O deputado federal eleito Eduardo Cury (PL) quer fortalecer a indústria de defesa do Vale do Paraíba por meio de investimentos públicos, desenvolvimento tecnológico e ampliação das oportunidades de exportação. Em entrevista exclusiva ao Vale 360 News, concedida na terça-feira (20/10), o ex-prefeito de São José dos Campos afirmou que o setor precisa de maior regularidade nas encomendas governamentais para crescer. Entre as prioridades que defende estão drones, sistemas militares avançados, inteligência artificial e investimentos em instituições de pesquisa como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Durante a conversa com o jornalista Jesse Nascimento, Cury classificou o Vale do Paraíba como um dos principais centros da indústria de defesa brasileira, mas afirmou que a região poderia aproveitar melhor sua capacidade industrial e tecnológica.
O deputado eleito considera que a recuperação dos investimentos depende de mudanças na política econômica nacional, com maior equilíbrio das contas públicas e recursos destinados às Forças Armadas e à pesquisa.
Eduardo Cury defende encomendas públicas para indústria de defesa
Para Eduardo Cury, o desenvolvimento da indústria de defesa depende de investimentos contínuos do governo federal, principalmente em períodos de menor demanda internacional.
O parlamentar eleito afirmou que empresas do setor precisam de previsibilidade para manter suas atividades industriais, preservar conhecimentos tecnológicos e desenvolver novos produtos.
“A indústria de defesa depende, aqui e em qualquer lugar do mundo, de investimento do governo.”
Segundo Cury, quando as exportações diminuem, as encomendas das Forças Armadas podem ajudar a manter a produção das empresas nacionais.
Ele avalia que as restrições orçamentárias do governo federal dificultam essa continuidade e contribuem para limitar o crescimento do setor.
O ex-prefeito também fez críticas à condução da política econômica nacional, que considera insuficiente para garantir investimentos regulares em projetos estratégicos.
O Ministério da Defesa reconhece a importância da articulação entre o Estado e as empresas da Base Industrial de Defesa, especialmente para financiar projetos de longo prazo e preservar tecnologias consideradas estratégicas para o país.
Apesar das dificuldades apontadas por Cury, dados do governo federal mostram que o setor registrou mais de US$ 3,4 bilhões em autorizações de exportação de produtos de defesa em 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Esse resultado nacional não elimina os problemas financeiros enfrentados por empresas específicas nem demonstra que a produção regional esteja em crescimento uniforme.
Avibras e SIATT representam capacidade tecnológica do Vale do Paraíba
Durante a entrevista, o Vale 360 News questionou Cury sobre o futuro da indústria de defesa regional, especialmente diante das atividades da Avibras, em Jacareí, e da SIATT, em São José dos Campos e Caçapava.
A Avibras, fabricante de foguetes, mísseis e sistemas de artilharia, passou por uma longa crise financeira, com paralisação da produção e mobilização de trabalhadores.
Em maio de 2026, a empresa retomou suas atividades industriais depois de um processo de reestruturação.
Mais recentemente, em 15 de outubro, os empresários Joesley e Wesley Batista concluíram a aquisição da fabricante por meio da Globe Investimentos, empresa responsável pelos investimentos pessoais dos irmãos.
O novo controle acionário foi apresentado como parte dos esforços para recuperar a capacidade produtiva da Avibras e ampliar sua atuação no mercado internacional.
A SIATT, por sua vez, atua no desenvolvimento de armamentos inteligentes, incluindo sistemas de mísseis e tecnologias de aplicação militar.
Em reportagem anterior, o Vale 360 News mostrou os projetos de mísseis MANSUP e MAX desenvolvidos pela empresa sediada em São José dos Campos.
Para Cury, a experiência acumulada por essas indústrias e pelos centros de pesquisa regionais representa uma oportunidade de crescimento que precisa ser acompanhada por políticas de investimento e desenvolvimento tecnológico.
Drones e novas tecnologias devem receber prioridade, afirma Cury
O deputado eleito defendeu que o Brasil modernize os equipamentos utilizados pelas Forças Armadas e priorize tecnologias com potencial de utilização nacional e exportação.
Entre os exemplos mencionados estão drones e sistemas militares avançados, áreas que ganharam importância diante das transformações tecnológicas observadas nos conflitos internacionais.
“Precisa restabelecer a organização das contas públicas, o equilíbrio das contas públicas, para que o Brasil possa ter margem para investir.”
