Alertas do Cemaden para El Niño, que pode ficar muito forte entre setembro e outubro também no Vale do Paraíba

Os alertas do Cemaden para El Niño ganham importância no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira após o fenômeno alcançar intensidade forte neste mês de agosto e apresentar alta probabilidade de chegar à categoria muito forte entre setembro e outubro de 2026. Em resposta ao Vale 360 News, o pesquisador Giovanni Dolif explicou que o Sudeste pode alternar períodos secos e muito quentes com episódios de tempestades, o que exige preparação das prefeituras, Defesas Civis e moradores antes da ocorrência de eventos extremos. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

O principal ponto para o morador entender é que El Niño não representa uma previsão de desastre específico em determinada cidade. O fenômeno altera as probabilidades de chuva, seca e calor em diferentes partes do país. Por esse motivo, a prevenção depende do acompanhamento constante das condições meteorológicas e das vulnerabilidades de cada município.

O que o Cemaden prevê para o El Niño nos próximos meses?

Giovanni Dolif afirma que o fenômeno já alcançou intensidade forte neste mês e pode subir de categoria durante a primavera. O período entre setembro e outubro aparece como uma janela importante nas projeções atuais.

“O El Niño já está com intensidade forte a partir deste mês de agosto e as previsões indicam alta probabilidade de ele chegar a uma categoria muito forte, possivelmente entre setembro e outubro”, afirmou o pesquisador do Cemaden.

Segundo Dolif, a intensidade elevada pode permanecer durante o último trimestre do ano. Isso não significa que todos os municípios terão o mesmo tipo de impacto nem que um evento extremo ocorrerá em uma data específica.

O El Niño corresponde ao aquecimento anormal das águas superficiais de uma área do Oceano Pacífico Equatorial e influencia a circulação atmosférica em escala global. No Brasil, seus efeitos variam conforme a região e também dependem da atuação de frentes frias, corredores de umidade, sistemas de baixa pressão e outras condições atmosféricas.

Como o El Niño pode afetar o Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira?

O Sudeste não apresenta uma resposta única ao El Niño. A região pode passar por intervalos de calor e menor volume de chuva e, em outros momentos, enfrentar tempestades intensas.

“Em algumas regiões, como Sudeste e Centro-Oeste, pode ter uma alternância entre períodos secos e muito quentes e períodos com tempestades”, explicou Dolif.

Esse comportamento exige atenção especial no Vale do Paraíba, onde municípios possuem áreas urbanas sujeitas a alagamentos e regiões próximas a rios e córregos. Na Serra da Mantiqueira e no Litoral Norte, o relevo também amplia a preocupação com encostas em episódios de chuva intensa.

O Vale 360 News já mostrou que as cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte reforçam medidas preventivas para o El Niño de 2026 e 2027. A preparação regional leva em conta tanto períodos de estiagem e calor quanto chuva forte, enchentes e deslizamentos.

O El Niño pode provocar falta de chuva e tempestades na mesma região?

Sim. Um dos pontos destacados pelo Cemaden é justamente a possibilidade de alternância no Sudeste. Um município pode atravessar semanas mais secas e quentes e, depois, receber episódios concentrados de chuva.

Essa diferença de escala temporal também muda a forma de monitoramento. Eventos como enxurradas e deslizamentos exigem vigilância meteorológica contínua. A seca também integra o acompanhamento do Cemaden, mas possui evolução mais lenta e requer análises em períodos maiores.

Como o Cemaden envia os alertas para os municípios?

O Cemaden mantém monitoramento permanente dos eventos associados a extremos de chuva que podem resultar em inundações, enxurradas e movimentos de massa. O trabalho combina dados meteorológicos, hidrológicos e informações sobre áreas vulneráveis.

“O Cemaden faz esse monitoramento 24 horas, já há 15 anos e vai seguir com esse monitoramento”, afirmou Giovanni Dolif.

De acordo com o pesquisador, os alertas seguem para a estrutura de Defesa Civil e chegam às esferas estadual e municipal. A partir das informações técnicas e da avaliação local, cada Defesa Civil pode colocar em prática o respectivo plano de contingência.

Isso significa que o Cemaden produz informação técnica sobre risco, enquanto a resposta local depende dos órgãos de proteção e defesa civil, que conhecem as áreas vulneráveis, rotas de fuga, abrigos, equipes disponíveis e características de cada município.

Em junho, o Vale 360 News publicou que prefeitos e gestores do Vale do Paraíba e Litoral Norte participaram de uma reunião no Cemaden em São José dos Campos. O encontro tratou de prevenção, monitoramento, recursos hídricos e resposta regional a eventos extremos.

Quais são os quatro eixos para reduzir riscos de desastres?

Dolif cita uma orientação adotada no campo internacional de redução de riscos. Um sistema eficiente não depende apenas da emissão de um alerta. Ele precisa funcionar em quatro eixos complementares.

Por que conhecimento e pesquisa são importantes?

O primeiro eixo é o conhecimento. Pesquisas ajudam a identificar vulnerabilidades, entender o comportamento de chuvas intensas, secas e ondas de calor e aperfeiçoar modelos de previsão.

O segundo eixo é o monitoramento e a emissão de alertas. É nessa etapa que dados sobre chuva, rios, solo e condições atmosféricas ajudam os técnicos a avaliar a possibilidade de eventos com impacto sobre a população.

