguntas frequentes sobre os ventos de até 100 km/h no Vale do Paraíba
Quando os ventos mais fortes podem atingir a região?
O período de maior atenção começa entre a tarde e a noite de quinta-feira, 6 de agosto, e segue durante a sexta-feira, 7 de agosto.
Qual velocidade a Defesa Civil prevê para o Vale do Paraíba?
A Defesa Civil trabalha com rajadas entre 80 e 90 km/h em alguns municípios do Vale do Paraíba.
Qual velocidade o vento pode alcançar no Litoral Norte?
As rajadas podem chegar à faixa dos 100 km/h em pontos do Litoral Norte.
Qual é o principal risco deste episódio?
O principal risco é o vento, com possibilidade de quedas de árvores, destelhamentos, danos em estruturas e interrupções de serviços essenciais.
Quais números devem ser acionados em uma emergência?
A Defesa Civil atende pelo 199, e o Corpo de Bombeiros recebe chamados pelo 193.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

