Motorista da BMW estava a mais de 160 km/h, quando bateu e matou jovem, diz Polícia de São José dos Campos

Motorista da BMW estava a mais de 160 km/h quando bateu e matou jovem, diz Polícia de São José dos Campos. Heitor Rabelo Stetner, de 37 anos, engenheiro, foi preso na manhã desta quarta (22/10) por equipes do 1º Distrito Policial. Inquérito fala em “dolo eventual” com base em cálculos de velocidade, vídeos e depoimentos. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

O que o inquérito diz

A prisão de Heitor Rabelo Stetner é temporária, 30 dias. Ele é investigado pela morte de Matheus Helfstein, 20 anos, em um choque traseiro na Rodovia Presidente Dutra, na madrugada de 28 de setembro.

Segundo o relatório da investigação, a BMW 120i dirigida por Stetner trafegava muito acima do limite de 90 km/h no trecho urbano — com estimativa de aproximadamente 166,5 km/h nos segundos que antecederam o impacto.

Motorista da BMW estava a mais de 160 km/h
Foto: Jesse Nascimento (Vale 360 News)

Como a polícia calculou a velocidade

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Os investigadores cruzaram horários de câmeras e distâncias medidas no Google Maps para obter velocidades médias dos dois carros que aparecem no mesmo trajeto (viaduto do Vista Verde → ponto do acidente):

Trecho de 5.350 m (do início do viaduto até o local da colisão):

    • Honda Fit (vítima): 5.350 m / 263 s20,34 m/s, ou ~73,22 km/h.

    • BMW 120i (investigado): 5.350 m / 163 s32,82 m/s, ou ~118,15 km/h.

  • Trecho final de 740 m (segmento imediatamente anterior ao choque, somando 190 m + 550 m):

    • BMW 120i: 740 m / ~16 s46,25 m/s, ou ~166,5 km/h.

    • Conclusão do relatório: “era esta a velocidade, 166,5 km/h, (ou bem próximo a isso) no momento do impacto”.

Além dos cálculos, o inquérito descreve ausência de frenagem compatível com a dinâmica do choque traseiro.

“Dolo eventual”: o enquadramento penal buscado

Com a combinação de altíssima velocidade e suspeita de embriaguez, a Polícia Civil sustenta que houve homicídio com dolo eventual — quando o motorista assume o risco de produzir o resultado morte, afastando o enquadramento como culpa do Código de Trânsito.

O caso foi inicialmente registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, mas a investigação do 1º DP reclassificou a conduta e representou pela prisão, acatada pela vara do Tribunal do Júri.

O que diz o delegado (Assista abaixo)

Em entrevista ao Vale 360 News, o delegado Reinaldo Checa Júnior, titular do 1º DP, detalhou a mudança do rumo do caso e a decisão de pedir a prisão:

“No começo, era homicídio culposo. Mas, ao longo da investigação, reunimos imagens e outras provas de que o autor estava extremamente embriagado e em alta velocidade.”

“Conseguimos a comanda de consumo em um American Barquase R$ 2.500 em bebidas — e imagens dele no motel, saindo de madrugada. Três testemunhas protegidas confirmaram que ele mal conseguia dirigir.”

“Nosso setor de investigação fez os cálculos de ponto a ponto pelas câmeras. No impacto, a BMW estava a cerca de 160 km/h num lugar de 90 km/h. As provas são robustas quanto à embriaguez e à alta velocidade.”

“Ele se recusou ao teste de alcoolemia com a PRF e, segundo relato, cambaleava. O exame clínico saiu horas depois do acidente — por isso precisa ser conjugado com as demais evidências.”

Não tenho dúvida de que houve homicídio doloso (dolo eventual). Por isso representamos pela prisão temporária; há diligências pendentes e risco de interferência nas provas.”

O que aconteceu antes e depois do acidente, segundo a apuração

  • Madrugada: comanda aponta consumo de uísque e champanhe; duas mulheres confirmam, em depoimento, alteração e dificuldade de dirigir.

  • Motel: imagens mostram o investigado chegando e saindo; após discussão, ele parte sozinho.

  • Rodovia: câmeras captam a trajetória e os tempos que embasam os cálculos de velocidade.

  • Abordagem: ele não soprou o bafômetro (PRF autuou pela recusa). Testemunhas relatam que tentou chamar um aplicativo para sair do local, mas populares impediram.

  • Depoimento: convocado, apresentou atestado e não compareceu em um primeiro momento; agora, será ouvido sob custódia.

Prisão e próximos passos

Com a prisão temporária decretada, o 1º DP vai:

  • ouvir o investigado e novas testemunhas,

  • fechar laudos e perícias (vídeo, dinâmica, eventual análise complementar),

  • e remeter o relatório ao Ministério Público, que decidirá pela denúncia ao Tribunal do Júri na tese de dolo eventual.

A defesa de Heitor Rabelo Stetner contesta a investigação e afirma que “os fatos foram deturpados”. O delegado respondeu:

“O advogado tem o direito de defesa. O trabalho policial foi técnico e exaustivo. Um juiz decretou a prisão com base nos elementos dos autos.”

Quem era a vítima

Matheus Helfstein, 20 anos, estava em um Honda Fit (corrida por aplicativo) quando foi atingido por trás na Dutra e morreu no local. A investigação cita ausência de manobras capazes de evitar o choque diante da aproximação muito superior ao limite permitido.

O que diz a Defesa de Heitor

O advogado de Stetner, Cristiano Joukhadar, esteve na delegacia na manhã desta quarta-feira e falou com o Vale 360 News.

“A defesa entende que a prisão foi manifestamente ilegal, porque não estão presentes os requisitos para a prisão temporária, mesmo porque no dia dos fatos o investigado permaneceu no local, colaborou com as autoridades, foi espontaneamente na delegacia de polícia, se submeteu a exames clínicos, tendo sido comprovado que ele não estava em estado de embriaguez.

O caso foi registrado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e ele acabou sendo liberado. Infelizmente, a investigação acabou deturpando os fatos. E isso vai ficar demonstrado no decorrer do processo”, declarou Joukhadar.

O que dizem a família e o advogado de Matheus

A mãe Isabela Helfstein, o pai Ronnie Helfstein e o advogado Marcelo Galvão foram ouvidos também pelo Vale 360 News.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.