Inteligência artificial e robôs podem a mudar bares e restaurantes de São José dos Campos e região

A inteligência artificial começa a ocupar espaço em bares e restaurantes de São José dos Campos com ferramentas para delivery, controle de estoque, cálculo de custos, análise do perfil dos clientes e personalização de pedidos. O presidente do Sinhores de São José dos Campos e região, Ricardo Sampaio, afirma que a tecnologia já oferece soluções específicas para o setor e que robôs capazes de preparar bebidas, transportar pedidos e auxiliar cozinhas também avançam no mercado. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

Sampaio falou sobre o assunto em entrevista ao Vale 360 News sobre as transformações no mercado de alimentação fora do lar. O dirigente participou de eventos do setor no Brasil e também da NRA Show, feira internacional realizada em Chicago, nos Estados Unidos, onde relata ter visto equipamentos automatizados para diferentes etapas da operação de bares e restaurantes.

Como a inteligência artificial ajuda os bares e restaurantes de São José dos Campos e região?

Uma das aplicações que Sampaio cita está no relacionamento com clientes de delivery — sistemas capazes de armazenar histórico de compras e identificar preferências.

Com esses dados, a ferramenta pode sugerir de novo um produto que o consumidor costuma pedir, ou identificar quem deixou de comprar. Na prática, o estabelecimento passa a tratar cada cliente de forma diferente, conforme seus próprios hábitos — uma pizzaria pode registrar preferência por determinado sabor ou ingrediente, um restaurante pode guardar quais pratos são escolhidos com mais frequência, e esse histórico ajuda tanto em campanhas quanto no atendimento direto.

A IA pode controlar o estoque de um restaurante?

Sim, segundo Sampaio — o estoque é outra área onde a tecnologia ganha espaço. O controle de entrada e saída de ingredientes pesa diretamente nos custos e na margem do negócio, e ferramentas digitais já ajudam a organizar compra, consumo e disponibilidade de produtos para o gestor acompanhar tudo com mais precisão.

O tema já entrou na pauta de qualificação do setor: o Vale 360 News mostrou que o Sinhores ofereceu cursos sobre gestão de estoque, liderança e planejamento para hotéis, bares e restaurantes da região.

O que é CMV e como a inteligência artificial pode ajudar?

CMV é a sigla para Custo da Mercadoria Vendida — o indicador que mostra quanto custa, de fato, o que o empresário vende. Num restaurante, entram nessa conta os ingredientes usados em cada prato, e sem controle adequado o estabelecimento pode vender bastante e ainda assim ter dificuldade para fechar margem.

Para Sampaio, o cálculo do CMV é um dos gargalos da gestão de bares e restaurantes — e as novas ferramentas podem facilitar bastante esse acompanhamento.

Robôs já conseguem preparar bebidas?

Segundo Sampaio, sim. Na visita à NRA Show, em Chicago, ele viu robôs baristas e bartenders executando tarefas padronizadas — um equipamento recebe a escolha da bebida e usa doses programadas para prepará-la. Ele também cita braços automatizados fazendo fritura e outros processos de cozinha.

Isso não é ainda a realidade da maioria dos estabelecimentos do Vale do Paraíba — o relato mostra tecnologias já disponíveis no mercado internacional, que devem ganhar espaço por aqui conforme custo, necessidade e escala de cada negócio permitirem.

Robôs vão substituir garçons e cozinheiros?

Sampaio enxerga uma relação direta entre a automação e a dificuldade de contratar mão de obra:

“A tecnologia anda em paralelo com o que está faltando. A mão de obra está escassa, mas estão chegando soluções que vão substituir algumas tarefas aos poucos. Hoje já tem robô que leva o pedido para a mesa, robô barista, bartender e braços articulados que fazem fritura.”

Restaurantes já usam equipamentos para tarefas repetitivas, e robôs de transporte de pratos dentro do salão já estão em implementação em boa parte do mundo. Ainda assim, atendimento, hospitalidade e relacionamento com o cliente continuam centrais na experiência de um restaurante — o próprio presidente do Sinhores defende que receber bem quem chega segue sendo parte fundamental do negócio.

Como a IA pode personalizar o atendimento?

A personalização é uma das mudanças que Sampaio acredita que vão ganhar força. Um sistema pode registrar que determinado cliente prefere um prato sem cebola, uma carne num ponto específico ou qualquer outro padrão de consumo — com histórico suficiente, o restaurante reduz perguntas repetidas e já chega com opções próximas do que a pessoa costuma pedir.

“A gente tem que estar sempre atento à tecnologia e trazer esse recurso para melhorar o nosso sistema e, no final, a experiência do cliente”, diz.

Essa mesma lógica se conecta às mudanças de consumo provocadas por dietas e medicamentos — na mesma entrevista, Sampaio já havia relatado alterações nos pedidos de clientes que usam canetas emagrecedoras.

A gastronomia de São José dos Campos já discute inteligência artificial?

Sim, o tema já aparece em eventos e programas de capacitação na cidade. Em 2024, o Vale 360 News publicou a programação do 3º Fórum da Gastronomia Artesanal, que incluiu uma palestra específica sobre inteligência artificial na gastronomia. No mesmo ano, o Sinhores abriu cursos voltados à Gastronomia 4.0, Hospitalidade 4.0 e Turismo 4.0.

O avanço dessas ferramentas coloca gestão de dados, automação e capacitação entre os temas que já fazem parte da rotina de empresários do setor.

Assista abaixo à entrevista completa com Ricardo Sampaio, presidente do Sinhores de São José dos Campos e região.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.