Enfermeiro da Fusam, prestador de serviço, foi preso em flagrante com dezenas de medicamentos, materiais hospitalares e 31 receituários no estacionamento da instituição, no Centro de Caçapava, na manhã de quarta-feira (22/07). A Guarda Civil Municipal fez a abordagem após uma denúncia anônima, e a Polícia Civil formalizou a prisão por suspeita de peculato. Os medicamentos retornaram ao hospital, enquanto os documentos médicos permaneceram sob investigação por possível falsificação. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O Vale 360 News esclarece que a prisão em flagrante não representa condenação, e o profissional tem direito à defesa durante o inquérito e o processo judicial. O espaço também está aberto para esclarecimentos do enfermeiro, de 42 anos.
Como a GCM encontrou os medicamentos da FUSAM?
A diretoria assistencial da FUSAM recebeu uma denúncia anônima de que um enfermeiro guardava medicamentos do hospital em uma bolsa particular. A administração comunicou o caso à presidência da instituição e pediu apoio à Guarda Civil Municipal de Caçapava.
Os agentes acompanharam a movimentação e esperaram o fim do plantão. A abordagem ocorreu no estacionamento da FUSAM, por volta das 7h10. O histórico do boletim cita a abertura voluntária de uma mochila, enquanto outro depoimento menciona produtos localizados no veículo do profissional.
O enfermeiro colaborou com a equipe e não houve necessidade de algemas, de acordo com o relato de um dos guardas. Representantes do hospital participaram da conferência para verificar a origem dos materiais.
A diretora assistencial e uma farmacêutica reconheceram os produtos como itens do estoque da FUSAM. O boletim aponta que parte dos medicamentos tinha uso restrito ao ambiente hospitalar e que alguns exigiam controle específico.
Quais medicamentos foram encontrados com o enfermeiro da Fusam?
A Polícia Civil relacionou 31 registros de medicamentos. Alguns produtos aparecem mais de uma vez no auto. Após a soma dos registros repetidos, a relação alcança 54 unidades.
| Medicamento descrito no boletim | Quantidade |
|---|---|
| Norepinefrina 8 mg/4 ml Hipolabor | 3 ampolas |
| Tramadol cloridrato 100 mg/2 ml Hipolabor | 2 ampolas |
| Diclofenaco sódico 75 mg/3 ml | 1 ampola |
| Metrofarma 10 mg/2 ml | 4 ampolas |
| Escopolamina N-butilbrometo 20 mg/ml | 2 ampolas |
| Escopolamina 20 mg/ml Hypofarma | 1 ampola |
| Clindamicina fosfato 600 mg/4 ml Hipolabor | 2 ampolas |
| Ácido tranexâmico 250 mg/5 ml Blau | 4 ampolas |
| Hyclin 600 mg/4 ml | 1 ampola |
| Dipirona sódica 1.000 mg/2 ml Santisa | 5 ampolas |
| Prometazol 50 mg/2 ml | 2 ampolas |
| Furosemida 20 mg/2 ml Santisa | 1 ampola |
| Atenolol 25 mg Sandoz | 1 comprimido |
| Hidroclorotiazida 25 mg Medley | 1 comprimido |
| Fenitoína 250 mg/5 ml Teuto | 2 ampolas |
| Xylestesin 2% geleia, tubo de 30 g | 2 tubos |
| Ceftriaxona sódica 1 g ABL | 2 frascos-ampola |
| Meropenem 500 mg Blau | 2 frascos-ampola |
| Cefepima 1 g Eugia | 2 frascos-ampola |
| Tracox 25 mg | 4 comprimidos |
| Cloreto de potássio 19,1%, ampola de 10 ml Samtec | 4 ampolas |
| Ondansetrona 8 mg/4 ml Hypofarma | 5 ampolas |
| Dramin B6 DL, ampola de 10 ml | 1 ampola |
| Total | 54 unidades |
Os nomes comerciais, fabricantes e apresentações reproduzem a descrição do boletim. A lista não substitui uma conferência técnica dos lotes, das embalagens e das notas de aquisição da FUSAM.
Quais materiais hospitalares também foram apreendidos?
O auto também cita seringas, agulhas, cateteres do tipo Jelco, dispositivos do tipo scalp, tiras para teste de glicemia e lancetas. Esses materiais não entram na estimativa de valor dos medicamentos.
