O feminicídio de Lívia Berthoud em Pindamonhangaba ganhou novos detalhes após a conclusão do primeiro boletim de ocorrência: a jovem de 23 anos já possuía medida protetiva contra o ex-namorado e, no apartamento dele, policiais encontraram o nome da vítima escrito com sangue no espelho do banheiro. Lívia foi morta a tiros na Rua São Sebastião, na região do Parque São Domingos, por volta das 9h desta segunda-feira (10/08). O ex, identificado no registro policial como Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, recebeu voz de prisão em flagrante e foi levado ao Pronto-Socorro após ferir a si próprio. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O boletim elaborado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Pindamonhangaba aponta ainda que familiares relataram ameaças de morte anteriores e disseram à polícia que o investigado não aceitava o fim do relacionamento. A Polícia Civil apreendeu um revólver calibre .38 com quatro munições deflagradas, celulares, uma carta manuscrita, o veículo do suspeito e outros objetos que agora fazem parte da investigação.
Lívia nasceu em 16 de janeiro de 2003 e tinha 23 anos. O registro policial informa que ela trabalhava como estagiária.
O que aconteceu no feminicídio de Lívia Berthoud em Pindamonhangaba?
Policiais militares receberam o chamado para uma ocorrência com disparos de arma de fogo na Rua São Sebastião. No local, encontraram Lívia caída na via, com o celular e fones de ouvido junto aos pertences.
Ela apresentava vários ferimentos compatíveis com tiros. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, foi acionado e constatou a morte.
Segundo o boletim, a perícia identificou cerca de três a quatro lesões provocadas por disparos. O corpo seguiu ao Instituto Médico Legal de Taubaté para exame necroscópico.
A primeira reportagem do Vale 360 News mostrou que Lívia havia deixado uma academia e foi seguida pelo ex por alguns metros antes dos disparos.
Naquele momento, a identidade da vítima ainda não constava das informações divulgadas. O boletim concluído pela DDM confirmou o nome de Lívia e acrescentou novos elementos sobre o histórico entre ela e o investigado.
Lívia Berthoud tinha medida protetiva contra o ex?
Sim. O boletim registra que Lívia já havia procurado a polícia por violência doméstica e possuía medida protetiva de urgência.
Familiares também informaram aos policiais que o ex-namorado já teria ameaçado a jovem de morte e não aceitava o encerramento do relacionamento.
A existência dessa proteção judicial passou a ocupar posição central na investigação. A própria autoridade policial determinou que o inquérito esclareça se o crime ocorreu em descumprimento das restrições impostas anteriormente pela Justiça.
Esse ponto pode ter efeito direto no eventual processo criminal. O artigo 121-A do Código Penal prevê pena de 20 a 40 anos para feminicídio. A legislação também prevê aumento de um terço até a metade quando o crime ocorre em descumprimento de determinadas medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Isso não significa que a causa de aumento já esteja automaticamente caracterizada no caso. A investigação terá de verificar quais ordens estavam vigentes, o conteúdo da decisão judicial e de que forma os fatos se relacionam com essas determinações.
O que a polícia sabe sobre as ameaças anteriores?
O primeiro BO do feminicídio cita relatos de familiares sobre ameaças de morte feitas antes do crime. O documento também confirma a existência de registro anterior de violência doméstica.
A investigação pode incorporar esse procedimento anterior, a decisão que concedeu a medida protetiva, eventuais mensagens e depoimentos de pessoas próximas a Lívia.
Esses elementos ajudam a reconstruir o histórico da relação e a verificar se houve perseguição, ameaça ou violação de ordem judicial antes dos disparos.
O que foi encontrado no apartamento do suspeito?
Depois da identificação do possível autor, policiais militares localizaram o endereço dele em um condomínio no bairro Bela Vista.
Um Chevrolet Prisma prata associado ao investigado estava estacionado em frente ao condomínio. Segundo o registro, o motor ainda estava quente, indício de uso recente. O veículo acabou apreendido para a investigação.
