Sobrevivente relata acidente com ônibus em Cruzeiro e morte da mãe: “Coisa de segundo”

Fábio Júnior, sobrevivente do acidente com o ônibus de romeiros que caiu em uma ribanceira na SP-52, em Cruzeiro, neste domingo (20/09), contou que estava acordado quando o veículo chegou a uma curva e saiu da pista. Ele perdeu a mãe, Ilza de Nazaré Pereira de Paula, de 64 anos, que organizava a romaria anual de Rosário, distrito de Itumirim (MG), para Aparecida. “É coisa de segundo”, disse Fábio ao relatar os momentos que antecederam o acidente que deixou seis mortos. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

O relato foi dado em entrevista ao vice-prefeito de Cruzeiro, Zé Rogério, logo depois do acidente. Fábio contou que a excursão reunia principalmente pessoas da mesma família e que a viagem já era tradição do grupo havia anos.

Segundo ele, a romaria saiu de Rosário, na zona rural de Itumirim, rumo a Aparecida, com uma última parada no alto da Serra da Mantiqueira antes de iniciar a descida em direção a Cruzeiro.

O acidente ocorreu por volta das 5h15 na Rodovia Doutor Avelino Júnior, a SP-52. O ônibus transportava romeiros de Minas Gerais para Aparecida quando saiu da pista e caiu na ribanceira.

O que o sobrevivente contou sobre o acidente em Cruzeiro?

Fábio disse que estava acordado no momento do acidente e que tudo se passou muito rápido durante a descida da serra.

“É coisa de segundo, foi fazer uma curva e ele não conseguiu”, relatou. Ele também destacou que não havia outro veículo na rodovia naquele instante: “Graças a Deus, não veio nenhum carro, nem caminhão, senão seria pior ainda.”

É o relato de um passageiro sobre o que viveu dentro do ônibus — a dinâmica e as causas do acidente continuam sob investigação da Polícia Civil.

Quem era a mãe de Fábio Júnior, morta no acidente?

Ilza de Nazaré Pereira de Paula tinha 64 anos e, segundo o filho, organizava a romaria havia anos, dentro de uma tradição religiosa mantida por ela e pelo grupo. “Minha mãe, que é a organizadora da romaria, veio a óbito”, disse Fábio.

Ilza chegou a receber atendimento depois do acidente, mas não resistiu — é a sexta vítima confirmada, já que as outras cinco morreram no local. Sua identificação pelo próprio filho trouxe o primeiro nome ao balanço de vítimas, que durante boa parte do domingo permaneceu sem divulgação oficial.

Há quanto tempo o grupo fazia a romaria para Aparecida?

Era uma tradição anual, segundo Fábio — os integrantes do grupo são devotos e repetiam a viagem todos os anos, com uma única pausa durante a pandemia de Covid-19, por causa das restrições a aglomerações. Depois desse período, retomaram as romarias, e o destino deste domingo era, mais uma vez, Aparecida.

A origem exata da excursão já havia sido apurada pelo Vale 360 News: a romaria saiu de Rosário do Rio Grande, distrito rural de Itumirim, município próximo a Lavras, em Minas Gerais.

Onde o ônibus fez a última parada antes do acidente?

Segundo Fábio, o grupo parou no alto da serra para tomar café antes de seguir viagem e começar a descida da Serra da Mantiqueira — foi durante essa descida que o acidente aconteceu, na região da imagem de Nossa Senhora, na serra.

A queda ocorreu na SP-52, rodovia que liga Cruzeiro à divisa entre São Paulo e Minas Gerais e serve como uma das rotas entre o Sul de Minas e o Vale do Paraíba.

A maioria dos passageiros era da mesma família?

Sim, segundo Fábio. “A maioria, 90%, é família”, disse, explicando que Rosário é uma comunidade pequena, onde todos se conhecem — apenas uma das vítimas, segundo ele, era de uma cidade vizinha.

Esse detalhe amplia o impacto do acidente sobre a comunidade de origem, com vários parentes de uma mesma família a bordo do ônibus, e ajuda a explicar a mobilização de familiares que deixaram Minas Gerais rumo ao Vale do Paraíba assim que souberam da queda.

O que Fábio disse após sobreviver à queda do ônibus?

Ao falar dos demais passageiros, resumiu a dimensão do que viveram numa frase: “Praticamente o resto da turma nasceu de novo.” O relato veio poucas horas depois da queda e já com a morte da mãe confirmada.

Fábio também disse, durante a entrevista, que ainda não tinha informações completas sobre todas as vítimas — os dados sobre as demais mortes seguem dependendo da confirmação das autoridades.

Quantas pessoas morreram no acidente da SP-52?

Seis, até a noite deste domingo: cinco no local, e Ilza de Nazaré Pereira de Paula depois de receber atendimento médico. O balanço chegou a seis mortos após a morte de uma vítima que estava em estado grave.

O Corpo de Bombeiros informou depois que havia 48 ocupantes no ônibus, com os sobreviventes distribuídos entre unidades de saúde de Cruzeiro, Lorena e Guaratinguetá — o próprio Zé Rogério confirmou, na conversa com Fábio, que havia passageiros internados nas três cidades.

Que assistência Cruzeiro ofereceu aos sobreviventes e familiares?

Segundo o vice-prefeito, a Prefeitura de Cruzeiro colocou a estrutura municipal à disposição dos passageiros e dos parentes que vinham de Minas Gerais, com apoio da Santa Casa e da Assistência Social — e o município se preparava para acolher os familiares que chegassem de Itumirim.

A mobilização começou já nas primeiras horas após o acidente, com equipes de resgate de diferentes cidades atuando na SP-52 e hospitais de Cruzeiro, Lorena e Guaratinguetá recebendo vítimas.

O que a investigação já descobriu sobre o ônibus?

Desde o resgate, a apuração avançou sobre o estado do veículo e as circunstâncias da queda. A Polícia Militar Rodoviária informou que o ônibus não tinha autorização da ANTT para o transporte interestadual, e mais tarde o motorista foi preso em flagrante por homicídio culposo na direção de veículo automotor, com aumento de pena por se tratar de transporte profissional de passageiros.

A Polícia Civil também apontou um pneu em condição inadequada e o cronotacógrafo vencido, sem selo do Inmetro — o teste do etilômetro no motorista deu negativo. Ele, por sua vez, disse ter tido dificuldade para reduzir a velocidade antes da curva e negou que o ônibus estivesse em mau estado de conservação.

A investigação ainda precisa estabelecer o que de fato contribuiu para a saída da pista — o relato do sobrevivente conta o que ele viveu ali dentro, mas não substitui a conclusão técnica sobre a causa do acidente.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.