Empresa de coleta de lixo de Jacareí avalia demitir 300 funcionários e fala em “perseguição” de diretor da Prefeitura

A Ambiental, empresa responsável pela coleta de lixo de Jacareí, afirmou que avalia demitir até 300 funcionários da frente de zeladoria. A companhia alega que glosas e multas aplicadas pela gestão municipal nos últimos meses — que, segundo a empresa, somam aproximadamente R$ 3 milhões — tornaram inviável a continuidade dos pagamentos e o cumprimento regular das obrigações contratuais. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

Paralisação dos trabalhadores da Ambiental não está descartada. Em nota, a Ambiental nega irregularidades e afirma ser alvo de “perseguição” do gestor do contrato, Paulo Henrique Domingues, diretor da Prefeitura. A empresa diz que vai apresentar recursos administrativos, pedir auditoria técnica independente das medições e não descarta medidas judiciais.

Desde o começo do ano, o Prefeito Celso Florêncio (PL) tenta costurar a melhor maneira de administrar a crise no setor. Nos últimos meses, a coleta foi normalizada e não houve problemas com a recolha de lixo, zeladoria urbana e pagamento dos trabalhadores.

Números e fatos principais

  • Valor apontado pela empresa: glosas e multas que totalizam aproximadamente R$ 3 milhões nos últimos meses.

  • Risco trabalhista/social: até 300 demissões na zeladoria urbana, afetando varrição, capina, roçada e manutenção de áreas públicas.

  • Operação atual: a coleta de lixo em Jacareí segue normalmente, segundo a empresa, enquanto avalia medidas para preservar a continuidade dos serviços essenciais.

  • Próximos passos: defesa administrativa, pedido de auditoria independente e possível judicialização do contrato.

O que diz a Ambiental

Principais alegações

  • Execução contratual: a Ambiental afirma que cumpre o contrato e que todos os serviços são mensurados e registrados conforme edital e termos vigentes.

  • Perseguição: a empresa relata “perseguição” do gestor do contrato, o diretor Paulo Henrique Domingues, o que teria distorcido medições e inflado penalidades.

  • Impacto financeiro: o montante de glosas e multas teria desequilibrado o contrato, levando à análise de desligamentos para manter a operação da coleta de lixo em Jacareí.

  • Providências: recursos administrativos, auditoria independente, eventual substituição do gestor do contrato e medidas judiciais não descartadas.

“Contestamos glosas e multas aplicadas de forma desproporcional. Defendemos auditoria técnica independente e seguimos abertos ao diálogo para reequilíbrio contratual”, diz a Ambiental em nota.

Nota da Ambiental

“A Concessionária Ambiental responsável pela execução dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos no município de Jacareí vem, por meio desta, notificar oficialmente a Prefeitura Municipal quanto à postura adotada pelo gestor de contrato, Sr. Paulo Henrique Domingues.

Infelizmente, temos observado uma conduta reiterada de desrespeito institucional, materializada por aplicações de multas mensais sem critérios técnicos claros, o que configura, em nossa avaliação, uma perseguição pessoal incompatível com os princípios da administração pública.

Tal postura tem tornado inviável a continuidade dos pagamentos e do cumprimento regular das obrigações contratuais, uma vez que o ambiente de fiscalização se transformou em um cenário de arbitrariedade. A atuação do gestor tem se assemelhado à de um comportamento autoritário, incompatível com a transparência e o equilíbrio exigidos por uma concessão pública.

É ainda motivo de preocupação o fato de o Sr. Paulo Henrique ser amplamente reconhecido como melhor amigo do ex-secretário Fuade Boaceff Filho, o que levanta dúvidas sobre a imparcialidade e lisura da gestão contratual dentro de uma administração que já enfrenta questionamentos públicos.

Reiteramos nosso compromisso com a excelência na prestação dos serviços contratados, com total transparência e respeito às cláusulas do contrato de concessão. No entanto, não podemos deixar de manifestar nossa preocupação com a falta de pagamento pela prefeitura para cumprir suas obrigações, que compromete o equilíbrio da parceria público-privada e prejudica o bom andamento das operações.

