Após quatro semanas de paralisação, o Sindicato dos Servidores de Caçapava encerra greve na Fusama. A decisão aconteceu nesta terça-feira (02/12), mas os servidores decidiram manter estado permanente de mobilização pelo retorno do prato de comida garantido em acordo coletivo e retirado pela atual gestão municipal. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
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A decisão que suspende a greve foi tomada em assembleia na manhã desta terça-feira pelo Sindserv Caçapava e Jambeiro, sindicato que representa os cerca de 500 trabalhadores da fundação. A categoria afirma que a luta continua, agora centrada nos processos que tramitam na Justiça e na pressão política pelo restabelecimento das refeições dentro do hospital.
Em nota, o sindicato reforça que “a categoria segue firme pelo retorno do prato de comida, direito retirado pelo prefeito Yan Lopes (PODEMOS) e garantido em acordo coletivo”.
Para os trabalhadores, a suspensão da paralisação não significa recuo, mas mudança de tática, enquanto aguardam decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) e da Vara do Trabalho de Caçapava.
Sindicato dos Servidores de Caçapava encerra greve na Fusam, mas mantém mobilização permanente?
Segundo o Sindserv, a decisão de que a FUSAM Caçapava suspende greve foi motivada principalmente por dois fatores: o avanço das ações judiciais e o desgaste natural de mais de 30 dias de paralisação, com parte dos servidores sob ordem judicial para manter 75% do efetivo em atividade durante a greve.
Na prática, o atendimento nunca foi totalmente interrompido. Uma decisão da Justiça paulista já havia determinado que pelo menos 75% dos servidores permanecessem em serviço durante a paralisação, sob pena de multa diária, para garantir o funcionamento mínimo do único hospital público de Caçapava.
Nos últimos dias, o movimento na entrada do hospital perdeu força. A barraca montada pelo sindicato na frente da FUSAM reunia poucos trabalhadores, uma fração do quadro total de aproximadamente 500 servidores. Mesmo assim, a entidade avalia que a greve cumpriu o papel de expor o conflito sobre o prato de comida e pressionar o poder público.
Edivania Perpetua, Diretora do Sindserv, disse que o movimento grevista denunciou a “precariedade do hospital e que vem acontecendo há muitos anos”.
Entenda o conflito que levou à greve na FUSAM Caçapava
A greve começou em 3 de novembro, depois que a Prefeitura suspendeu as refeições servidas dentro da FUSAM, alegando “pagamento em duplicidade” de benefícios: além da comida no hospital, os servidores recebem vale-alimentação mensal de R$ 850, valor que a gestão municipal apresenta como um dos mais altos da região.
Para o sindicato, o prato de comida é um direito histórico, reafirmado em acordo coletivo de trabalho, e essencial para quem cumpre plantões longos e jornadas noturnas.
Já a Prefeitura e a direção da FUSAM afirmam que a manutenção simultânea das refeições e do vale-alimentação não tem respaldo em lei municipal nem previsão clara no texto do acordo, o que, segundo o jurídico do município, configuraria gasto irregular.
Em entrevista anterior, o prefeito Yan Lopes estimou que o fornecimento das refeições apenas na FUSAM poderia custar até R$ 3 milhões por ano aos cofres municipais e argumentou que a medida foi tomada com “pé no chão” para evitar problemas financeiros futuros para a cidade.
Durante a paralisação, a Justiça também interveio no ritmo da greve. Em decisão liminar, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que 75% dos servidores da FUSAM permanecessem em atividade, sob pena de multa diária, o que reduziu a presença no piquete e obrigou parte dos trabalhadores a se manterem nos postos de trabalho mesmo em meio ao conflito.
O tema já vinha sendo acompanhado em outras decisões e audiências. Em novembro, uma audiência de conciliação no TRT-15 discutiu a retomada provisória da refeição e a suspensão da greve, com participação do Ministério Público do Trabalho.
Essas etapas foram noticiadas em detalhes em reportagens anteriores do Vale 360 News sobre a proposta do TRT para retorno da refeição e suspensão da greve na FUSAM Caçapava e sobre a decisão sobre fim da greve na FUSAM, prevista para dezembro.
Como ficam os processos na Justiça após a Sindicato dos Servidores de Caçapava encerra greve na Fusam
1. TJ-SP: processo em análise pelo Ministério Público
No Tribunal de Justiça de São Paulo, segue em andamento um processo ligado à greve e às condições de funcionamento da FUSAM durante a paralisação. De acordo com o sindicato, o caso aguarda parecer do Ministério Público, etapa considerada decisiva para a definição de responsabilidades da Prefeitura e da fundação no conflito.
2. TRT-15: proposta aceita pelo sindicato, à espera de FUSAM e Prefeitura
No Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), o cenário é de expectativa. Em audiência realizada em Campinas, o TRT e o Ministério Público do Trabalho apresentaram uma proposta que prevê o restabelecimento das refeições no local de trabalho, a suspensão da greve e a continuidade das negociações com acompanhamento da Justiça.
O Sindserv afirma que já aceitou formalmente essa proposta. FUSAM e Prefeitura, porém, ainda não apresentaram resposta definitiva, e o prazo para manifestação termina em 05 de dezembro. Até lá, a categoria promete acompanhar de perto e manter a pressão pública.
