Mulher sequestrada pelo ex em Caçapava relata série de agressões, ameaças de morte e abuso sexual no período em que esteve em cárcere privado. O caso de cárcere privado veio à tona nos últimos dias devido a brutalidade e extensão da violência relatada pela mulher, de 30 anos. A vítima, designer de sobrancelhas e mãe de três meninas, foi mantida em poder do ex-namorado, de 26 anos, por cinco dias, passando por diversas cidades da região. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O depoimento dela, prestado à Polícia Civil, e ao qual o Vale 360 News teve acesso com exclusividade, revela momentos de desespero e violência extrema. “Ele me segurou como se fosse um mata-leão e disse que, se eu fizesse qualquer coisa, ele ia me matar”, relatou sobre o início do sequestro, que ocorreu na sexta-feira, 25 de julho, em Caçapava Velha.
Ao tentar deixar o ex na casa dele, ele assumiu o controle do carro e a levou contra sua vontade. “Na hora que chegou na rotatória, ele puxou o freio de mão e desligou o carro. Quando tentei sair, ele me jogou pro banco do passageiro e começou a dirigir.”
Linha do tempo da violência: de Caçapava a Aparecida, de acordo com a vítima
Sexta-feira (25/07) – Caçapava e São José dos Campos
- Sequestro à força em Caçapava Velha;
- Tentativa de fuga na Rodovia Dutra;
- Primeiras agressões físicas e ameaças em zona rural de São José dos Campos;
- Retorno à casa da vítima para buscar cerca de R$ 1.900 em espécie;
- Passagem por Nova Caçapava, onde ela tentou pedir ajuda em uma adega. “Gritei que ele ia me matar, mas ninguém me ajudou. Um homem me olhou e disse que não podia fazer nada por mim.” No local, estavam cerca de 15 homens, segundo o depoimento da vítima.
Sábado (26/07) – Caçapava, Pinda e Aparecida
- Visita a ponto de tráfico em Caçapava Velha para compra de entorpecentes;
- Primeiro pernoite em motel, em São José dos Campos. “Ele viu mensagens no meu celular, ficou transtornado e me bateu tanto que meu rosto inchou completamente.”
- Deslocamento para a estrada de Campos do Jordão, onde foi forçada a gravar um vídeo se humilhando. “Ele me mandou dizer na câmera que eu era um lixo, que tudo aquilo era minha culpa, e cuspiu na minha cara.”
Domingo a terça-feira (27 a 29/07) – Aparecida, Guará e Lorena
- Hospedagem em casa de aplicativo, no centro de Aparecida. “Ali ele começou a me abusar sexualmente. Disse que eu tinha que fazer o que ele mandava senão me mataria. Eu não conseguia abrir a boca de tanta pancada, mas ele me obrigou a fazer sexo oral.”
- “Ele me batia, depois abusava, depois chorava. Disse que queria casar comigo. Eu só pensava nas minhas filhas.”
- Controle total sobre a vítima: sem celular, sem contato externo e sob vigilância constante.
Quarta-feira (30/07) – Lorena, Tremembé e Taubaté
- O agressor compra mais entorpecentes e consome bebidas alcoólicas. “Ele cheirou quatro pinos e tomou mais de 12 cervejas. Estava completamente descontrolado.”
- Tentativas de fuga por rotas alternativas para evitar polícia;
- “A cada parada, ele colocava a mão debaixo do banco para conferir se a pistola ainda estava ali. Eu sabia que ele estava pensando em me matar.”
- Perseguição policial em Taubaté. “Pedi pra ele parar o carro, falei que me entregava, mas ele não queria. Disse que se fosse preso, ia me matar depois.”
Estupros, ameaças e tentativa de homicídio
A mulher descreve diversas tentativas de homicídio por asfixia e chave de braço. “Ele tentava sentar na minha cabeça, me prensava entre as pernas. Disse: ‘vou te matar aqui mesmo’. Eu só pedia para ele me deixar criar minhas filhas.”
Durante os abusos sexuais, a vítima foi obrigada a manter relações mesmo machucada. “Ele dizia: ‘faz do jeito que eu tô mandando ou vai ser pior pra você’. Eu obedecia pra sobreviver.”
Ela percebeu que, ao manter relações, ele ficava mais calmo. “A única forma que encontrei de apanhar menos foi fingir que estava tudo bem. Passei a tratar ele com frieza, como se tudo aquilo fosse normal.”
Arma de fogo e dinheiro subtraído
OI agressor levou da casa da vítima cerca de R$ 1.900 em dinheiro. A arma usada para ameaçá-la era uma pistola calibre .380, com numeração raspada e carregada com quatro munições. Foi apreendida no carro após a abordagem da PM.
“Ele me mostrou a arma e disse: ‘Se você tentar fugir, te dou um tiro na cabeça’. Eu vi a morte de perto várias vezes.”
Prisão em flagrante em Taubaté
A Polícia Militar localizou o veículo na região do Alto São Pedro. Ao notar a presença da viatura, ele tentou fugir, colidiu com a viatura e abandonou o carro. A mulher foi resgatada em estado de choque e com o rosto desfigurado pelas agressões, pela Rua Jacques Felix, centro de Taubaté. Ele foi preso após perseguição a pé.
O caso foi registrado como:
- Sequestro e cárcere privado (art. 148);
- Estupro (art. 213);
- Ameaça (art. 147, com pena dobrada por razão de gênero);
- Lesão corporal (art. 129, §13);
- Porte de arma de uso restrito com numeração suprimida (art. 16);
- Dano ao patrimônio público (art. 163);
- Violência doméstica (Lei 11.340/06).
A autoridade policial pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. O homem vai passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (31/07).
Perguntas e respostas sobre o caso
Quem é a vítima e o autor?
Mulher, de 30 anos, esteticista que foi mantida em cárcere privado por seu ex-companheiro, de 26.
Quantos dias ela ficou sob poder do agressor?
Cinco dias, entre 25 e 30 de julho de 2025.
Quais cidades foram percorridas?
Caçapava, São José dos Campos, Pindamonhangaba, Aparecida, Guaratinguetá, Lorena, Moreira César, Tremembé e Taubaté.
Quais crimes foram cometidos?
Sequestro, cárcere privado, estupro, lesão corporal, porte ilegal de arma, ameaça e violência doméstica.
A vítima teve acesso a socorro?
Sim. Ela foi localizada pela PM durante patrulhamento e está em recuperação.
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