Homem que matou fazendeiro em Lagoinha e estuprou a filha dele é condenado a 66 anos em júri popular

Homem que matou fazendeiro em Lagoinha e estuprou a filha dele é condenado em júri popular. O júri popular realizado nesta terça-feira (18/11), no Fórum de São Luiz do Paraitinga, condenou Edcarlos Oliveira Rocha a 66 anos, 2 meses e 16 dias de prisão, em regime inicial fechado, pela morte do ex-patrão e pelo estupro de uma menina de 11 anos. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

A sentença, proferida à noite, veio após um dia inteiro de julgamento, que começou por volta das 9h e se estendeu até cerca de 20h30, com interrogatório do réu, oitiva de uma vítima e de testemunhas.

Edcarlos foi condenado por:

  • homicídio qualificado (motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima);

  • sequestro e cárcere privado;

  • estupro de vulnerável.

Ele já estava preso preventivamente desde fevereiro de 2023, quando foi capturado em área de mata após uma grande operação policial na região de Lagoinha.

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Matou fazendeiro em Lagoinha e foi Condenado : 66 anos de prisão em regime fechado

Crimes reconhecidos pelo júri

De acordo com a sentença lida em plenário, o Conselho de Sentença reconheceu que Edcarlos:

  • matou o ex-patrão, fazendeiro Bento Gordiano, então com 75 anos, utilizando meio cruel e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima;

  • sequestrou e manteve em cárcere privado a esposa e a filha do fazendeiro;

  • estuprou a menina de 11 anos em uma área de mata nos fundos da fazenda.

O juiz somou as penas aplicadas a cada crime, chegando ao total de 66 anos, 2 meses e 16 dias de reclusão, em regime inicial fechado.

Manutenção da prisão

A prisão preventiva de Edcarlos, que já havia sido determinada em 2023, foi mantida. Ele segue preso e deverá cumprir a pena em unidade prisional do sistema penitenciário paulista.

Como foi o júri popular do homem que matou fazendeiro em Lagoinha

Julgamento remarcado para 18 de novembro

O júri desta terça-feira (18) havia sido originalmente marcado para 21 de outubro, mas foi adiado após um jurado declarar amizade com o filho de uma das vítimas, o que levou à dissolução do Conselho de Sentença e remarcação do julgamento para novembro.

No novo júri:

  • os trabalhos começaram por volta das 9h;

  • Edcarlos foi interrogado em plenário;

  • uma das vítimas e outras testemunhas foram ouvidas ao longo do dia;

  • a sessão se estendeu até a noite, quando o juiz leu a sentença de condenação.

Atuação da acusação e da defesa

No plenário, o Ministério Público sustentou a tese de que o réu:

  • atraiu a família para uma emboscada;

  • matou o fazendeiro em contexto de desentendimento por pagamentos;

  • manteve mãe e filha em situação de extremo terror;

  • cometeu violência sexual contra a menina, aproveitando-se da vulnerabilidade da vítima e de seu controle sobre a situação.

A defesa buscou atenuar a responsabilidade de Edcarlos, questionando pontos da dinâmica do crime e detalhes dos depoimentos. Ao final, porém, a tese acusatória foi acolhida pelos jurados.

O advogado assistente de acusação, Flávio Bonafé, entende que a Justiça foi feita de forma plena.

“Atuamos incansavelmente junto ao Ministério Público para garantir que cada detalhe dos fatos fosse apresentado e comprovado aos jurados. O resultado deste júri demonstra a força da prova e a seriedade do nosso sistema judicial.

Esta não é apenas uma vitória da acusação, mas um importante passo para trazer o mínimo de conforto e encerramento à família da vítima e reafirmar à sociedade que crimes graves não ficarão impunes. Acreditamos que a pena aplicada é a resposta necessária e proporcional à gravidade dos atos cometidos”, disse o advogado de acusação em nota.

Relembre o crime que chocou Lagoinha em 2023

Emboscada na fazenda

O crime aconteceu em 17 de fevereiro de 2023, em uma fazenda localizada em área rural e de difícil acesso em Lagoinha.

