O jornalista, escritor e ex-vereador Luiz Paulo Costa morreu aos 83 anos, por volta das 6h30 desta quinta-feira (17), em Caraguatatuba, onde morava. Ele enfrentava Alzheimer e deixa a esposa, uma filha, um filho e netos. O velório será nesta sexta-feira (18), a partir das 9h, na Câmara Municipal de São José dos Campos. O sepultamento está marcado para as 14h, no Cemitério Padre Rodolfo Komorek, no Centro. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Luiz Paulo teve uma trajetória ligada à história política, jornalística e cultural de São José dos Campos. Trabalhou em rádio, jornal impresso e como correspondente de O Estado de S. Paulo, antes de ocupar uma cadeira na Câmara Municipal por cerca de duas décadas.
Também escreveu livros sobre a memória joseense e integrou a Academia Joseense de Letras. Um dos capítulos centrais de sua história aconteceu durante a ditadura militar, quando foi preso e torturado — décadas depois, registrou aquele período em livro.
Quando será o velório de Luiz Paulo Costa?
O corpo será velado nesta sexta-feira (18), a partir das 9h, na Câmara Municipal de São José dos Campos, com sepultamento previsto para as 14h no Cemitério Padre Rodolfo Komorek, na região central da cidade.
A escolha da Câmara para a despedida tem relação direta com sua trajetória: Luiz Paulo ocupou uma cadeira no Legislativo joseense por quase duas décadas. Apesar do vínculo forte com São José dos Campos, morava atualmente em Caraguatatuba, no Litoral Norte, onde morreu nesta quinta.
Quem foi o jornalista Luiz Paulo Costa?
Sua carreira passou pelo jornalismo, pela política, pela literatura e pela preservação da memória de São José dos Campos. Começou em 1965, na Rádio Piratininga, e depois trabalhou como redator do jornal ValeParaibano, na Rádio Clube e como correspondente de O Estado de S. Paulo na cidade — uma atuação que o colocou em contato direto com a vida política local antes mesmo de disputar um mandato.
Eleito vereador em 1976, permaneceu no cargo de 1977 a 1996, período em que acompanhou de perto a fase final da ditadura militar, a redemocratização e a Constituição de 1988.
Qual foi a atuação de Luiz Paulo Costa na Câmara de São José?
Foram quase duas décadas como vereador, precedidas por anos de jornalismo e por episódios de perseguição política que marcaram sua vida desde os anos 1960. Registros históricos da Câmara associam sua atuação a momentos relevantes da cidade, como as discussões sobre a criação da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, a preservação do antigo Sanatório Vicentina Aranha e movimentos trabalhistas locais.
Com o tempo, seus relatos pessoais viraram fonte para projetos de preservação da memória política municipal — caso do Projeto Pró-Memória da Câmara, que reúne documentos e registros do Legislativo, incluindo materiais sobre a ditadura e a redemocratização.
Por que Luiz Paulo Costa foi preso durante a ditadura?
Em 1970, foi preso sob acusação de ligação com estudantes que tentavam reorganizar o Partido Comunista em São José dos Campos. Ele já vinha de um histórico de perseguição: documentos preservados pelo Pró-Memória mostram que havia sido afastado do quadro do Ministério da Aeronáutica em 1964, após investigações do regime recém-instalado — na época, tinha ligação profissional com o complexo aeroespacial da cidade.
A prisão de 1970 teve consequências mais graves. Levado a São Paulo, passou por interrogatórios e sessões de tortura.
Quais torturas Luiz Paulo relatou ter sofrido?
Ele próprio registrou as violências, em depoimentos e depois em livro. Entre os métodos citados está a chamada cadeira do dragão, usada para aplicar choques elétricos em presos políticos, além de agressões físicas que deixaram sequelas — os registros da Câmara mencionam tímpano perfurado, dentes quebrados e lesão na coluna.
Ficou preso por mais de 140 dias, passando pela Base Aérea de Santos, pelo navio-prisão Raul Soares, pelo DEOPS e pelo DOI-CODI, em São Paulo. Ao recuperar a liberdade, precisou de atendimento hospitalar para tratar as lesões.
O que foi a cadeira do dragão citada por Luiz Paulo?
Era um instrumento de tortura usado contra presos políticos durante a ditadura: a vítima ficava presa a uma estrutura e recebia choques elétricos. Luiz Paulo escolheu esse episódio para nomear o livro em que reuniu suas memórias do período, “A Cadeira do Dragão – Memórias da Ditadura Militar”, apresentado à imprensa em 2022 na própria Câmara Municipal.
A obra, com 181 páginas, percorre as prisões, as torturas físicas e psicológicas e outros episódios de sua trajetória, sob a perspectiva pessoal de um período que marcou sua vida profissional e política.
Como Luiz Paulo voltou à política depois da prisão?
Retomou o jornalismo e entrou na política eleitoral, elegendo-se vereador em 1976. O mandato começou em 1977 e se estendeu até 1996 — anos em que o país saiu do regime militar rumo à democracia, com a retomada das eleições, a reorganização partidária e a Constituição de 1988.
O Vale 360 News também acompanhou recentemente a trajetória de Benedicto Sérgio Lencioni, o BSL, ex-prefeito e ex-vereador de Jacareí, morto aos 90 anos — outra figura que atravessou esses mesmos anos da política regional.
Quais livros Luiz Paulo Costa escreveu?
Ao todo, seis livros, a maioria voltada à história e à cultura de São José dos Campos. Uma das obras é dedicada a Francisco Pereira da Silva, o Chico Triste — jornalista, escritor e pesquisador do folclore com quem manteve longa amizade. Em 2022, somou a essa produção um relato autobiográfico sobre a repressão política: “A Cadeira do Dragão”, com os mais de 140 dias de prisão e as torturas sofridas.
Qual era a ligação de Luiz Paulo com a Academia Joseense de Letras?
Ele ocupava a Cadeira 4, cujo patrono é justamente Francisco Pereira da Silva, o Chico Triste. A amizade entre os dois vinha de 1961, quando foram companheiros de profissão no jornalismo — Luiz Paulo chegou a escrever uma biografia sobre ele. A cadeira na Academia reforça uma dedicação que marcou parte importante de sua vida: preservar personagens, acontecimentos e manifestações culturais de São José dos Campos.
Qual foi a importância de Luiz Paulo para a memória de São José?
Sua contribuição não se limitou aos mandatos ou ao trabalho nas redações. Livros, entrevistas e depoimentos registraram décadas de história política local, personagens da cultura joseense, movimentos sociais e sua própria experiência como preso político — parte dessa memória hoje associada justamente à Câmara Municipal, local escolhido para o velório.
A morte de Luiz Paulo encerra uma trajetória iniciada há mais de seis décadas, mas deixa livros, registros jornalísticos, documentos legislativos e depoimentos que seguem como fonte sobre a história da cidade.
Quando e onde Luiz Paulo Costa será sepultado?
O velório começa às 9h desta sexta-feira (18), na Câmara Municipal de São José dos Campos, com sepultamento às 14h no Cemitério Padre Rodolfo Komorek, no Centro.
Luiz Paulo morreu aos 83 anos em Caraguatatuba, onde vivia nos últimos anos. Deixa a esposa, uma filha, um filho e netos.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

