Procurado por roubos é baleado ao tentar tomar arma de PM durante ação contra o tráfico em Caçapava

Procurado por roubos é baleado ao tentar tomar arma de PM durante ação contra o tráfico em Caçapava. Durante patrulhamento ostensivo, por volta de 20h, desta sexta-feira (14/11), pela Rua João Félix Oliveira Andrade, na Vila Bandeirantes, onde quatro suspeitos foram vistos pelos policiais em frente a uma residência próximos a dois veículos e foram abordados. Os PMs encontraram um tijolo, que depois confirmou-se tratar-se de substância entorpecente. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

O que se sabe sobre a ação policial na Vila Bandeirantes

Abordagem começou com suspeita de tráfico de drogas

Na abordagem, os policiais relataram que um deles segurava um objeto semelhante a um tijolo, que depois foi identificado como porção de maconha. Ao notar a aproximação da viatura, esse suspeito fugiu correndo, abandonando o material, enquanto os outros três permaneceram no local e foram abordados.

Na busca pessoal, segundo o registro:

  • Com um dos abordados, identificado como homem, morador da casa, os policiais encontraram uma porção de maconha no bolso;

  • Próximo à roda traseira de um dos veículos, foi localizada uma bolsa com mais porções da mesma droga;

  • Nos fundos da residência, após varredura com apoio de outras equipes, foi encontrada uma sacola com mais maconha, cuja posse foi assumida pelo morador.

Ao todo, o boletim de ocorrência menciona 1.620 gramas de maconha, divididas em um “tijolo grande” e porções menores.

Quem são os investigados citados no boletim

O documento aponta três homens como investigados por possível tráfico de drogas, todos maiores de idade, dois deles moradores da residência alvo da varredura. Também há um autor desconhecido ligado ao tráfico, já que o homem que fugiu com o tijolo não foi identificado formalmente até o momento.

O o caso segue em apuração e nenhum deles foi indiciado em flagrante pelo delegado plantonista, que optou pela continuidade da investigação em inquérito, sem decretação de prisão naquele momento.

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A perseguição pelos telhados e o disparo de arma de fogo

Suspeito corre pelos telhados e é cercado pela PM

Enquanto parte da equipe lidava com a abordagem na frente da casa, policiais visualizaram um homem correndo pelos telhados das residências vizinhas. Uma outra guarnição se deslocou para a rua dos fundos, com o objetivo de fazer um cerco.

Segundo o boletim, em determinado momento esse suspeito desceu do telhado para a rua e se deparou com a equipe, incluindo uma policial militar, que aparece no registro como vítima.

Tentativa de tomar a arma e reação da policial

Ainda de acordo com o relato oficial, o suspeito de 39 anos – teria partido para cima da policial, tentando arrebatar sua arma de fogo por diversas vezes.

Diante do risco iminente, a policial efetuou um disparo, atingindo o homem na região abdominal e, segundo o texto, “cessando a injusta agressão”. Em seguida, foi acionado socorro médico, e o suspeito foi levado à FUSAM (hospital de Caçapava), onde passou por cirurgia e segue internado sob escolta da Polícia Militar, sem previsão de alta até a emissão do boletim. Não há informações atualizadas a respeito do estado de saúde dele.

O caso foi formalmente registrado como lesão corporal (art. 129 do Código Penal) em decorrência de intervenção policial, tendo como vítimas a própria policial e a saúde pública, em razão da natureza da ocorrência.

Mandado de prisão e condenações anteriores

Ao checar os sistemas policiais, a equipe verificou que o suspeito baleado, com mandado de prisão expedido em 20/05/2018 pela Vara de Execuções Criminais de São José dos Campos, relacionado a condenações pelos crimes de roubo (art. 157) e receptação (art. 180).

O boletim informa que as condenações somariam aproximadamente 21 anos de reclusão, em regime fechado, com validade do mandado até 23/09/2041.

Por esse motivo, além do contexto da abordagem, o registro policial incluiu também a “captura de procurado”, com determinação para comunicação imediata ao Judiciário e posterior audiência de custódia, tão logo haja condições clínicas para transferência ao sistema prisional.

Drogas, arma, dinheiro e celulares apreendidos

Segundo o boletim, foram apreendidos na ocorrência:

  • 1.620 gramas de maconha, em um tijolo grande e diversas porções fracionadas;

  • R$ 66,10 em espécie, atribuídos ao “autor desconhecido” relacionado ao tráfico;

  • Dois celulares – apreendidos com investigados.

Todo o material foi encaminhado para análise pericial. Exames foram requisitados para a arma, o carregador, a cápsula deflagrada e o entorpecente. Já a perícia em celulares foi deixada, por ora, para avaliação posterior do titular da Delegacia de Polícia da área, justamente para não prejudicar a linha inicial de investigação.