Os policiais fizeram um cerco ao apartamento após receber a informação de que o homem poderia estar armado. Do lado de fora, a equipe percebeu movimentação dentro do imóvel e passou a solicitar a abertura da porta.
O suspeito respondeu que a porta estava trancada e que não possuía a chave. Em seguida, os policiais conseguiram visualizá-lo por uma janela. Ele apresentava ferimentos e sangue pelo corpo.
A equipe conseguiu retirá-lo do apartamento. Segundo o BO, ele não ofereceu resistência.
Onde a polícia encontrou a arma atribuída ao crime?
Questionado pelos policiais, o suspeito indicou que a arma estava sobre o gabinete da pia do banheiro.
A equipe encontrou um revólver calibre .38 com quatro munições já deflagradas no tambor. A arma foi apreendida e deve passar pelos exames necessários para comparação com os vestígios do crime.
A Polícia Civil também requisitou exame residuográfico nas mãos do investigado. Esse tipo de exame busca vestígios que possam contribuir para a investigação sobre o uso de arma de fogo.
Os laudos da arma, do local do feminicídio, do apartamento e o exame necroscópico de Lívia devem integrar o inquérito.
O nome de Lívia foi escrito com sangue no espelho?
Sim. Esse é um dos elementos descritos pela autoridade policial no boletim de ocorrência.
No banheiro do apartamento, os policiais encontraram respingos de sangue e o nome de Lívia escrito com o dedo no espelho. O registro afirma que esse vestígio reforça, em tese, a ligação entre o investigado e os fatos sob apuração.
A perícia preservou e examinou o imóvel. O fato de o nome estar no espelho constitui um elemento da investigação, mas não substitui os demais exames necessários para a reconstrução do crime.
A Polícia Científica deverá reunir os vestígios do apartamento com as provas colhidas no ponto onde Lívia foi morta.
Quais outros objetos foram apreendidos pela Polícia Civil?
Além do revólver e do carro, a ocorrência registra a apreensão de dois telefones celulares, um deles de Lívia e o outro relacionado ao investigado.
A polícia também recolheu uma camisa, uma carta manuscrita de duas páginas com data de 12 de abril de 2026, uma cartela vazia de medicamento e pequenas porções de substância com aparência de maconha.
O boletim não transcreve o conteúdo da carta nem estabelece, nesta fase, relação entre cada um desses itens e a motivação do feminicídio.
Por isso, os objetos devem ser tratados como materiais apreendidos para análise, sem conclusão antecipada sobre o significado deles no caso.
Qual é o estado de saúde do ex-namorado de Lívia?
Após o crime, o investigado teria ido para o próprio apartamento e ferido a si mesmo com um disparo, conforme a narrativa policial.
Ele recebeu atendimento do Samu e foi levado ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba. No momento da elaboração do boletim, o homem estava intubado, sob escolta da Polícia Militar e sem condições clínicas para prestar depoimento. O documento não indicava previsão de alta.
A Polícia Civil solicitou ao hospital o prontuário e a ficha clínica para posterior inclusão no procedimento. Apesar da internação, a autoridade policial formalizou a prisão em flagrante. Os atos que dependem da participação do preso deverão ocorrer quando houver condições clínicas.
Por que o caso foi registrado como feminicídio?
A Delegacia de Defesa da Mulher classificou a morte como feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar.
A investigação aponta relação afetiva anterior entre vítima e suspeito, notícia de ameaças, fim do relacionamento e uma medida protetiva já concedida a Lívia.
Desde 2024, o feminicídio é crime autônomo no Código Penal. A pena prevista é de 20 a 40 anos de reclusão.
O enquadramento apresentado no boletim ainda pode receber ajustes jurídicos conforme os laudos, depoimentos e demais provas. Cabe ao Ministério Público avaliar posteriormente a acusação e ao Poder Judiciário decidir sobre eventual responsabilização.