Segundo os relatos reunidos pela Polícia Militar na época, a ocorrência começou como um chamado de roubo à residência, com informação inicial de que haveria de quatro a cinco homens envolvidos.

De acordo com o depoimento da esposa do fazendeiro:

  • um funcionário disse a ela que o marido estaria machucado, deitado na casa do caseiro e precisando de ajuda;

  • ao chegar ao local, ela percebeu que se tratava de uma armadilha;

  • foi então amarrada, enforcada e amordaçada por Edcarlos, ex-funcionário da família;

  • enquanto isso, o fazendeiro foi atacado na área do curral e, depois, encontrado já sem vida, com ferimentos provocados por arma branca.

Sequestro e estupro da menina

Após imobilizar a mãe, o agressor voltou à casa principal, onde estava a filha do casal, de 11 anos.

Conforme os relatos da investigação:

  • a criança foi sequestrada e levada para uma área de mata nos fundos da propriedade;

  • lá, ela relatou ter sido abusada sexualmente;

  • quando tentou gritar por socorro, o agressor colocou uma faca em seu pescoço, segundo o depoimento da menina à polícia;

  • em um momento de descuido do criminoso, a menina conseguiu fugir e pedir ajuda.

A garota foi levada ao Pronto-Socorro infantil, onde ficou internada e recebeu atendimento médico e psicológico.

Corpo do fazendeiro e motivação do crime

O fazendeiro Bento Gordiano foi encontrado caído no curral. O SAMU foi acionado, mas apenas pôde constatar o óbito. A causa da morte foi atribuída às perfurações provocadas no corpo.

A esposa da vítima relatou à polícia que o crime estaria ligado a um desacordo sobre pagamentos entre o marido e Edcarlos, que trabalhava como prestador de serviços na propriedade.

Caçada policial e prisão de Edcarlos em área de mata

Operação de buscas

Após o crime, a Polícia Militar montou um grande cerco em Lagoinha e na região de São Luiz do Paraitinga, com equipes atuando em área de mata, estradas rurais e acessos à fazenda.

Durante a primeira noite de buscas, o suspeito não foi localizado, devido à dimensão da área de mata e à dificuldade de acesso.

Localização por trilheiros e cerco final

Cerca de uma semana depois, Edcarlos foi visto por motoqueiros que faziam trilha em uma região de carvoaria próxima à fazenda onde trabalhava. Eles reconheceram o suspeito e acionaram a polícia, que mantinha viaturas fazendo policiamento e cerco na região.

Com apoio de motos, as equipes conseguiram chegar ao ponto indicado, no meio da mata. Durante o cerco:

  • o agressor ainda tentou atacar o filho do fazendeiro com uma faca;

  • o filho reagiu com disparos de arma de fogo, atingindo o braço de Edcarlos;

  • em seguida, o acusado foi contido, algemado e preso pela Polícia Militar.

O SAMU prestou atendimento emergencial e o levou a um hospital em Taubaté. Depois, ele foi transferido para unidade prisional, onde permaneceu por força da prisão preventiva, agora convertida em pena definitiva após a condenação.

VÍDEO: Assassino e estuprador de Lagoinha queria receber 14 meses de salários e premeditou o crime, diz Polícia

Quem é Edcarlos Oliveira Rocha

Edcarlos Oliveira Rocha, hoje com cerca de 50 anos, é descrito nos registros policiais como egresso do sistema penitenciário, com passagens anteriores por furto e roubo.

No caso de Lagoinha, ele:

  • trabalhava ou havia trabalhado na fazenda da vítima;

  • era conhecido da família;

  • utilizou esse vínculo para atrair a esposa do fazendeiro à armadilha e, em seguida, atacar o patrão e a filha.

A condenação de 66 anos reforça o entendimento da Justiça de que se trata de um crime de altíssima gravidade, praticado com extrema violência contra toda a família.

Entenda os crimes pelos quais ele foi condenado

Homicídio qualificado

O homicídio foi considerado triplicamente qualificado:

  • motivo fútil – desentendimento por pagamentos, desproporcional à violência praticada;

  • meio cruel – forma de execução capaz de causar maior sofrimento;

  • recurso que impossibilitou a defesa da vítima – ataque em situação de surpresa, sem chance de reação efetiva do fazendeiro.