O boletim registra ainda que, conforme a narrativa policial, “toda a ocorrência foi registrada por câmeras corporais”, o que deve servir de subsídio para a apuração tanto da legalidade da intervenção quanto da dinâmica do possível tráfico de drogas no endereço.

Decisão do delegado: investigados são ouvidos e liberados

Três investigados foram liberados após depoimento

No despacho constante do boletim, o delegado plantonista afirma que, na etapa inicial, os fatos relacionados ao tráfico de drogas ainda não estavam suficientemente claros para justificar prisões em flagrante dos quatro investigados.

Ele menciona, inclusive, que não descarta hipóteses como:

  • Tráfico privilegiado, com possível redução de pena, ou até

  • Porte de drogas para consumo pessoal, a depender do aprofundamento da investigação, fazendo referência ao Tema 560 do STF, que trata da distinção entre usuário e traficante.

Diante disso, o delegado destaca que:

“A regra em nosso ordenamento jurídico é a liberdade, sendo a exceção a prisão.”

E conclui que não se sente seguro nem confortável para efetuar indiciamento formal ou prisões em flagrante naquele momento, por considerar que faltava justa causa para medida tão gravosa.

Assim, determina que os três investigados que não estavam procurados – dois deles acompanhados de advogado – fossem ouvidos e liberados, permanecendo apenas o baleado detido, em razão do mandado de prisão já existente e do disparo sofrido durante a intervenção.

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Próximos passos da investigação

O boletim foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Caçapava, uma vez que foi registrado na CPJ (Central de Polícia Judiciária), em São José dos Campos, que ficará responsável por:

  • Aprofundar as diligências;

  • Ouvir outras testemunhas, se houver;

  • Colher o depoimento do ferido assim que houver condição médica;

  • Requisitar e analisar imagens de câmeras de segurança públicas e privadas, além das bodycams dos policiais;

  • Aguardar e interpretar os laudos periciais da arma, da cápsula, das drogas e demais materiais apreendidos.

Com base nesse conjunto de provas, a autoridade responsável poderá definir se haverá indiciamento por tráfico de drogas, em que modalidade, e se a conduta da policial militar na intervenção será considerada estritamente dentro da legalidade ou se demandará algum tipo de responsabilização.

Quem tiver informações relevantes sobre tráfico de drogas ou foragidos da Justiça pode colaborar de forma anônima pelos canais oficiais da Segurança Pública, como o Disque-Denúncia 181 (ligação gratuita).

tentar tomar arma de PM
Foto: Jesse Nascimento (Vale 360 News)

Perguntas Frequentes

1. O que aconteceu em Caçapava na noite de 14 de novembro?

A Polícia Militar fazia patrulhamento na Vila Bandeirantes e abordou quatro homens em frente a uma residência, em meio a suspeita de tráfico de drogas. Durante a ocorrência, um homem procurado pela Justiça correu pelos telhados, desceu para a rua e, segundo o boletim, tentou tomar a arma de uma policial, sendo baleado na região abdominal.

2. Quem foi baleado? Ele morreu?

O baleado tem 39 anos e era procurado pela Justiça por condenações por roubo e receptação. Ele sobreviveu, foi submetido a cirurgia e segue internado na FUSAM, em Caçapava, sob escolta da Polícia Militar, sem previsão de alta até o fechamento do boletim.

3. Quantas drogas foram apreendidas e onde?

Foram apreendidos 1,62 quilo de maconha, em um tijolo grande e diversas porções fracionadas. A droga foi encontrada no bolso de um dos investigados, ao lado do veículo e em uma sacola nos fundos da residência, segundo o boletim de ocorrência.

4. Os investigados ficaram presos por tráfico de drogas?

Não. O delegado plantonista decidiu não lavrar prisão em flagrante por tráfico naquele momento, entendendo que era preciso aprofundar a investigação para diferenciar, por exemplo, eventual tráfico privilegiado ou até porte para consumo pessoal. Os três investigados foram ouvidos e liberados; apenas o procurado baleado permanece detido, por causa do mandado de prisão já existente.

5. A policial que atirou será investigada?

Como em todas as ocorrências com disparo de arma de fogo, a ação entra em apuração tanto pela Polícia Civil quanto pelos órgãos internos da corporação, com suporte de perícia e, neste caso, das gravações de câmeras corporais. O boletim registra o fato como lesão corporal decorrente de intervenção policial, e a conclusão sobre eventual excesso ou estrito cumprimento do dever legal dependerá dos laudos e demais provas.

6. O que acontece agora com o procurado que foi capturado?

Mesmo internado, o ferido teve formalizada a captura de procurado. Após alta médica, ele deve ser encaminhado a unidade prisional vinculada ao mandado de prisão, com comunicação ao Judiciário e realização de audiência de custódia, onde um juiz analisará as circunstâncias da prisão e a necessidade de manutenção da custódia cautelar.

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