A polícia ainda apreendeu 31 documentos descritos como receitas com carimbos indevidos de médicos. Esses papéis permaneceram sujeitos a perícia e outras diligências.
Qual é o valor de mercado dos medicamentos apreendidos?
O valor proporcional das 54 unidades fica próximo de R$ 400 no mercado privado. Como parte dos produtos tem venda hospitalar em caixas fechadas, e não por unidade, uma faixa prudente situa o total entre R$ 250 e R$ 600.
A estimativa considera a divisão do preço das caixas pelo número de ampolas ou frascos, além de referências de distribuidores hospitalares e farmácias. O cálculo não inclui seringas, agulhas, cateteres, testes de glicemia, lancetas ou receituários.
Antibióticos injetáveis, como meropenem, cefepima e ceftriaxona, representam parte relevante do valor. Norepinefrina, ácido tranexâmico, clindamicina, ondansetrona e Xylestesin também elevam a soma.
O custo efetivo para a FUSAM pode ficar abaixo desse valor. Hospitais compram grandes quantidades por licitação, ata de registro de preços ou contratação direta, com preços unitários menores do que os encontrados no varejo.
Por esse motivo, a reportagem não apresenta a estimativa como prejuízo oficial. Apenas uma auditoria da FUSAM poderá definir o custo contábil, a origem de cada lote e o valor pago pela instituição.
Os medicamentos voltaram para a FUSAM?
Sim. A Polícia Civil apreendeu formalmente os produtos e, após os procedimentos legais, restituiu os medicamentos à FUSAM. Os documentos que exigem análise continuaram vinculados à investigação.
A devolução reduz o impacto imediato sobre o estoque, mas não encerra a necessidade de auditoria. A instituição poderá conferir lotes, datas de validade, setores de origem, registros de dispensação e eventuais diferenças no inventário.
Qual foi a versão apresentada pelo enfermeiro da Fusam?
O profissional confirmou que os medicamentos estavam sob sua posse. Ele afirmou que trabalhava como enfermeiro por meio de uma empresa prestadora de serviços à FUSAM e que mantinha os produtos na bolsa para uso eventual em situações de emergência.
De acordo com a declaração registrada, o enfermeiro alegou que existiam dificuldades burocráticas para repor materiais durante os plantões. Ele reconheceu que não fazia o registro adequado dos produtos e disse que não pretendia vender os medicamentos nem obter benefício particular.
O profissional também declarou que médicos deixavam receituários previamente carimbados para posterior preenchimento durante os plantões. Ele afirmou que, em regra, as assinaturas desses documentos não eram feitas pelos médicos.
Essa declaração será confrontada com os depoimentos dos profissionais citados, as escalas de serviço, os controles da farmácia, as imagens internas e os exames nos documentos. A versão apresentada pelo enfermeiro não encerra a apuração nem comprova a participação de outras pessoas.
Por que a Polícia Civil registrou suspeita de peculato?
O artigo 312 do Código Penal trata do peculato, crime que pode ocorrer quando uma pessoa vinculada à função pública se apropria ou desvia dinheiro, valor ou bem móvel que está sob sua posse por causa do trabalho.
No caso de Caçapava, a autoridade policial considerou, em análise inicial, que o enfermeiro prestava serviço a uma instituição municipal e estava com medicamentos do estoque hospitalar fora do ambiente de trabalho, sem autorização e sem o devido registro.
Os depoimentos dos guardas, da diretora assistencial, da farmacêutica e do próprio profissional serviram como base para a lavratura do auto de prisão em flagrante. A autoridade também considerou que a abordagem ocorreu logo após o fim do plantão.
A classificação policial ainda pode sofrer alteração. O Ministério Público e o Poder Judiciário analisarão se os fatos atendem aos requisitos legais do peculato ou de outro delito.
O enfermeiro foi autuado por falsificação de documento?
O boletim registra falsificação de documento público entre as naturezas da ocorrência, mas a autoridade policial determinou novas diligências sobre os receituários. A prisão em flagrante teve como fundamento principal a suspeita de peculato.
Exames poderão verificar carimbos, assinaturas, preenchimentos, datas e origem dos documentos. A polícia também poderá ouvir os médicos cujos dados aparecem nos papéis.