Por que capacitação e resposta também fazem parte da prevenção?

O terceiro eixo envolve capacitação e educação. Equipes municipais precisam conhecer os protocolos, enquanto moradores de áreas vulneráveis precisam saber o que fazer antes de uma emergência.

O quarto eixo corresponde à resposta e às medidas estruturais. Entram nesse grupo obras de drenagem, intervenções em áreas de risco e outras ações capazes de reduzir os efeitos de chuva excessiva.

A prevenção, portanto, começa muito antes da tempestade. Um alerta perde parte de sua eficiência quando o município não possui plano de contingência atualizado ou quando o morador não sabe para onde deve ir.

O que as prefeituras podem fazer antes de chuvas intensas?

Entre as medidas práticas citadas pelo pesquisador estão a limpeza de córregos, cursos d’água, bocas de lobo e redes de drenagem pluvial. A retirada de resíduos reduz obstruções que podem agravar alagamentos durante chuva forte.

As administrações municipais também podem revisar mapas de risco, rotas de saída, pontos de apoio e planos de contingência. Treinamentos com servidores, agentes de Defesa Civil e comunidades de áreas vulneráveis ajudam a reduzir o tempo de resposta.

Obras de drenagem e intervenções em locais com histórico de enchentes ou deslizamentos também fazem parte da prevenção de médio e longo prazo.

Em fevereiro, o Vale 360 News mostrou que seis cidades do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira apareceram com níveis de risco entre moderado e muito alto no painel do Cemaden. O episódio mostrou como as condições podem variar entre cidades e mudar conforme chuva, solo e níveis dos rios.

O que os municípios podem fazer em períodos de seca e calor?

A prevenção também precisa contemplar o cenário oposto ao excesso de chuva. Períodos prolongados de tempo seco podem afetar a disponibilidade de água, a agricultura, a vegetação e elevar o risco de incêndios.

Municípios podem acompanhar mananciais e reservatórios, revisar estratégias para abastecimento emergencial, reforçar campanhas contra queimadas e orientar a população sobre consumo racional de água durante episódios críticos.

Na região do Vale do Paraíba, o comportamento dos reservatórios merece atenção porque a bacia do Rio Paraíba do Sul atende cidades, atividades industriais, agricultura e outros setores econômicos. A ocorrência de El Niño, porém, não determina sozinha se haverá seca ou cheia. Outros fatores meteorológicos e hidrológicos precisam entrar na análise.

O que o morador deve fazer antes de um evento extremo?

Informação é uma das principais ferramentas de proteção. Para Giovanni Dolif, cada pessoa precisa conhecer a situação da área onde vive.

“A população tem que se informar sobre áreas de risco na cidade, se mora ou não numa área de risco”, afirmou.

Quem vive perto de encostas, rios, córregos ou áreas com histórico de alagamento deve saber como receber avisos oficiais e qual rota segura usar em caso de necessidade.

Também é importante saber onde ficam os pontos de apoio definidos pelo município e evitar esperar que a situação se torne crítica para sair de um imóvel sob risco.

A população também participa da prevenção quando não descarta lixo em ruas, córregos e bocas de lobo. Resíduos podem bloquear a drenagem e agravar alagamentos durante tempestades.

Por que o El Niño não significa que um desastre vai acontecer?

A previsão climática trabalha com probabilidades e tendências. Ela não define com meses de antecedência qual rua terá uma inundação ou qual encosta sofrerá um deslizamento.

O El Niño modifica padrões atmosféricos e pode aumentar a probabilidade de determinados extremos. A transformação desse risco climático em desastre depende de fatores locais, como ocupação de áreas vulneráveis, qualidade da drenagem, condição das encostas, intensidade da chuva e capacidade de resposta.

Essa diferença explica por que o alerta antecipado precisa estar associado a políticas públicas de prevenção. Quanto maior a preparação, menor tende a ser a exposição de pessoas e estruturas aos impactos.

O Vale do Paraíba, o Litoral Norte e a Serra da Mantiqueira possuem características geográficas distintas. Por isso, um mesmo sistema meteorológico pode produzir consequências diferentes entre municípios próximos.

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Perguntas frequentes sobre os alertas do Cemaden para El Niño

Qual é a intensidade do El Niño em agosto de 2026?

Segundo o pesquisador Giovanni Dolif, do Cemaden, o El Niño já apresenta intensidade forte neste mês de agosto.

Quando o El Niño pode chegar à categoria muito forte?

As previsões citadas pelo Cemaden apontam alta probabilidade de o fenômeno chegar à categoria muito forte entre setembro e outubro de 2026.

Quais riscos o El Niño pode trazer ao Vale do Paraíba?

O Vale do Paraíba pode ter alternância entre períodos secos e muito quentes e episódios de tempestades, com possíveis impactos sobre drenagem urbana, áreas de risco e recursos hídricos.

Como os alertas do Cemaden chegam aos municípios?

O Cemaden envia informações de risco para a estrutura de Defesa Civil, e os órgãos estaduais e municipais avaliam o cenário local e aplicam seus planos de contingência.

O que a população pode fazer para reduzir os riscos?

A população deve conhecer as áreas de risco, acompanhar avisos oficiais, saber quais rotas e locais seguros usar em uma emergência e evitar o descarte de lixo em ruas, córregos e sistemas de drenagem.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.