Polícia investiga tentativa de feminicídio em São Luiz do Paraitinga após mulher ser atingida por 3 golpes de faca . A vítima, de 30 anos, foi golpeada dentro de uma residência no Centro da cidade, na madrugada desta terça-feira (29/09), e precisou de atendimento hospitalar. A Polícia Civil registrou o caso, em tese, como tentativa de feminicídio majorado e aponta o ex-marido da vítima, de 35 anos, como suspeito. Ele não havia sido localizado até a emissão do boletim. Segundo o relato da mulher, o ataque ocorreu na presença dos dois filhos do ex-casal, de 12 e 3 anos. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
A ocorrência chegou inicialmente à Polícia Militar como caso de violência doméstica com vítima ferida por faca. Quando os policiais chegaram ao imóvel, não encontraram a mulher nem o suspeito — o Samu já havia socorrido a vítima e a levado ao Hospital Regional de Taubaté.
Uma vizinha disse aos policiais que presenciou uma discussão e, depois, o momento em que o homem teria desferido os golpes de faca. A equipe também encontrou manchas aparentes de sangue dentro da residência, e a Polícia Técnico-Científica foi acionada para examinar o local.
Como ocorreu a tentativa de feminicídio em São Luiz do Paraitinga?
Segundo o relato da vítima à Polícia Civil, o ex-marido teria tentado entrar à força na residência, arrombando portas do imóvel, incluindo a do banheiro e a de entrada.
Ela contou que, ao notar alguém no quintal, chamou uma vizinha. Ao tentar deixar a casa, o ex-marido conseguiu entrar e começou o ataque, conforme a versão registrada.
A vítima disse ter recebido três golpes de faca — dois na região esquerda do abdômen e um no antebraço, além de ferimentos nos dedos. Ela relatou as lesões em depoimento por vídeo, prestado enquanto ainda estava internada no Hospital Regional de Taubaté.
Os filhos presenciaram o ataque?
Sim, segundo a vítima. Os dois filhos que ela tem com o ex-marido, de 12 e 3 anos, estavam presentes durante o ataque — um ponto que pesou na classificação inicial da autoridade policial.
O boletim registra o caso, em tese, como feminicídio majorado na modalidade tentada, citando a presença física de descendente da vítima como uma das circunstâncias. A Polícia Civil ressalva, no próprio documento, que essa classificação jurídica pode mudar conforme a investigação avançar.
Qual era a relação entre a vítima e o suspeito?
A mulher disse que manteve relacionamento com o suspeito e que os dois estão separados há cerca de quatro anos, com dois filhos em comum. Segundo o depoimento, ela mantém outro relacionamento há aproximadamente nove meses.
Ela atribuiu o ataque à suposta não aceitação do fim da relação pelo ex-marido e ao vínculo afetivo atual. É a versão apresentada por ela, que ainda faz parte da investigação — o suspeito não havia prestado depoimento no boletim analisado.
A vítima relatou ameaças anteriores do ex-marido
O boletim traz relatos de episódios anteriores, todos apresentados pela vítima. Segundo ela, numa outra ocasião o ex-marido teria ficado perto de sua casa e tentado entrar no imóvel com o objetivo de agredi-la e também atingir o atual namorado.
Ela também mencionou um episódio de agosto de 2026: ao voltar de um rodeio de moto com o namorado, o ex-marido teria tentado atingir os dois com um carro numa estrada. A mulher disse ainda ter recebido ameaças, incluindo a de que ele passaria com um veículo por cima dela.
O boletim não informa, neste trecho, se esses episódios geraram outros registros policiais ou medidas protetivas — por isso, a reportagem mantém esses fatos anteriores como declarações atribuídas à vítima.
O suspeito também teria cortado o cabelo da vítima
O relato da mulher cita outro ato durante o ataque: ela disse que o ex-marido tentou cortar seus cabelos e conseguiu arrancar uma mecha. Depois dos golpes, ele teria deixado a residência a pé, alcançado um carro e saído do local.
Quando a Polícia Militar chegou, ele já não estava no imóvel. As equipes fizeram diligências, mas não o localizaram até a apresentação da ocorrência no plantão policial — não houve prisão em flagrante.
A faca usada no ataque foi encontrada?
Não. Os policiais buscaram no imóvel e nas proximidades, mas não localizaram a arma branca usada no ataque. A residência ficou preservada para o trabalho da perícia, com um perito criminal e um fotógrafo da Polícia Técnico-Científica no local.
As manchas aparentes de sangue encontradas dentro do imóvel também devem passar por análise, o que pode ajudar a Polícia Civil a reconstruir a dinâmica do crime e confrontar os vestígios com os depoimentos.
Qual é o estado de saúde da mulher?
O boletim confirma que ela foi socorrida pelo Samu e levada ao Hospital Regional de Taubaté, onde ainda estava internada quando prestou depoimento por vídeo.
O registro não traz boletim médico detalhado, classificação clínica ou previsão de alta — por isso, não há base documental para indicar a gravidade exata do quadro além dos ferimentos que ela mesma descreveu: duas lesões na região esquerda do abdômen, uma no antebraço e ferimentos nos dedos.
Por que o caso foi registrado como tentativa de feminicídio?
A autoridade policial registrou o caso, em tese, como feminicídio majorado na modalidade tentada, citando o artigo 121-A do Código Penal e destacando, entre as circunstâncias analisadas, a presença dos filhos durante o ataque.
Essa tipificação inicial não representa condenação do suspeito — a Polícia Civil ainda precisa aprofundar a apuração sobre autoria, materialidade, dinâmica e circunstâncias do fato, e o próprio boletim ressalva que a classificação jurídica pode mudar conforme as diligências avançarem.
São Luiz do Paraitinga já registrou outro caso de violência doméstica com invasão de casa
Em outubro de 2025, o Vale 360 News noticiou um caso em que um homem invadiu a residência da ex-companheira, colocou fogo num eletrodoméstico e feriu a mulher com cacos de vidro, na mesma cidade — naquela ocorrência, houve prisão em flagrante. O caso desta terça tem pessoas, dinâmica e investigação próprias.
Em maio deste ano, o Vale 360 News também publicou uma tentativa de feminicídio em Taubaté após ataque com faca e objeto de madeira.
O que os registros regionais mostram sobre violência doméstica?
Casos de violência doméstica aparecem com frequência nos registros policiais de diferentes municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Em levantamento anterior, o Vale 360 News reuniu 10 casos de violência doméstica registrados em três dias na região, entre agressões físicas, ameaças e descumprimento de medidas protetivas.
Esse histórico não permite tirar uma tendência estatística de casos isolados, mas ajuda a dimensionar o peso do tema no dia a dia das forças de segurança.
Como pedir ajuda em caso de violência doméstica?
Em situação de risco imediato, a orientação é buscar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo 190. A Central de Atendimento à Mulher funciona pelo 180, para orientação, informações sobre direitos e encaminhamento de denúncias.
Familiares, vizinhos e pessoas próximas também podem comunicar situações de violência — no caso de São Luiz do Paraitinga, foi justamente uma vizinha que apareceu no boletim como testemunha e deu informações à polícia.
A vítima e as pessoas ao redor não devem confrontar um possível agressor quando há risco à integridade física — a prioridade é acionar as autoridades e buscar proteção.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


