Jovem, suspeito de tráfico é preso, passa mal e morre em delegacia de São José dos Campos

Um jovem de 22 anos morreu dentro de uma delegacia de São José dos Campos na tarde desta quarta-feira (19/11), após ser preso em flagrante por suspeita de tráfico de drogas no Conjunto Habitacional Elmano Veloso, na zona sul da cidade. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

Segundo o boletim de ocorrência, registrado no 3º Distrito Policial, o caso foi inicialmente classificado como tráfico de drogas e morte suspeita/morte súbita, sem causa determinante aparente.

O jovem foi detido ao lado da companheira, de 38 anos, após policiais civis localizarem uma sacola com porções de cocaína, maconha, skunk e haxixe dentro da casa onde o casal estava. Poucas horas depois, já na delegacia da Avenida Ouro Fino, no Bosque dos Eucaliptos, ele passou mal, recebeu atendimento do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e morreu no local.

A Polícia Civil representou pela prisão preventiva da companheira e informou que a causa exata da morte do jovem será definida pelos laudos necroscópico e toxicológico do IML. Caso seja constatada morte violenta, um inquérito específico sobre a morte em custódia deverá ser instaurado.

Dinâmica da ação policial e do flagrante de tráfico

Campana em ponto conhecido de tráfico no Elmano Veloso

De acordo com o boletim de ocorrência, investigadores do 3º DP foram até a Rua João Batista Barreto, conhecida como “Rua 12”, no Conjunto Habitacional Elmano Veloso, após receberem informações de que um foragido da Justiça estaria circulando pela região. O imóvel é descrito no registro como ponto conhecido de venda e armazenamento de drogas, já alvo de operações anteriores.

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Os policiais utilizaram uma viatura descaracterizada e fizeram uma breve campana para confirmar se o foragido realmente estava no local. Durante a vigilância, eles relataram ter visto um Renault Logan preto se aproximar da casa e entregar uma sacola preta a uma mulher que estava no imóvel.

Segundo o relato, a conduta observada foi interpretada como típica de traficância, o que motivou a abordagem imediata pela equipe.

Tentativa de abordagem e entrada na residência

Quando os policiais tentaram abordar o veículo, o motorista percebeu a movimentação e fugiu do local, tomando rumo ignorado.

Com o portão da residência aberto, os agentes disseram ter conseguido visualizar, por uma janela, uma mulher em seu interior. Ao se apresentar como policial, a equipe afirma que a moradora autorizou a entrada no imóvel.

No quarto do casal, deitado, estava o jovem apontado no boletim como seu namorado. Questionados se haveria drogas na casa, ambos negarem a existência de entorpecentes.

Durante a vistoria no quarto, um dos policiais diz ter encontrado uma sacola preta contendo drogas e dinheiro em espécie, o que levou à voz de prisão em flagrante do casal.

Drogas e dinheiro apreendidos no flagrante

Tipos e quantidades de entorpecentes

O boletim detalha as substâncias apreendidas na residência, todas lacradas pela perícia. Ao todo, foram cerca de 204 gramas de drogas, distribuídas da seguinte forma:

  • Cocaína: 105,30 g, em 43 porções, acondicionadas na forma de “supositório”;

  • Maconha: 75,40 g, em 17 invólucros;

  • Skunk (flor de maconha de maior concentração de THC): 12,30 g, em 9 invólucros;

  • Haxixe: 11 g, em 8 porções.

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Além das drogas, os policiais apreenderam R$ 13 em dinheiro trocado, valor relacionado no boletim como produto do comércio de entorpecentes.

A ocorrência foi enquadrada no artigo 33, caput, da Lei 11.343/06 (Lei de Drogas), nas modalidades “ter em depósito” e “guardar” drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal.

Mal súbito na delegacia e morte suspeita

Queixas de dor no trajeto e atendimento anterior na UPA

Durante a condução do casal à delegacia, o boletim relata que o indiciado se queixou de dores na costela, mencionando ter sofrido agressões em uma briga na segunda-feira anterior.

Ele afirmou aos policiais que já havia sido atendido na UPA do Campo dos Alemães no dia anterior e, por isso, recusou novo atendimento médico naquele momento, dizendo que não precisava ir novamente ao serviço de saúde.

