Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu neste domingo (25/10) o segundo turno das eleições presidenciais contra Flávio Bolsonaro (PL) e garantiu um quarto mandato à frente do governo federal. O presidente, de 80 anos no dia da votação, será empossado em 5 de janeiro de 2027, ao lado do vice Geraldo Alckmin (PSB), para um novo período de quatro anos no Palácio do Planalto.
Lula teve mais de 64 milhões de voto. A diferença foi de quase 4% a favor do Presidente da República. Lula virou em Minas e ganhou a eleição no estado, onde havia sido derrotado no primeiro turno.
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Da migração de Pernambuco ao movimento sindical
Nascido em Garanhuns, no agreste de Pernambuco, em 27 de outubro de 1945, Lula mudou-se ainda criança com a família para São Paulo. Trabalhou como metalúrgico e entrou para a vida sindical no ABC paulista. A atuação nas negociações trabalhistas e nas greves de metalúrgicos entre o fim dos anos 1970 e o início dos anos 1980 deu projeção nacional ao dirigente.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores ao lado de sindicalistas, intelectuais, lideranças sociais e religiosas. Também esteve entre os fundadores da Central Única dos Trabalhadores, em 1983, e participou da campanha das Diretas Já. Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo e integrou a Assembleia Nacional Constituinte.
A trajetória de Lula combina sindicalismo, organização partidária e disputas eleitorais. Ele concorreu pela primeira vez à Presidência em 1989, chegou ao segundo turno e perdeu para Fernando Collor. Voltou a disputar o cargo em 1994 e 1998, sem vitória. O resultado deste domingo fecha uma sequência que começou há quase quatro décadas e o leva, pela quarta vez, ao comando do Executivo federal.
Primeiros mandatos tiveram foco em renda e programas sociais
Lula venceu a eleição de 2002 e assumiu a Presidência em janeiro de 2003. Foi reeleito em 2006 e permaneceu no cargo até o fim de 2010. Os dois primeiros governos deram destaque a programas de transferência de renda, à valorização do salário mínimo e a iniciativas de ampliação do acesso à educação, como o Bolsa Família e o ProUni.
O período também trouxe debates sobre a condução econômica, o tamanho dos gastos públicos e os limites das alianças políticas no Congresso. As medidas sociais se tornaram uma das marcas de seus governos e seguem no centro do projeto apresentado pelo PT para o próximo mandato. A plataforma registrada no Tribunal Superior Eleitoral propõe ampliar políticas de proteção social, reduzir desigualdades e manter a política de valorização do salário mínimo.
Decisões judiciais marcaram o retorno à disputa eleitoral
Após deixar a Presidência, Lula continuou como uma das principais lideranças do PT. Sua volta à disputa nacional ocorreu depois de decisões judiciais que anularam condenações impostas em processos da Operação Lava Jato. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal confirmou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar aqueles casos.
A anulação das condenações decorreu da questão de competência do juízo; não foi uma absolvição em julgamento de mérito. A decisão permitiu que Lula recuperasse os direitos políticos e voltasse a concorrer. Em 2022, ele venceu Jair Bolsonaro no segundo turno e iniciou seu terceiro período na Presidência em janeiro de 2023.
Plano para novo mandato promete continuidade e ajustes
O plano de governo apresentado ao TSE coloca a redução das desigualdades, a proteção social, a saúde pública, a educação e a valorização do trabalho entre as prioridades. O documento também prevê continuidade do Bolsa Família, da política de valorização do salário mínimo e de investimentos em infraestrutura, indústria e transição ecológica. As medidas são compromissos apresentados pela candidatura; sua execução dependerá de orçamento, decisões administrativas e aprovação do Congresso quando houver necessidade de lei.
Na economia, o programa defende a continuidade do novo arcabouço fiscal e da política industrial, além de investimentos públicos e privados. A proposta também relaciona desenvolvimento econômico a medidas ambientais e à ampliação da capacidade produtiva nacional. O próximo governo terá de conciliar essas prioridades com a trajetória das contas públicas e com a necessidade de formar maioria no Legislativo.
Vale do Paraíba entrou na agenda de ciência e tecnologia
Durante o mandato atual, Lula esteve em São José dos Campos para compromissos ligados à ciência, ao meio ambiente e à tecnologia. Em agosto, visitou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para acompanhar a divulgação de dados de desmatamento. Em julho, foi ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) para conhecer um projeto de geração de energia com turbina a etanol.
Na agenda do IAE, o presidente também tratou de soberania, pesquisa e produção nacional, temas que se conectam à presença de instituições científicas e empresas de tecnologia na região. O discurso de Lula em São José dos Campos apresentou essa diretriz sem anunciar valores ou cronogramas de projetos específicos para o Vale.
Quarto mandato terá desafios de governabilidade e economia
A nova gestão começará diante de uma sociedade ainda polarizada e de um Congresso que terá papel decisivo na aprovação do orçamento e das propostas do Executivo. O presidente também terá de responder a questionamentos sobre gastos, dívida pública, juros, emprego e capacidade dos serviços públicos. A agenda social e os investimentos que constam no plano de governo dependerão de escolhas orçamentárias e de acordos políticos.
A vitória amplia a experiência de Lula no cargo, mas também eleva a expectativa sobre os resultados do próximo governo. O quarto mandato será acompanhado por eleitores que apoiam a continuidade de políticas sociais e por grupos que cobram controle dos gastos, melhora dos serviços públicos e crescimento econômico. A posse está prevista para 5 de janeiro de 2027.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