3. Vara do Trabalho de Caçapava: Ação de Cumprimento em curso
Na Vara do Trabalho de Caçapava, tramita uma Ação de Cumprimento movida pelo sindicato. O objetivo é obrigar o município a cumprir o que a entidade entende estar previsto em acordo coletivo — incluindo o fornecimento das refeições aos servidores da FUSAM.
Segundo o Sindserv, a Prefeitura foi intimada e tem um prazo de 10 dias para se manifestar. A decisão que sair desse processo poderá impactar de forma direta o futuro do benefício do prato de comida e, por consequência, a possibilidade de novas paralisações.
Como fica a rotina da FUSAM depois que o Sindicato dos Servidores de Caçapava encerra greve na Fusam
Com a decisão de que a FUSAM Caçapava suspende greve, a expectativa é de normalização gradual da rotina assistencial no hospital, que atende não apenas moradores de Caçapava, mas também pacientes de cidades vizinhas. A volta dos grevistas ao trabalho está prevista para o período noturno desta terça-feira (02)
Os servidores retornam integralmente aos postos, mas seguem em “estado permanente de mobilização”, segundo o sindicato. Isso significa que novas assembleias podem ser convocadas a qualquer momento, especialmente após o dia 05 de dezembro, quando termina o prazo dado pelo TRT-15 para que a Prefeitura responda à proposta de restabelecimento das refeições.
Uma nova assembleia da categoria já está marcada para 08 de dezembro, data em que os trabalhadores devem avaliar o andamento dos processos judiciais, a posição da Prefeitura e os próximos passos da mobilização.
A também diretora do Suindicato, Lucilene Barbosa, agradeceu o apoio da população. Ela frisou que o movimento serviu para “conscientizar a população de que tudo o que falta aqui reflete nos atendimentos”. Ela lembra que no dia 08 de dezembro vai acontecer uma nova assembleia para decidir em conjunto o encaminhamento das ações.
Impacto político e financeiro do impasse na FUSAM Caçapava
O embate em torno da FUSAM extrapola os muros do hospital e já se transformou em tema central do debate político em Caçapava. Enquanto o sindicato acusa a gestão de retirar direitos e descumprir acordo coletivo, o prefeito afirma que a greve foi politizada e que a cidade não pode arcar com um custo adicional de R$ 3 milhões ao ano apenas com refeição de servidores.
Ao mesmo tempo, a FUSAM convive com histórico de dificuldades financeiras e dívidas, tema já tratado em outras reportagens do Vale 360 News, como a que questiona qual é a dívida real da FUSAM Caçapava. Nesse contexto, o prato de comida se tornou símbolo de algo maior: a disputa sobre prioridades na gestão da saúde pública e na relação com os servidores.
Perguntas frequentes: o que muda agora
O atendimento no hospital volta ao normal?
Todos os setores devem retomar progressivamente a rotina a partir da noite desta terça-feira (02). Durante a paralisação, uma decisão judicial já garantia a presença de pelo menos 75% dos servidores em atividade, o que evitou o fechamento total. Agora, a tendência é de normalização completa dos serviços, embora ainda possa haver reflexos do período de greve.
O prato de comida volta automaticamente com o fim da greve?
Não. A suspensão da greve não significa retorno imediato das refeições. Esse ponto depende diretamente das negociações em curso, da resposta da Prefeitura à proposta do TRT-15 e das decisões nas ações judiciais em andamento na Justiça do Trabalho e no TJ-SP.
Qual é o papel do TRT-15 no caso da FUSAM Caçapava?
O TRT-15 atua como mediador do conflito, propondo soluções intermediárias — como a retomada provisória da refeição e a suspensão da greve — e acompanhando as negociações entre sindicato, FUSAM e Prefeitura. A resposta do município à proposta apresentada pelo tribunal, com prazo até 05 de dezembro, é um dos pontos-chave para o desfecho do caso.
O que a Ação de Cumprimento pode mudar para os servidores?
A Ação de Cumprimento em tramitação na Vara do Trabalho de Caçapava busca obrigar o cumprimento do acordo coletivo da forma como o sindicato o interpreta. Se a Justiça reconhecer que o prato de comida está protegido por esse acordo, o município poderá ser obrigado a restabelecer as refeições, o que reforça a estratégia da categoria de manter a mobilização mesmo após a FUSAM Caçapava suspende greve.
Quando será a próxima assembleia dos servidores da FUSAM?
O Sindserv marcou nova assembleia para o dia 08 de dezembro. Nessa data, os trabalhadores devem avaliar o cenário jurídico, a resposta da Prefeitura ao TRT-15 e decidir se mantêm apenas a mobilização ou se retomam a greve em caso de impasse.
Como o morador de Caçapava é afetado por tudo isso?
Como a FUSAM é o único hospital público da cidade, qualquer conflito prolongado entre Prefeitura e servidores impacta diretamente quem depende do SUS. Ao mesmo tempo, as decisões sobre refeição e vale-alimentação também envolvem o uso de recursos públicos e a sustentabilidade financeira da instituição, o que torna o debate mais complexo do que uma simples disputa salarial.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