Por esse motivo, não é correto afirmar neste momento que os receituários são falsos ou que os médicos participaram de alguma irregularidade. A investigação deverá esclarecer a origem e o uso de cada documento.
Qual é o impacto do caso para os pacientes de Caçapava?
O controle de medicamentos hospitalares protege o paciente, o profissional e o orçamento público. Cada retirada precisa ter prescrição, identificação do setor, quantidade, lote e registro de uso. Esse processo permite saber qual paciente recebeu a substância e qual profissional fez a administração.
A ausência de registro prejudica a rastreabilidade, dificulta auditorias e pode esconder perdas no estoque. O risco cresce no caso de medicamentos controlados, antibióticos e substâncias destinadas a situações de emergência.
A relevância do caso aumenta diante do papel da FUSAM no atendimento regional. Um edital da saúde em Caçapava previu contrato de até R$ 30 milhões para a gestão do pronto atendimento, com estimativa de 11.450 pacientes por mês.
O hospital atende moradores de Caçapava e também recebe pacientes de Jambeiro. Por isso, falhas no controle de insumos podem atingir uma população regional e não apenas os usuários de um único bairro.
A discussão sobre recursos da instituição já apareceu no caso das emendas parlamentares destinadas à FUSAM e à saúde de Caçapava. O episódio atual reforça a importância de transparência, inventários periódicos e fiscalização dos materiais comprados com dinheiro público.
O portal também mostrou o relato de moradores que passaram horas à espera de atendimento na FUSAM. A preservação dos medicamentos e dos materiais de assistência tem efeito direto sobre a capacidade de resposta do hospital.
Quais serão os próximos passos da investigação?
A Polícia Civil deverá analisar os documentos, ouvir médicos e outros profissionais, solicitar imagens e comparar os itens apreendidos com os controles da farmácia hospitalar. A investigação também poderá verificar há quanto tempo os produtos estavam fora do estoque e se houve outras retiradas.
O enfermeiro deve passar por audiência de custódia, etapa na qual a Justiça avalia a legalidade da prisão e decide sobre a situação cautelar. Essa audiência não julga de forma definitiva a acusação.
A FUSAM poderá abrir procedimento interno para verificar protocolos, acessos à farmácia, prescrições e dispensações. A instituição também poderá revisar rotinas que permitam a retirada de produtos sem baixa no sistema.
O resultado dependerá das provas técnicas e documentais. Até decisão definitiva, deve prevalecer a presunção de inocência.
O que diz a Prefeitura de Caçapava
A Prefeitura de Caçapava se manifestou por meio de nota e disse que colabora com as investigações e que a diretoria da Fusam tão logo recebeu a denúncia, acionou a GCM. Leia a Nota
“A FUSAM tomou conhecimento da possível posse de medicamentos pertencentes ao hospital por um colaborador de empresa terceirizada e, diante da informação, comunicou imediatamente a Guarda Civil Municipal.
A GCM realizou a abordagem, sendo localizados medicamentos no interior do veículo utilizado pelo colaborador. O material foi apreendido e o caso foi encaminhado às autoridades competentes, permanecendo sob investigação policial.
A FUSAM está colaborando integralmente com as autoridades, disponibilizando todas as informações e documentos necessários para o esclarecimento dos fatos, e seguirá prestando todo o apoio necessário até a conclusão das investigações.”

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Perguntas frequentes sobre o enfermeiro da Fusam preso com medicamentos
Onde o enfermeiro foi abordado?
O enfermeiro foi abordado no estacionamento da FUSAM, no Centro de Caçapava, após o fim do plantão.
Quais materiais foram encontrados?
A polícia encontrou dezenas de medicamentos, seringas, agulhas, cateteres, testes de glicemia, lancetas e 31 receituários médicos.
Qual foi o crime usado para a prisão em flagrante?
A Polícia Civil formalizou a prisão em flagrante por suspeita de peculato, previsto no artigo 312 do Código Penal.
Os receituários já foram confirmados como falsos?
Não. Os receituários passarão por exames e diligências antes de uma conclusão sobre eventual falsificação.
Os medicamentos retornaram ao hospital?
Sim. Os medicamentos foram apreendidos e depois restituídos à FUSAM por meio de termo próprio.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

