Um vídeo nas redes sociais reacendeu o debate sobre ressocialização de presos e proteção de crianças no Vale do Paraíba. Nele, o prefeito de Aparecida, José Luiz Rodrigues (PL), o Zé Louquinho, afirma que tem intenção de trazer o ex-jogador Robinho — condenado por estupro coletivo na Itália e atualmente preso em Tremembé (SP) — para atuar em escolinhas de futebol para crianças no município. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Robinho cumpre pena de 9 anos de prisão após condenação definitiva na Justiça italiana por estupro coletivo ocorrido em 2013, em Milão. A execução da pena foi homologada no Brasil e ele está detido desde março de 2024 na Penitenciária 2 de Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”.
No vídeo, o prefeito diz que já “indagou a possibilidade” por meio de um convênio com a Funap (Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel, de amparo ao preso) e classifica a ideia como “trabalho de ressocialização”, questionando se as críticas seriam fruto de “racismo” e “preconceito”.
O que disse o prefeito Zé Louquinho
Na gravação, o prefeito começa afirmando que o tema virou “polêmica” depois de ele mencionar, em ocasião anterior, a possibilidade de trazer Robinho para Aparecida:
“Ah, uma polêmica que tá surgindo aí. Atenção, uma polêmica que tá surgindo aí. Eu falei ontem da intenção minha de trazer o Robinho. O Robinho, jogador da seleção brasileira, jogou no Real Madrid, foi cotado para ser o melhor do mundo…”
Ele explica que, ao saber que o ex-jogador está preso em Tremembé, teria perguntado sobre a possibilidade de incluí-lo em atividades de trabalho fora do presídio, amparadas por convênios já existentes:
“Nós temos convênio com a FUNAPE [Funap], tem vários trabalhando aqui em Aparecida, tem gente trabalhando nas cidades vizinhas. É um trabalho de ressocialização, um trabalho de ressocialização.”
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Em seguida, Zé Louquinho faz a defesa direta da ideia de usar Robinho como instrutor de escolinha de futebol:
“Eu tava pensando em trazer o Robinho… pra ensinar as criancinhas a jogar bola. Vai bombar o estádio Penedo, lá no Oipeque. Quem que não quer ver o Robinho jogando bola, ensinando as crianças? Ou ele não entende de futebol?”
O prefeito então questiona a resistência à proposta e menciona racismo e preconceito:
“Ah, mas ele tá preso. Ué, mas tem vários que tão trabalhando com a gente da Funap no Brasil inteiro. Por que que não pode o Robinho? Por que o preconceito? Por que o racismo? Principalmente agora no dia da Consciência Negra, dia 20…”
Ao final, ele diz não entender as críticas, citando “preconceito com pobres”:
“Gente, por que que o pessoal se preocupa tanto com racismo, com preconceito com pobres? Eu não sei por quê. Nós estamos em 2025.”
Até o momento, não há informação pública sobre pedido formal da Prefeitura ao sistema prisional ou à Funap para viabilizar a presença de Robinho em atividades em Aparecida.
Quem é Robinho e qual é a situação jurídica dele hoje
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Nome: Robson de Souza, conhecido como Robinho
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Idade: 41 anos (em 2025)
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Clubes: Santos, Real Madrid, Manchester City, Milan e seleção brasileira
O ex-jogador foi condenado pela Justiça da Itália a 9 anos de prisão por participação em um estupro coletivo contra uma mulher albanesa em 2013, em uma boate em Milão. A condenação transitou em julgado em 202
Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a execução da pena no Brasil. Robinho foi preso em Santos e transferido para a Penitenciária 2 de Tremembé, no interior de São Paulo, onde permanece em regime fechado.
Em 2025, o STF manteve a decisão que homologou a sentença italiana e confirmou o cumprimento da pena em território brasileiro.
Relatos recentes indicam que o ex-jogador participa de trabalhos internos e atividades de estudo e leitura, que já resultaram, inclusive, em redução de parte da pena por remição.
O que é a Funap e como funciona o trabalho de ressocialização
A Funap (Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel) é vinculada ao Governo do Estado de São Paulo e atua, há quase 50 anos, com foco na reinserção social de pessoas privadas de liberdade, oferecendo:
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programas de educação;
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capacitação profissional;
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atividades de trabalho remunerado dentro e fora das unidades prisionais.
Em convênios com prefeituras e empresas, a Funap faz a alocação de mão de obra prisional em serviços como limpeza, manutenção, produção de mobiliário, jardinagem e outras funções, sempre mediante autorização judicial e da administração penitenciária.
Na fala, o prefeito de Aparecida menciona esse tipo de convênio para argumentar que outros presos já trabalham no município, e que, portanto, Robinho poderia ser incluído na mesma lógica de “trabalho de ressocialização”.
