Protesto contra assédio na Unesp em São José dos Campos marcou a tarde desta segunda-feira (04/05), na avenida Francisco José Longo, região central da cidade, e reuniu quase 200 estudantes que denunciaram casos de assédio e supostos estupros atribuídos a professor da instituição, além de cobrarem providências da direção do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp. O Vale 360 News acompanha o caso e reforça que as denúncias estão em apuração, com direito à defesa dos citados. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Protesto contra assédio na Unesp em São José dos Campos teve estudantes vestidos de preto
Os alunos se concentraram no início da tarde dentro da universidade e, depois, seguiram em caminhada por ruas da região central, como Prudente de Moraes, Adhemar de Barros e Francisco José Longo.
Vestidos de preto, os manifestantes levaram cartazes e entoaram palavras de ordem contra o machismo, a violência sexual e a permanência de professores denunciados no ambiente acadêmico. Entre as frases gritadas estavam “Assédio aqui não” e “Estuprador não pode ser professor”.
Além das denúncias, os estudantes questionaram a atuação da direção da universidade. Segundo os manifestantes, casos já teriam sido levados à instituição, mas sem medidas consideradas eficazes pelo grupo.
“O máximo que a direção faz são palestras. Um absurdo”, afirmou uma aluna durante o ato.
Estudantes cobram providências da direção da Unesp
O protesto contra assédio na Unesp em São José dos Campos teve como principal cobrança a adoção de medidas efetivas de acolhimento, apuração e responsabilização. Os estudantes afirmam que a resposta institucional precisa ir além de ações educativas e campanhas internas.
O ato contou com apoio de uma professora da instituição, representantes da OAB e da vereadora Amélia Naomi (PT). Segundo os estudantes, nenhum membro da diretoria participou da manifestação.
Denúncia de estudante de 21 anos motivou mobilização
Uma estudante de 21 anos afirma ter registrado boletim de ocorrência após denunciar estupro supostamente cometido por um professor em 2023. De acordo com o relato, o crime teria ocorrido após ela aceitar uma carona ao sair da faculdade. A jovem também afirma que passou a sofrer ameaças após o episódio.
Em publicação recente nas redes sociais, ela incentivou outras possíveis vítimas a relatarem situações semelhantes, independentemente do tempo em que teriam ocorrido.
Ex-aluna também relatou abuso e perseguição acadêmica
Outro depoimento que ganhou repercussão foi o de uma cirurgiã-dentista formada pela instituição. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirmou que o caso denunciado seria “a ponta do iceberg”.
Segundo o relato, a profissional teria sofrido abuso dentro de sala de aula e, depois, perseguição acadêmica. As falas ampliaram a mobilização dos alunos e levaram novos relatos a circular entre estudantes e ex-estudantes.
Posicionamento da universidade sobre o protesto contra assédio na Unesp em São José dos Campos
Em nota oficial, a direção do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp informou que acompanha as manifestações organizadas por estudantes e reiterou repúdio a qualquer forma de assédio.
A universidade afirmou que disponibiliza canais institucionais para acolhimento, orientação e encaminhamento de denúncias, com garantia de sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato. As denúncias podem ser formalizadas por meio da Ouvidoria Geral da Unesp, Ouvidoria Local e Direção da Unidade.
A direção também informou que, desde 30 de abril, foram abertos dois Processos de Apuração Preliminar para investigar episódios registrados na Ouvidoria. Segundo a instituição, todos os casos devidamente formalizados são apurados conforme normas institucionais e legislação vigente.
Nota
“Reiteramos, de forma enfática, nosso firme repúdio a qualquer forma de assédio e reafirmamos o compromisso permanente com a promoção de um espaço acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor para toda a comunidade.
“Solidarizamo-nos com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de desrespeito e abuso. Informamos que a Universidade dispõe de canais institucionais adequados para acolhimento, orientação e encaminhamento dessas ocorrências, garantindo tratamento com sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato.
Desde o último dia 30 de abril, a Direção do ICT já providenciou a abertura de dois Processos de Apuração Preliminar (PAD) para averiguação dos episódios que tiveram registro na Ouvidoria.
Ressaltamos que todos os casos devidamente registrados são apurados, em conformidade com as normas institucionais e a legislação vigente, com a adoção das providências cabíveis. No âmbito do acolhimento, a Universidade disponibiliza suporte por meio de seus programas institucionais e conta com equipes técnicas capacitadas para atendimento presencial.
No entanto, se não houver a formalização da denúncia, a Universidade não dispõe de meios para apurar institucionalmente os episódios narrados”
Destacamos, contudo, a importância de que esse momento seja conduzido com serenidade e respeito. A Universidade é, acima de tudo, um espaço de diálogo e formação cidadã. A Direção do ICT permanece à disposição para informações adicionais, reiterando seu compromisso com a integridade, o respeito mútuo e a convivência ética”, concluiu a universidade.
Unesp diz reconhecer direito à manifestação
A universidade ressaltou o direito à manifestação dos estudantes, mas destacou a importância do diálogo e da condução respeitosa das mobilizações. A direção afirmou ainda que permanece à disposição para informações adicionais e reiterou compromisso com integridade, respeito mútuo e convivência ética.
Protesto contra assédio na Unesp em São José dos Campos reacende debate sobre segurança no ambiente acadêmico
O protesto contra assédio na Unesp em São José dos Campos reacende a discussão sobre canais de denúncia, acolhimento de vítimas, proteção contra retaliações e medidas preventivas dentro de universidades.
Os estudantes defendem que a apuração seja transparente, célere e acompanhada de ações concretas para garantir um ambiente seguro. A direção da Unesp afirma que a formalização das denúncias é necessária para viabilizar a apuração institucional.
Casos de violência sexual e assédio já foram tema de outras reportagens
O Vale 360 News já publicou reportagens sobre casos de assédio e violência sexual em São José dos Campos, como o repúdio da AEITA a um jogo sobre o caso Epstein no ITA, a investigação sobre estupro em ponto de ônibus em São José dos Campos e a ocorrência de tentativa de estupro em hotel da cidade.

Perguntas frequentes
Onde aconteceu o protesto contra assédio na Unesp em São José dos Campos?
O ato ocorreu no campus da Unesp e em ruas da região central de São José dos Campos, incluindo a avenida Francisco José Longo.
Quantos estudantes participaram do protesto?
Cerca de 180 estudantes participaram da manifestação, segundo informações do ato.
O que os alunos reivindicam?
Os estudantes cobram apuração das denúncias, providências efetivas da direção da universidade e medidas de proteção contra assédio e violência sexual no ambiente acadêmico.
Quais denúncias motivaram a manifestação?
A mobilização ocorreu após relatos de assédio e supostos estupros atribuídos a professor da instituição. Uma estudante de 21 anos afirma ter registrado boletim de ocorrência por estupro supostamente ocorrido em 2023.
O que a Unesp disse sobre o caso?
A direção do Instituto de Ciência e Tecnologia informou que repudia qualquer forma de assédio, disponibiliza canais de denúncia e abriu dois Processos de Apuração Preliminar desde 30 de abril para averiguar episódios registrados na Ouvidoria.
A universidade reconheceu o direito à manifestação?
Sim. A Unesp afirmou reconhecer o direito legítimo de expressão e mobilização dos estudantes, mas pediu que os atos sejam conduzidos com diálogo, respeito e responsabilidade.
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