Mal súbito dentro da cela

Já no interior da delegacia – localizada na Avenida Ouro Fino, 1200, no Bosque dos Eucaliptos –, enquanto aguardava o interrogatório, o jovem começou a passar mal dentro da cela, segundo o histórico do BO.

Os policiais acionaram o SAMU pelo número 192. Uma unidade de suporte avançado foi até o local. Ainda conforme o registro, os policiais iniciaram os primeiros cuidados até a chegada da equipe médica, que deu continuidade às manobras de reanimação.

Apesar dos procedimentos, o jovem não resistiu e morreu na delegacia. O caso foi registrado como “morte suspeita/morte súbita, sem causa determinante aparente”, sem indicação, neste momento, de causa violenta confirmada.

Uso de drogas e agressão anterior, segundo o boletim

Em depoimento, a namorada relatou à Polícia Civil que o companheiro teria passado a noite anterior usando drogas, citando o consumo de:

  • “Lança-perfume” (cloreto de etila);

  • “Spice/K2”, um tipo de droga sintética associada à maconha;

  • Maconha;

  • Além de bebida alcoólica em grande quantidade.

Ela também afirmou que o namorado havia sido agredido por outros traficantes locais, citando um suspeito, em razão de desentendimento sobre dinheiro da venda de drogas.

Segundo o boletim, o jovem teria deixado a UPA usando um colete típico para lesões na coluna, em razão das agressões sofridas. A autoridade policial frisa no documento que, apesar das queixas de dor, ele caminhava por conta própria e não solicitou atendimento médico enquanto estava sob custódia.

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Providências da Polícia Civil: perícia, IML e possível inquérito

Acionamento da perícia e encaminhamento ao IML

Após o óbito, a Polícia Civil acionou a Polícia Científica. Um perito criminal e um fotógrafo foram ao local para realizar o exame de corpo de delito no ambiente (IC-local) e registrar as condições da cela e da delegacia no momento da morte.

O corpo foi removido pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) ao Instituto Médico Legal (IML), onde serão realizados:

  • Exame necroscópico, para apurar a causa física da morte (como trauma, parada cardiorrespiratória, hemorragias ou outras lesões);

  • Exame toxicológico, para verificar a presença e as concentrações de drogas e álcool no organismo.

A conclusão sobre a causa da morte dependerá desses laudos, que ainda serão anexados ao procedimento.

Registro como morte suspeita e possibilidade de novo inquérito

No despacho final, a autoridade policial registra que, caso os laudos apontem morte violenta, a situação deverá ser apurada em “caderno investigativo próprio” – ou seja, um inquérito específico sobre a morte do jovem sob custódia do Estado.

Até o momento descrito no boletim, o registro permanece como morte suspeita/súbita, sem causa determinante aparente, à espera da conclusão pericial.

Situação jurídica da namorada

Pedido de prisão preventiva

No mesmo boletim, a Polícia Civil informa que ratificou a prisão em flagrante da namorada por tráfico de drogas e representou pela prisão preventiva da indiciada.

A representação se baseia, segundo o texto do BO, em:

  • Garantia da ordem pública;

  • Aplicação da lei penal;

  • Alegação de que a namorada seria “criminosa contumaz”, com vasta folha de antecedentes;

  • Informação de que ela já teria medidas cautelares em curso e mandado de prisão por fuga de estabelecimento prisional em 2015.

O pedido de prisão preventiva será analisado pelo Poder Judiciário, que pode decretar a prisão, negar ou substituí-la por outras medidas cautelares, conforme os elementos apresentados pelo Ministério Público e pela defesa.

Extinção da punibilidade do jovem

Quanto ao jopvem, o boletim registra que, em razão da morte, houve extinção da punibilidade, com base no artigo 107, inciso I, do Código Penal. Ou seja, ele não poderá mais ser julgado pelo crime de tráfico de drogas imputado no flagrante.

O processo criminal, no entanto, seguirá em relação a mulher, caso o Ministério Público ofereça denúncia.

Enquadramentos legais citados no boletim

O registro QZ1571-1/2025 aponta, entre outros, os seguintes enquadramentos legais:

  • Lei 11.343/06 (Lei de Drogas) – artigo 33, caput: tráfico de drogas nas modalidades “ter em depósito” e “guardar”;

  • Código Penal – artigo 107, I: extinção da punibilidade pela morte do agente;

  • Código de Processo Penal – artigos 311, 312 e 313: fundamentos para a prisão preventiva;

  • Constituição Federal – artigo 5º, incisos XLIII, LXI e LXVI: dispositivos sobre crimes equiparados a hediondos, prisão e fiança.