Solicitamos a Prefeitura que avalie com urgência a conduta do gestor responsável, a fim de preservar a integridade do contrato e garantir a continuidade dos serviços em benefício da população de Jacareí.

Atenciosamente,

Concessionária Ambiental Jacareí”

Empresa de coleta de lixo de Jacareí
Foto: Jesse Nascimento (Vale 360 News)

E o que diz a Prefeitura?

A Prefeitura de Jacareí, procurada pela reportagem, disse que até o momento não foi notificada pela Ambiental sobre demissões e que as multas possuem justificativa e embasamento técnico. Leia a Nota abaixo.

“A Prefeitura de Jacareí esclarece que, até o presente momento, não recebeu qualquer notificação oficial referente à demissão de funcionários por parte da Concessionária Ambiental.

Todas as multas aplicadas à empresa possuem justificativa e embasamento técnico, em conformidade com as cláusulas contratuais e com o interesse público. É importante ressaltar que, apesar da Concessionária Ambiental não estar acostumada, a atual Administração realiza uma fiscalização efetiva, justa e transparente, visando garantir a qualidade dos serviços prestados à população.

A Prefeitura reafirma seu compromisso com o cumprimento do contrato de concessão, sempre priorizando o interesse coletivo e a boa aplicação dos recursos públicos.”

O espaço segue aberto para manifestação do gestor do contrato citado pela empresa, o diretor Paulo Henrique Domingues.

O Vale 360 News tenta contato com ex-secretário Fuade Boaceff Filho, citado pela empresa na nota, porém até o momento não conseguimos. O espaço segue aberto para manifestações de Fuade e a matéria será atualizada caso haja uma posição das partes.

O que a reportagem solicitou à Prefeitura:

  1. Confirmação dos valores de glosas e multas e os respectivos períodos.

  2. Fundamentação técnica das penalidades (relatórios de medição, notificações, prazos e defesas).

  3. Posicionamento sobre a acusação de “perseguição” ao contrato de coleta de lixo em Jacareí.

  4. Planos de contingência para manutenção dos serviços em caso de demissões ou paralisações.

O que diz os Sindicatos

O Vale 360 News também procurou os Sindicatos da área, o dos Condutores do Vale do Paraíba e o dos

Entenda: glosa, multa e reequilíbrio contratual

Glosa

  • O que é: desconto aplicado sobre a fatura quando o poder público questiona execução ou qualidade do serviço.

  • Como ocorre: em regra, com base em medições e checklists previstos no contrato, podendo haver notificações e defesa da empresa.

Multa

  • O que é: sanção pecuniária por descumprimentos contratuais (atrasos, qualidade, não conformidades).

  • Efeito: além do pagamento, pode impactar pontuação e histórico da contratada.

Reequilíbrio econômico-financeiro

  • Quando cabe: em hipóteses de ônus extraordinário não previsto originalmente (mudança de escopo, custos imprevisíveis, decisões administrativas que afetem o equilíbrio).

  • Como se pede: via processo administrativo, com demonstração de planilhas, memórias de cálculo e documentos que provem o desequilíbrio.

Por que importa: na coleta de lixo em Jacareí, penalidades volumosas podem comprimir margens, afetar folha de pagamento e cadeia de fornecedores, com reflexos na qualidade do serviço.

Possíveis impactos na cidade

Trabalhadores

  • Até 300 desligamentos afetariam equipes de zeladoria urbana (varrição, capina, roçada, pintura de guias, pequenas manutenções).

  • Efeito colateral: aumento do tempo de resposta e do acúmulo de tarefas nos bairros.

Serviços e limpeza urbana

  • Sem plano de contingência, podem ocorrer intermitências em rotas de varrição e manutenção de praças.

  • A coleta de lixo domiciliar, segundo a empresa, segue mantida; contudo, equipes reduzidas podem pressionar a operação.

Financeiro e jurídico

  • Judicialização pode alongar prazos e congelar decisões, enquanto a cidade mantém a demanda diária por limpeza urbana.

  • Um eventual reequilíbrio poderia estabilizar o contrato, desde que auditoria e medições cheguem a consensos técnicos.

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Foto: Jesse Nascimento (Vale 360 News)

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