Uma mulher de 42 anos afirmou à Polícia Civil que atirou contra um homem de 57 anos após ele tentar forçá-la a manter relação sexual contra a vontade dela, na madrugada desta sexta-feira (25/09), no bairro Santa Rita, em Guaratinguetá. O homem, atingido no braço, negou a tentativa de estupro e declarou que a relação sexual foi consentida. A mulher foi autuada em flagrante por tentativa de homicídio, mas a própria autoridade policial registrou que a hipótese de legítima defesa não está descartada. O homem também foi indiciado, e a polícia apreendeu um revólver calibre .32 que, segundo ele, era de sua propriedade e não possuía registro. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O caso aconteceu por volta das 2h35, numa residência na Avenida Nossa Senhora de Fátima, no bairro Santa Rita. A Polícia Militar recebeu, a princípio, uma chamada sobre possível violência doméstica — relato de uma mulher discutindo e gritando dentro do imóvel.
O boletim registra tentativa de estupro, tentativa de homicídio e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. A investigação vai precisar esclarecer, sobretudo, o que aconteceu dentro da residência antes dos disparos, já que mulher e homem deram versões diferentes à polícia.
A falta de testemunhas presenciais e de imagens de câmeras que mostrem o fato também aparece no BO como obstáculo para uma conclusão imediata sobre a alegação de legítima defesa.
O que a mulher relatou sobre a tentativa de estupro em Guaratinguetá?
Segundo ela, o homem teria tentado forçá-la a manter relação sexual contra a vontade dela. Disse que se trancou num dos cômodos da casa e, depois, teve acesso à arma de fogo que pertencia a ele — e que efetuou disparos na direção dele, atingindo-o no braço.
É um dos pontos centrais da investigação, mas não aparece no BO como fato já comprovado. A Polícia Civil registrou que não havia, naquele momento, testemunhas presenciais, imagens de câmeras ou qualquer outro elemento independente capaz de esclarecer toda a dinâmica dentro da residência.
O que o homem disse à Polícia Civil?
Ele apresentou uma versão diferente. Como permaneceu hospitalizado durante a conclusão do boletim, não passou pelo interrogatório formal — policiais foram até a unidade de saúde e fizeram uma entrevista informal.
Segundo o registro, ele disse que conhecia a mulher e que os dois se encontraram num bar. Contou que a convidou para manter relação sexual e que ela teria aceitado, negando qualquer tentativa de abuso e afirmando que a relação foi consentida. Ele também disse que, em determinado momento, ela pegou seu revólver e atirou na direção dele, atingindo seu braço.
Como a Polícia Militar encontrou a mulher com o revólver?
Os policiais militares foram acionados pelo Copom e foram até o endereço. Segundo o BO, a residência tinha um muro baixo, e os agentes conseguiram ver, por uma janela, uma mulher com uma arma de fogo que aparentava ser um revólver.
Iniciaram uma negociação para que ela entregasse o armamento — e, depois do diálogo, ela o colocou à disposição dos agentes, que o apreenderam. Na sequência, o homem saiu pelo corredor lateral da residência com um ferimento no braço, aparentemente provocado por disparo de arma de fogo.
Qual arma foi apreendida pela polícia?
Um revólver calibre .32, da marca Castelo, com oito munições intactas e cinco estojos deflagrados. Também foram recolhidos um coldre de couro e um blister vazio de munições.
O homem disse à polícia que o revólver era dele e não tinha registro. O BO também registra exame residuográfico na mulher — segundo o perito, o resultado apontou resíduo de chumbo na mão esquerda dela.
O homem ficou ferido após os disparos?
Sim. Uma equipe do Samu o socorreu e levou ao pronto-socorro, com ferimento por disparo no braço e observação médica. Ele ficou hospitalizado sob escolta da Polícia Militar durante a elaboração do registro — não há, no documento, informação de que o ferimento tenha colocado sua vida em risco.
A Polícia Civil pediu a prisão preventiva da mulher?
Não. Apesar da prisão em flagrante, a autoridade policial registrou não ter identificado elementos concretos que demonstrassem risco à ordem pública, à instrução do processo ou à aplicação da lei penal.
Por isso, o delegado não representou pela prisão preventiva e pediu a aplicação de medidas cautelares. Ao fim do registro, a previsão era de encaminhamento da mulher à Cadeia Pública de Lorena, onde aguardaria audiência de custódia. A decisão sobre manutenção da prisão, liberdade e eventual reconhecimento de legítima defesa cabe ao Judiciário, conforme o caso avançar.
O homem também foi indiciado?
Sim. O boletim o trata como coindiciado — além da apuração da tentativa de estupro relatada pela mulher, existe a questão da arma: na entrevista informal no hospital, ele confirmou que o revólver usado nos disparos era dele e não tinha registro.
O BO também registra fiança criminal — após o pagamento do valor, ele seria liberado mediante compromisso e condições. Como ficou hospitalizado até a conclusão do registro, não passou por interrogatório formal nessa etapa.
Por que o caso exige cautela na atribuição de responsabilidades?
O boletim coloca os dois como autor e vítima em aspectos diferentes da ocorrência: ela aparece ligada à investigação da tentativa de homicídio, enquanto ele aparece na apuração da tentativa de estupro e da posse irregular da arma.
A Polícia Civil registrou expressamente que a legítima defesa não está descartada — por isso, o flagrante não representa conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal. A apuração ainda vai confrontar os depoimentos com os laudos periciais e os demais elementos reunidos.
O Vale 360 News já acompanhou outras ocorrências investigadas como tentativa de homicídio em Guaratinguetá, em que a análise de depoimentos e provas técnicas também teve papel central.
Como casos de violência sexual são investigados em Guaratinguetá?
Relatos desse tipo dependem da análise conjunta de depoimentos, exames periciais e demais provas capazes de confirmar ou afastar as versões apresentadas.
Em outro caso, sem relação com o desta sexta, o Vale 360 News mostrou uma investigação de violência sexual conduzida pela Delegacia da Mulher da cidade, com solicitação de exames para subsidiar a apuração.
No caso do Santa Rita, o BO não traz conclusão sobre a acusação de tentativa de estupro — registra a versão da mulher, a negativa do homem e as providências já tomadas pela autoridade policial.
Há outros casos recentes de tentativa de homicídio em Guaratinguetá?
Sim, sem relação conhecida entre eles. Em fevereiro, um jovem foi atingido por tiros no Jardim do Vale, também registrado como tentativa de homicídio. Em outro caso, de 2025, um homem foi atingido por oito tiros na Colônia do Piagui, com a Polícia Civil ainda buscando identificar o responsável.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