O que a prisão em flagrante significa neste caso?
A autoridade policial entendeu que havia elementos suficientes para a prisão em flagrante do investigado.
O despacho cita os relatos dos policiais, a arma apreendida, as condições nas quais o suspeito foi localizado e os demais vestígios como fundamentos para a decisão inicial.
A prisão em flagrante não representa condenação. O investigado possui direito à defesa, e a responsabilidade criminal depende do processo judicial.
A DDM determinou ainda a comunicação ao Poder Judiciário, ao Ministério Público e à defesa, além da continuidade das diligências.
Que provas ainda faltam para a investigação?
A Polícia Civil aguarda o exame necroscópico de Lívia, os laudos dos locais periciados, a análise da arma, o resultado do exame residuográfico e a documentação médica do suspeito.
Também deve apurar com mais profundidade a dinâmica dos disparos, o histórico de violência doméstica e o eventual descumprimento da medida protetiva.
Celulares apreendidos podem conter elementos de interesse para o inquérito, desde que a análise siga as autorizações e procedimentos legais aplicáveis.
A carta manuscrita também poderá passar por análise dentro do contexto da investigação.
Há outros casos recentes de violência contra a mulher em Pindamonhangaba?
O crime contra Lívia ocorre em um cenário no qual outras ocorrências graves de violência doméstica já chegaram às autoridades no município.
Em maio, o Vale 360 News mostrou que um homem foi preso por tentativa de feminicídio em Pindamonhangaba após uma colisão intencional contra um muro, conforme o boletim daquele caso.
Em outra ocorrência, o portal publicou que um ex-companheiro foi ao trabalho da vítima, fez ameaças e acabou preso em flagrante em Pinda.
Também há registro anterior de um caso no qual uma mulher morreu após ataque do companheiro em Pindamonhangaba.
As ocorrências não possuem relação entre si. O histórico reforça, porém, a necessidade de resposta rápida a ameaças, perseguição e violações de medidas judiciais.
Como denunciar violência contra a mulher?
Em uma situação de risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.
A Central de Atendimento à Mulher, pelo Ligue 180, recebe denúncias e oferece orientação sobre direitos e serviços da rede de proteção.
Familiares, amigos, vizinhos e testemunhas também podem denunciar situações de violência. A vítima não precisa ser a pessoa que faz a comunicação.
Medidas protetivas podem estabelecer restrições de aproximação, contato e outras obrigações definidas pela Justiça conforme o risco identificado em cada caso.
O Vale 360 News acompanha a investigação do feminicídio de Lívia Berthoud e atualizará a reportagem após novos laudos ou decisões judiciais.

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Perguntas frequentes sobre o feminicídio de Lívia Berthoud em Pindamonhangaba
Quem era Lívia Berthoud?
Lívia Berthoud tinha 23 anos, trabalhava como estagiária e foi morta a tiros na manhã de 10 de agosto de 2026, em Pindamonhangaba.
Lívia tinha medida protetiva contra o ex?
Sim. O boletim de ocorrência informa que Lívia havia registrado violência doméstica e possuía medida protetiva de urgência contra o ex-namorado.
O nome de Lívia foi escrito com sangue no espelho?
Segundo o boletim, policiais encontraram respingos de sangue e o nome de Lívia escrito com o dedo no espelho do banheiro do apartamento do investigado.
O ex-namorado de Lívia foi preso?
Sim. A Polícia Civil formalizou a prisão em flagrante. No momento do registro, ele estava hospitalizado, intubado e sob escolta policial.
Qual é a pena prevista para feminicídio?
O Código Penal prevê pena de 20 a 40 anos de reclusão para feminicídio, com possibilidade de aumento em circunstâncias previstas em lei, entre elas determinadas hipóteses de descumprimento de medida protetiva.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


