A Prefeitura de Caçapava confirmou neste sábado (17/10) que o lançamento flagrado pelo Vale 360 News no Córrego Manuel Lito era esgoto sanitário. Depois de uma vistoria no ponto mostrado pela reportagem, o município disse ter identificado um extravasamento que teria origem, aparentemente, em um poço de visita deteriorado da antiga rede coletora operada pela Sabesp. O local fica depois da ponte no fim da Avenida Brasil, perto do túnel sob a linha férrea. A Cetesb acionou o plantão regional, e a Sabesp disse que vai responder.
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A confirmação veio depois que a reportagem registrou em vídeo o lançamento direto no córrego e enviou as imagens à Prefeitura, à Sabesp, à Cetesb, ao Ministério Público (MP) e à Arsesp. A primeira publicação tratava o material como de aparência compatível com esgoto, porque não havia análise técnica daquele ponto. A classificação agora é da Prefeitura, e a Cetesb ainda não se manifestou tecnicamente.
Veja o vídeo registrado pela reportagem:
O que a Prefeitura informou depois da vistoria
Segundo o município, a vistoria técnica feita neste sábado identificou extravasamento de esgoto sanitário com lançamento de efluentes no córrego. A origem seria, aparentemente, um poço de visita deteriorado da antiga rede coletora da Sabesp. A Prefeitura afirma que operar, manter e conservar essa rede cabe à concessionária e que a estrutura não faz parte das obras municipais de macrodrenagem da Avenida Brasil nem sofreu intervenção dos serviços do contrato.
A administração informou que vai notificar formalmente a Sabesp para apurar as causas e adotar medidas corretivas com urgência, e que vai fiscalizar o que for feito. A palavra “aparentemente” é do próprio município, e a origem exata ainda depende de análise técnica: qual estrutura falhou, por que se deteriorou, há quanto tempo o problema existe e que volume chegou ao córrego.
Cetesb e Sabesp ainda não deram resposta técnica
A Cetesb procurou a reportagem depois de receber as imagens, disse que acionou o plantão regional e que apresentará uma manifestação mais detalhada nos próximos dias. A Sabesp também entrou em contato, perguntou o prazo para responder e disse que enviará um posicionamento, que será acrescentado à matéria quando chegar.
A resposta pesa porque, em manifestação anterior ao Vale 360 News, a Sabesp afirmou que o esgotamento sanitário na região estava em operação regular e que não havia lançamento de esgoto no córrego na Avenida Brasil. A ação do MP, por outro lado, diz que a própria empresa já reconheceu, em episódio anterior, um extravasamento de esgoto bruto, classificado como anormalidade operacional e atribuído por ela a interferências das obras. Agora, a Prefeitura aponta para a rede da concessionária e afasta as obras, e as duas versões precisam ser confrontadas.
A confirmação contrasta com a explicação anterior da Prefeitura
Em manifestação anterior, a Prefeitura citou lençol freático raso e redes antigas de drenagem, que poderiam causar afloramento de água subterrânea com aparência parecida com a de efluente sanitário, e disse que só uma avaliação técnica definiria a origem. Foi uma vistoria técnica depois do vídeo deste sábado que levou o município a concluir que havia esgoto sanitário no ponto.
O ponto também não é o mesmo de outros despejos já mostrados pelo portal, o que amplia a pergunta sobre a extensão do problema nas redes subterrâneas da região. O município ainda precisa dizer se o poço tem ligação com galerias pluviais e como o esgoto chegou direto ao córrego.
O que cada órgão disse até agora
| Órgão | Posição sobre o flagrante |
|---|---|
| Prefeitura de Caçapava | Confirmou esgoto sanitário e apontou, aparentemente, poço deteriorado da rede da Sabesp |
| Sabesp | Prometeu resposta, sem prazo |
| Cetesb | Acionou o plantão regional e apresentará manifestação nos próximos dias |
| Ministério Público | Recebeu o vídeo, sem manifestação |
| Arsesp | Recebeu o vídeo, sem manifestação |
O episódio acontece sob uma liminar da Justiça
A 1ª Vara Cível de Caçapava já determinou que Prefeitura, Sabesp e Consórcio Eraguilera I adotem medidas imediatas para impedir o lançamento, o desvio ou o despejo de esgoto bruto ou sem tratamento no córrego e em estruturas ligadas aos fatos. A decisão também manda que novos episódios sejam comunicados ao processo em até cinco dias, com local, causa provável e providências, e é essa obrigação que a confirmação de hoje coloca em evidência. O MP é o autor da ação, e a Arsesp regula e fiscaliza o saneamento.
O Vale 360 News acompanha o caso desde as primeiras ocorrências. O portal mostrou a confirmação da Cetesb de lançamento irregular de esgoto no córrego, a divergência entre Sabesp e Cetesb, com três fiscalizações da Arsesp, a paralisação parcial da obra e a declaração da Prefeitura de que não sabia o volume de esgoto despejado.
*Matéria em atualização

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