Sequestro e cárcere privado

A esposa e a filha do fazendeiro foram, em momentos distintos, submetidas a restrição de liberdade, por meio de amarração, ameaças e deslocamento forçado para a área de mata, caracterizando os crimes de sequestro e cárcere privado.

Estupro de vulnerável

Por se tratar de menina de 11 anos, a legislação enquadra o caso como estupro de vulnerável, crime previsto no Código Penal, que independe de consentimento ou de eventual resistência da vítima, já que a lei entende que menores de 14 anos não têm capacidade para consentir em atos de natureza sexual.

Orientações: canais de denúncia em casos de violência sexual e doméstica

Casos como o de Lagoinha reforçam a importância de denunciar sinais de violência sexual, violência doméstica e outras formas de agressão, especialmente contra crianças e adolescentes.

Canais disponíveis:

  • Disque 100 – canal nacional de direitos humanos, para denúncias de violência contra crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência e outros grupos vulneráveis;

  • Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher;

  • 190 – Polícia Militar – para situações de emergência em andamento;

  • Delegacias de Polícia e Delegacias de Defesa da Mulher, quando houver;

  • Conselhos Tutelares nos municípios, em casos de suspeita de violência contra menores.

Denúncias podem ser feitas de forma anônima, e qualquer pessoa que tenha conhecimento de violência contra criança ou adolescente tem o dever de comunicar às autoridades.

Perguntas frequentes

1. Quem foi condenado e por quais crimes?

O condenado é Edcarlos Oliveira Rocha, de cerca de 50 anos. Ele foi condenado por homicídio qualificado (motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima), sequestro e cárcere privado e estupro de vulnerável, pelos crimes cometidos contra o ex-patrão, a esposa e a filha do casal, de 11 anos, em Lagoinha.

2. Qual foi a pena aplicada?

A pena total fixada pelo juiz foi de 66 anos, 2 meses e 16 dias de prisão, em regime inicial fechado.

3. Onde o júri aconteceu e quanto tempo durou?

O júri foi realizado no Fórum de São Luiz do Paraitinga, cidade vizinha a Lagoinha. O julgamento começou por volta das 9h desta terça-feira (18) e terminou por volta das 20h30, com a leitura da sentença.

4. O crime aconteceu quando e onde?

O crime ocorreu em fevereiro de 2023, em uma fazenda na zona rural de Lagoinha, em área de mata e difícil acesso.

5. Quem foi a vítima do homicídio?

A vítima foi o fazendeiro Bento Gordiano, de 75 anos à época, ex-patrão de Edcarlos. Ele foi encontrado caído no curral da fazenda, já sem vida, com ferimentos provocados por arma branca.

6. O que aconteceu com a menina de 11 anos?

Ela foi sequestrada, levada para uma área de mata nos fundos da fazenda e relatou ter sido vítima de violência sexual. Em um momento de distração do agressor, conseguiu fugir e pedir ajuda. Foi atendida em Pronto-Socorro infantil e acompanhada por equipes médicas.

7. O que se sabe sobre a motivação do crime?

Segundo a esposa do fazendeiro e as investigações, o crime estaria relacionado a um desentendimento sobre pagamentos entre Bento e Edcarlos, que prestava serviços na propriedade.

8. Edcarlos já tinha antecedentes criminais?

Sim. Ele é descrito como egresso do sistema penitenciário, com passagens anteriores por furto e roubo.

9. Como foi a prisão do condenado?

Ele foi encontrado cerca de uma semana depois do crime por um grupo de motoqueiros que fazia trilha na região. A polícia foi acionada, montou um cerco na mata e o prendeu em uma carvoaria. Durante a abordagem, ele ainda tentou atacar o filho do fazendeiro com uma faca, mas foi contido após ser baleado no braço e levado ao hospital pelo SAMU.

10. A decisão ainda pode ser modificada?

Como em qualquer condenação criminal, a defesa pode recorrer da decisão às instâncias superiores. Até eventual reforma da sentença, contudo, Edcarlos segue preso, agora na condição de condenado em regime fechado.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.