Cury afirmou que o investimento não deve se limitar à reposição de equipamentos antigos.
“Equipar, por exemplo, as Forças Armadas, mas não equipar com a velha tecnologia, com a nova tecnologia, com drones, a tecnologia do futuro.”
Segundo ele, a fabricação nacional de equipamentos mais modernos poderia atender às necessidades militares brasileiras e abrir mercados para as indústrias do país.
Essa estratégia dependeria de financiamento, pesquisa, desenvolvimento de produtos e contratos capazes de sustentar a produção.
O parlamentar eleito afirmou esperar que a região aproveite essas oportunidades em um novo ciclo de crescimento industrial.
INPE e instituições de pesquisa entram nas prioridades do deputado eleito
O fortalecimento da indústria de defesa foi relacionado por Cury à recuperação da capacidade brasileira de financiar pesquisa científica e inovação.
Ele destacou a presença de instituições como o INPE, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), que contribuem para a formação de profissionais e o desenvolvimento de tecnologias em São José dos Campos.
Ao comentar a atuação do INPE, Cury mencionou pesquisas relacionadas a satélites e monitoramento espacial, além das empresas que se desenvolveram na região a partir desse conhecimento.
Para o deputado eleito, o crescimento econômico é um dos caminhos para ampliar o orçamento dessas instituições sem elevar as alíquotas dos impostos.
“O projeto tem que crescer 5%, 6%. E aí sim, você tendo o Brasil crescendo bastante, os impostos entram sem aumentar a carga tributária.”
A referência a um crescimento de 5% a 6% representa o patamar defendido por Cury, não uma projeção econômica oficial.
Na avaliação dele, uma economia mais dinâmica poderia aumentar a arrecadação e abrir espaço no orçamento federal para pesquisas, desenvolvimento de tecnologias e projetos considerados estratégicos.
A entrevista não apresentou valores específicos de investimentos que o parlamentar pretende propor para o INPE, ITA ou DCTA no mandato que começa em fevereiro de 2027.
Eduardo Cury critica proposta de regulamentação da inteligência artificial
Outro assunto abordado na entrevista foi o ambiente brasileiro para investimentos em inteligência artificial.
Eduardo Cury afirmou que considera o país atrasado nessa área e criticou a legislação discutida para regulamentar o uso da tecnologia.
“O Brasil está atrasado na IA, na inteligência artificial. Fez uma lei ridícula, uma lei que, na verdade, não permite que ninguém invista.”
Embora Cury tenha utilizado a expressão “lei”, o principal projeto de regulamentação geral da inteligência artificial em discussão no Congresso Nacional, o PL 2338/2023, ainda não foi convertido em legislação.
Aprovada pelo Senado em dezembro de 2024, a proposta permanece em análise na Câmara dos Deputados. O projeto busca estabelecer regras para o desenvolvimento e o uso de sistemas de inteligência artificial, com disposições sobre direitos, responsabilidades, riscos e incentivo à inovação.
O trecho da entrevista não identifica expressamente o número da norma criticada por Cury. Assim, não é possível afirmar que ele se referia especificamente ao PL 2338/2023.
O deputado eleito não detalhou quais dispositivos considera prejudiciais aos investimentos nem apresentou propostas específicas de alteração durante esse trecho da conversa.
Indústria de defesa poderá integrar agenda de Eduardo Cury em Brasília
Eleito deputado federal pelo PL, Eduardo Cury assumirá o mandato em 1º de fevereiro de 2027. Durante a entrevista ao Vale 360 News, apontou o desenvolvimento econômico regional, a pesquisa científica e a infraestrutura entre os temas que pretende defender no Congresso Nacional.
O fortalecimento da indústria de defesa poderá envolver articulações com ministérios, instituições de pesquisa, empresas e representantes das Forças Armadas.
O resultado dessas iniciativas dependerá de propostas concretas, disponibilidade orçamentária, decisões do governo federal e condições de mercado.
Em outra reportagem da mesma entrevista, o Vale 360 News mostrou que Cury também pretende atuar em projetos de mobilidade regional, como o Trem Intercidades, o prolongamento da Carvalho Pinto e a duplicação da Rio-Santos.
Para o deputado eleito, a combinação entre infraestrutura, pesquisa e tecnologia poderá ampliar a capacidade de atração de investimentos para o Vale do Paraíba.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