Por que a fala gera polêmica
A proposta de levar um condenado por estupro coletivo para trabalhar diretamente com crianças em escolinha de futebol abre uma série de debates:
1. Ressocialização x proteção de crianças
Especialistas em execução penal defendem o trabalho como ferramenta de ressocialização e redução da reincidência. Por outro lado, organismos de proteção à infância reforçam que pessoas condenadas por crimes sexuais devem ter restrições rigorosas de contato com menores, dependendo do caso, justamente para evitar revitimização e riscos futuros.
2. Limites legais
Ainda que o trabalho externo seja previsto na Lei de Execução Penal e em planos estaduais de trabalho e renda para presos, cada situação exige:
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autorização judicial específica;
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parecer da unidade prisional e da Secretaria de Administração Penitenciária;
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análise de compatibilidade entre o tipo de crime e a atividade proposta (no caso, contato direto com crianças).
Não há, até agora, informação pública de que o Judiciário ou a administração penitenciária tenham sido formalmente acionados sobre o pedido.
3. Racismo e preconceito
Ao defender a ideia, o prefeito associa as críticas a “preconceito” e “racismo”, especialmente por envolver um homem negro, no contexto do Dia da Consciência Negra (20 de novembro).
Grupos contrários à proposta, porém, argumentam que o debate central não é a raça ou origem social de Robinho, mas sim o tipo de crime pelo qual ele foi condenado e o ambiente no qual trabalharia (escolinhas para crianças).
Como o caso se insere no debate sobre ressocialização
O episódio em Aparecida acontece em um momento em que o sistema prisional paulista discute a ampliação de programas de trabalho e renda para presos e egressos, com metas estabelecidas em plano estadual até 2026.
A discussão sobre Robinho envolve, ao mesmo tempo:
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o direito do preso a estudar, trabalhar e buscar remição de pena;
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o direito das crianças a um ambiente protegido de possíveis riscos;
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o papel de prefeituras e organismos como a Funap em definir quais funções são adequadas a cada perfil de condenado.
Perguntas frequentes
1. Robinho poderia, legalmente, dar aula de futebol para crianças em Aparecida?
Em tese, qualquer trabalho externo de preso em regime fechado precisa de:
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autorização do juiz da execução penal;
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concordância da unidade prisional e da SAP;
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enquadramento dentro das normas de segurança e das políticas de trabalho prisional (como as mediadas pela Funap).
No caso específico de um condenado por estupro coletivo, a avaliação tende a ser ainda mais rigorosa, principalmente se a atividade envolver contato com menores. Não há, até o momento, informação de que esse pedido tenha sido analisado ou deferido pela Justiça.
2. O que exatamente o prefeito propôs?
Pelas falas no vídeo, Zé Louquinho diz que:
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“indagou a possibilidade” de trazer Robinho de Tremembé para Aparecida;
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pretende usar um convênio com a Funap para enquadrar a iniciativa como “trabalho de ressocialização”;
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fala em montar uma “escolinha do Robinho” para crianças, citando estádios locais.
Não há detalhes formais de projeto, cronograma ou pareceres técnicos divulgados até agora.
3. Por que ele fala em racismo e preconceito?
O prefeito questiona se a reação negativa à ideia se deve a:
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racismo, por se tratar de um homem negro;
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preconceito contra pessoas pobres;
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resistência à própria lógica de ressocialização de presos.
Críticos da proposta rebatem que o foco do debate é o crime de estupro, a proteção de crianças e os limites adequados da ressocialização.
4. O que é a Funap, citada pelo prefeito?
A Funap é uma fundação do Governo de São Paulo criada para amparar presos e egressos, oferecendo:
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vagas de trabalho (interno e externo);
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programas de educação e cultura.
Empresas, órgãos públicos e prefeituras podem firmar convênios para contratar mão de obra prisional, conforme as regras da Lei de Execução Penal e da própria fundação.
5. Robinho já participa de programas de ressocialização?
Reportagens recentes apontam que Robinho tem participado de atividades de trabalho e estudo dentro do presídio, o que já rendeu remição de parte da pena (redução de dias em função de estudo e leitura).
Essas ações, porém, são internas ao sistema prisional e não envolvem, até onde se sabe, contato direto com crianças fora da unidade.
6. Qual é a pena de Robinho e quanto tempo ele ainda pode ficar preso?
A pena é de 9 anos de prisão por estupro coletivo, aplicada pela Justiça italiana e executada no Brasil desde março de 2024, em regime fechado, na Penitenciária 2 de Tremembé.
A permanência na prisão depende de:
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remição de pena por trabalho e estudo;
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análise de progressão de regime pela Justiça;
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eventuais decisões futuras de tribunais superiores.
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