Flávio Bolsonaro fala em disputar Presidência. A “live” do candidato que disputou a presidência aconteceu na noite desta sexta-feira (30/10) e marcou uma manifestação do senador sobre sua saída do Brasil após a derrota na eleição presidencial. Na transmissão, ele afirmou que pretende manter atuação política no exterior, defendeu Rogério Marinho para a presidência do Senado e disse estar disposto a disputar novamente o Palácio do Planalto. “Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso”, declarou, sem explicar qual situação permitiria uma nova disputa antes da próxima eleição regular. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Ao longo da transmissão, Flávio apresentou sua versão sobre a decisão de deixar o país, criticou o ministro Alexandre de Moraes e questionou o resultado eleitoral. Também fez previsões negativas sobre a economia e pediu mobilização de deputados, senadores e apoiadores.
“Eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil”, afirmou. O senador disse estar acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas e sustentou que, fora do país, terá mais liberdade para se manifestar.
As acusações de perseguição política e de irregularidades eleitorais foram feitas pelo próprio parlamentar. Na transcrição da live, ele não apresentou documentos, cálculos ou outros elementos que comprovassem suas alegações sobre o resultado das urnas.
Flávio Bolsonaro menciona nova candidatura antes de 2030
Na parte final da transmissão, Flávio afirmou que poderá voltar a disputar a Presidência e relacionou essa possibilidade à votação recebida em 2026.
“Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui”, disse, antes de declarar que estaria pronto, “inclusive se for preciso para disputar a presidência da república de novo”.
O senador agradeceu pelos “quase 60 milhões de votos” que afirmou ter recebido e disse que o resultado lhe dá força para manter sua atuação política.
“Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso”, acrescentou.
Flávio não detalhou a hipótese mencionada nem apresentou um caminho institucional para uma eleição antecipada. A fala expressa sua disposição política, mas não anuncia uma disputa já convocada ou uma candidatura formalizada.
Senador relata intimação após visita a Jair Bolsonaro
Segundo Flávio, a decisão de sair do Brasil foi tomada após uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, na manhã da segunda-feira seguinte à eleição. Ele relatou que teve autorização para permanecer por 30 minutos com o ex-presidente, na condição de advogado.
“Eu não sabia que ia ser a última vez. Eu não sei quando é que eu vou poder vê-lo mais uma vez”, afirmou.
De acordo com sua versão, ao término da visita, foi avisado de que policiais federais estavam na entrada da residência. O senador disse que recebeu uma intimação referente à entrega dos passaportes e à proibição de deixar o Brasil.
“Pai, começou a perseguição até um pouco antes do que eu imaginava que começaria”, disse ter comentado com Jair Bolsonaro.
Flávio também reproduziu uma pergunta que atribuiu ao pai: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”. Segundo o senador, sua resposta foi: “Pai, já sei”.
O relato sobre a conversa familiar é a versão apresentada por Flávio na transmissão. Ele afirmou que, depois desse encontro, voltou para casa e conversou com a esposa sobre a saída do país.
“A decisão eu tomei junto com a minha esposa”
Ao explicar a viagem, o senador afirmou que a iniciativa foi discutida dentro de casa e pediu que apoiadores não responsabilizassem integrantes de seu grupo político.
“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Até porque, né, se soubesse a chance de dar errado seria maior”.
Flávio não apresentou os detalhes do deslocamento na transcrição analisada. Em vez disso, concentrou sua explicação no temor de sofrer restrições e na intenção de continuar a se comunicar com a base eleitoral.
“Eu soube fazer análise de cenário, entendi onde é que eles chegariam e rápido, mais rápido do que eu imaginava”, afirmou.
Sobre sua atuação daqui para a frente, disse que pretende voltar a participar com frequência das redes sociais. “Eu vou poder ser uma voz um pouco mais ativa ainda de todos vocês”, declarou.
PF apura saída do país após restrição judicial
A saída de Flávio ocorreu após decisão de Alexandre de Moraes que proibiu o senador de deixar o Brasil e determinou a entrega de seus passaportes. A Polícia Federal informou que apura as circunstâncias da viagem e cancelou os documentos brasileiros do parlamentar.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, as medidas foram adotadas no contexto de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio e o advogado Willer Tomaz, também investigado, negam irregularidades.
A PF esclareceu que restrições sobre documentos de viagem, por si só, não tornam uma pessoa foragida nem autorizam automaticamente prisão ou vigilância permanente.
Na live, Flávio contestou os fundamentos da decisão e alegou que um documento do Santander afastaria sua ligação com uma empresa citada na investigação. O conteúdo desse documento não acompanha a transcrição fornecida à reportagem.
Flávio defende Rogério Marinho para a presidência do Senado
O principal encaminhamento político anunciado na transmissão foi o apoio a Rogério Marinho para comandar o Senado Federal.
“A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal”, afirmou. “E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal.”
Flávio pediu que seus eleitores cobrem apoio dos parlamentares à indicação. “Vamos cobrar dos senadores que vocês votaram para que votem em Rogério Marinho para a presidência do Senado”, declarou.
O senador voltou ao tema em diferentes momentos da live e apresentou a eleição da Mesa do Senado como prioridade de sua articulação de oposição.
“A única saída que nós temos é a nossa unidade e a gente fazer do Congresso Nacional a nossa trincheira, em especial o Senado Federal”, disse.
Questionamentos eleitorais foram feitos sem apresentação de provas
Flávio contestou a disputa presidencial e usou uma comparação com o futebol para acusar o adversário de descumprir regras eleitorais.
“Foram vários gols de mão que o meu adversário fez e que não foram anulados aí pelo VAR”, afirmou.
Também alegou que ocorreram situações “matematicamente impossíveis” e prometeu explicar seus questionamentos em outra oportunidade. Na transmissão transcrita, porém, não detalhou quais seriam essas situações nem apresentou dados que permitissem examiná-las.
“Eu perdi para o sistema, não perdi para o meu adversário”, declarou.
Ao agradecer pelos votos recebidos, o senador afirmou que eles “realmente vieram de eleitores reais”. A declaração sugere desconfiança em relação à votação adversária, mas não veio acompanhada de comprovação de votos irregulares.
Senador prevê desgaste do governo pela economia
Outro eixo da transmissão foi a avaliação de que a economia poderá enfraquecer o governo. Flávio previu dificuldades, mas não apresentou indicadores ou projeções que sustentassem a dimensão do cenário descrito.
“A minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo”, afirmou.
Ao comparar o momento com o governo Dilma Rousseff, declarou: “O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015”. Também falou em “quebradeira generalizada”, que identificou como sua leitura sobre o futuro do país.
As declarações são previsões políticas do senador, não resultados econômicos já constatados na transmissão.
Críticas ao Judiciário e pedido de mobilização
Flávio acusou as instituições de aparelhamento e classificou a situação brasileira como um “regime de exceção”. Também afirmou que Jair Bolsonaro seria usado como instrumento de negociação política.
“As instituições estão completamente aparelhadas”, declarou. As acusações foram apresentadas como avaliações do senador, sem demonstração documental na live.
Ao encerrar, pediu que deputados e senadores mantivessem a atuação no Congresso e que os apoiadores continuassem mobilizados.
“Não acabou o jogo. Vamos continuar lutando”, disse. “A força vem do povo, a força vem de vocês, a força vem da gente.”
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


