Ônibus que caiu em ribanceira em Cruzeiro não tinha autorização da ANTT, diz Polícia Rodoviária

O ônibus de romeiros que caiu em uma ribanceira na SP-52, em Cruzeiro, e deixou seis mortos neste domingo (20/09), não tinha autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para o transporte interestadual, segundo a Polícia Militar Rodoviária. O grupo saiu de Minas Gerais com destino a Aparecida. Entre as vítimas fatais estão uma criança de aproximadamente 10 anos, três homens e duas mulheres. A situação documental do veículo e do motorista faz parte da investigação. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

A ausência de autorização foi apontada após consulta à base da ANTT. O tenente Vinícius de Souza Rocha, comandante de pelotão da Polícia Militar Rodoviária, informou que o transporte interestadual de passageiros exige regularização perante o órgão federal e que a documentação será verificada na investigação.

O acidente ocorreu na Rodovia Doutor Avelino Júnior (SP-52), que liga Cruzeiro à região de Passa Quatro (MG), bem na divisa entre os dois estados.

A apuração do Vale 360 News identificou que a romaria saiu do distrito de Rosário do Rio Grande, na zona rural de Itumirim (MG) — o Corpo de Bombeiros havia informado, inicialmente, a região de Lavras como origem da viagem.

O que a Polícia Rodoviária informou sobre a autorização da ANTT?

Segundo a corporação, a regularidade documental do transporte será uma das frentes da apuração assim que a etapa de resgate e atendimento às vítimas terminar. O tenente Vinícius de Souza Rocha explicou que a fiscalização vai analisar os documentos do motorista, do veículo e os requisitos exigidos para operar transporte interestadual.

Uma consulta à base da ANTT apontou que o ônibus não tinha o cadastro necessário para esse tipo de operação. A agência regulamenta e fiscaliza o transporte rodoviário coletivo interestadual — no caso de fretamento, a transportadora precisa de habilitação específica e manter veículos e motoristas cadastrados, além de emitir uma Licença de Viagem que reúna origem, destino, itinerário e relação de passageiros.

O que a falta de autorização da ANTT significa?

Aponta para uma possível irregularidade administrativa na viagem entre Minas Gerais e São Paulo. As regras da agência exigem que empresas de fretamento interestadual tenham o Termo de Autorização para Fretamento (TAF), documento que comprova a habilitação para o serviço — os veículos usados também precisam constar na frota cadastrada, e cada viagem exige sua própria Licença de Viagem e relação de passageiros.

Vale separar as duas coisas: a irregularidade documental é uma apuração distinta da causa do acidente. Por que o ônibus saiu da pista e caiu na ribanceira ainda precisa ser esclarecido.

A falta de autorização da ANTT causou o acidente?

Não há nada que estabeleça essa relação. Regularidade administrativa e causa do acidente são questões separadas — a segunda depende da análise das condições do veículo, da rodovia, da condução e de outros elementos que as autoridades ainda vão reunir.

Até esta atualização, não havia conclusão oficial sobre o que provocou a saída do ônibus da pista, nem confirmação de falha mecânica, velocidade ou qualquer outro fator. A Polícia Rodoviária vai analisar a documentação enquanto a investigação técnica busca entender a dinâmica do acidente.

Quem são as seis vítimas fatais do acidente em Cruzeiro?

Cinco morreram no local e uma sexta durante atendimento no Pronto-Socorro de Cruzeiro. Os nomes ainda não foram divulgados oficialmente, mas já há identificação parcial por idade, sexo e cidade de origem:

  • um homem de 47 anos, natural de Lavras (MG)
  • um homem de 74 anos, natural de Itumirim (MG)
  • um homem de aproximadamente 50 anos, ainda sem identificação e sem documentos
  • uma mulher de 63 anos, natural de Itumirim (MG)
  • uma criança de aproximadamente 10 anos, ainda sem identificação e sem documentos
  • uma mulher, sem idade informada e ainda sem identificação, que morreu no Pronto-Socorro de Cruzeiro

O Corpo de Bombeiros disse que não divulgaria os nomes naquele momento — a confirmação das identidades depende dos procedimentos oficiais e da comunicação às famílias.

Quantas vítimas foram contabilizadas no acidente?

Perto do meio-dia, o Corpo de Bombeiros contabilizava 41 vítimas: oito atendidas pelo próprio Resgate, 25 pelo SAMU e três por equipes da CCR, além de cinco mortes constatadas no local. Uma das duas vítimas em estado grave morreu depois no Pronto-Socorro, elevando o total de mortos para seis — os demais feridos foram classificados, naquele momento, com lesões moderadas.

Havia 48 passageiros no ônibus?

O número exato ainda dependia da conferência da lista de passageiros. Os Bombeiros esclareceram que o ônibus tinha capacidade para 48 pessoas, mas contabilizavam 41 vítimas até aquele momento — capacidade máxima e ocupação real no momento do acidente não são a mesma coisa, e essa lista também interessa à apuração sobre a regularidade da viagem, já que a ANTT exige relação oficial de passageiros para operações de fretamento interestadual.

De onde saiu o ônibus e qual era o destino da romaria?

O grupo partiu de Minas Gerais rumo a Aparecida. O Corpo de Bombeiros informou inicialmente a região de Lavras como ponto de origem, mas a apuração do Vale 360 News situa a partida em Rosário do Rio Grande, distrito rural de Itumirim — de onde a romaria seguiu pela SP-52, uma das ligações entre o Sul de Minas e o Vale do Paraíba, até o acidente.

O Vale 360 News já mostrou o fluxo de veículos e romeiros nas estradas de acesso a Aparecida, especialmente nos períodos de maior movimento religioso.

Qual é a empresa responsável pelo ônibus?

Ainda não confirmada pela apuração do Vale 360 News — por isso a reportagem não publica nenhuma identificação empresarial neste momento. A análise documental da Polícia Rodoviária deve esclarecer a propriedade do veículo, a responsabilidade pela operação e a situação do transporte perante os órgãos competentes, além da documentação do motorista.

Autorização da ANTT
Foto: Bombeiros

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.