Dia de muitas ocorrências fatais em São José dos Campos

A quarta-feira (19/11), foi de muitas ocorrências fatais em São José dos Campos. Pela manhã, um homem foi morto enquanto saia para trabalhar no bairro Campos de São José II.

Ainda pela manhã, um outro homem foi encontrado morto no PEV do Campo dos Alemães. Ele estava entre os escombros remexidos por uma pá carregadeira. O caso foi registrado como morte suspeita.

morre em delegacia de São José dos Campos
Foto: Google Maps

Perguntas frequentes

1. Onde aconteceu o flagrante de tráfico de drogas?

O flagrante foi registrado na Rua João Batista Barreto, no Conjunto Habitacional Elmano Veloso, em São José dos Campos. A via é conhecida como “Rua 12” e citada no boletim como ponto de venda e armazenamento de drogas.

2. Em que delegacia o suspeito morreu?

A morte do jovem ocorreu na delegacia localizada na Avenida Ouro Fino, 1200, no Bosque dos Eucaliptos, zona sul de São José dos Campos. O local é área de circunscrição do 7º Distrito Policial, embora o flagrante tenha sido registrado pelo 3º DP.

3. Quais drogas foram apreendidas e em que quantidade?

De acordo com o boletim, foram apreendidas aproximadamente 204 gramas de entorpecentes, entre:

  • Cocaína: 105,30 g (43 porções);

  • Maconha: 75,40 g (17 invólucros);

  • Skunk: 12,30 g (9 invólucros);

  • Haxixe: 11 g (8 porções);

  • Além de R$ 13 em dinheiro.

4. A morte do jovem já foi considerada homicídio?

Não. O boletim registra a ocorrência como “morte suspeita/morte súbita, sem causa determinante aparente”. A hipótese de morte violenta só poderá ser confirmada ou descartada após a emissão dos laudos necroscópico e toxicológico pelo IML. Se for constatada morte violenta, um inquérito específico sobre a morte em custódia deverá ser instaurado.

5. O que a Polícia Civil alega sobre o estado de saúde do jovem antes de morrer?

O boletim relata que:

  • O jovemfoi agredido dias antes, em uma briga ligada ao tráfico;

  • Ele teria sido atendido na UPA do Campo dos Alemães, medicado e liberado;

  • Estava usando um colete para lesão na coluna;

  • Teria consumido álcool, maconha, “spice/K2” e lança-perfume na noite anterior;

  • Caminhava por conta própria e não pediu novo atendimento médico enquanto estava na delegacia.

Essas informações constam exclusivamente do boletim de ocorrência e ainda dependem da confirmação técnica dos laudos.

6. Qual é a situação atual da namorada?

A mulher foi presa em flagrante por suspeita de tráfico de drogas. A autoridade policial representou pela prisão preventiva, alegando reincidência e risco à ordem pública. A decisão final ficará a cargo da Justiça, após manifestação do Ministério Público e eventual atuação da defesa.

7. A família ou a defesa do jovem se manifestaram?

O boletim de ocorrência não registra versão da família nem da defesa do casal. Caberá às partes interessadas se manifestarem nos autos do processo e, se desejarem, publicamente.

8. O caso ainda pode ter desdobramentos?

Sim. Há pelo menos dois eixos de desdobramento:

  1. Ação penal por tráfico de drogas contra a namorada, se o Ministério Público oferecer denúncia;

  2. Apuração da morte suspeita em custódia, a partir dos laudos do IML. Caso seja apontada morte violenta ou circunstâncias que indiquem algum tipo de crime, a Polícia Civil deverá abrir um inquérito específico para investigar o que ocorreu dentro da delegacia.

9. Como o leitor pode colaborar com informações?

Quem tiver informações sobre o foragido, que estava no veículo, sobre a disputa entre traficantes na região do Elmano Veloso ou sobre as circunstâncias que antecederam a morte do jovem pode procurar, de forma anônima, os canais oficiais:

  • Disque Denúncia 181 (Estado de SP);

  • 190 (emergência da PM);

  • Delegacias da Polícia Civil de São José dos Campos.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.