Falta de mão de obra afeta bares e restaurantes no Vale do Paraíba, afirma presidente do Sinhores. Ricardo Sampaio afirma que o problema deixou de ser apenas a falta de profissionais qualificados e passou a incluir a escassez de candidatos interessados nas vagas, sobretudo em postos que exigem trabalho noturno, aos fins de semana e nos horários de maior movimento do setor. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
A avaliação foi feita em entrevista ao Vale 360 News sobre as mudanças no mercado regional de alimentação fora do lar. O Sinhores tem sede em São José dos Campos e, segundo Sampaio, atende 18 municípios, de Santa Isabel a Campos do Jordão.
Por que bares e restaurantes têm dificuldade para contratar?
Segundo Sampaio, o perfil dos candidatos mudou. Durante muito tempo, bares e restaurantes foram porta de entrada para jovens no primeiro emprego, e várias funções permitiam aprender a técnica dentro do próprio estabelecimento.
Hoje, na avaliação dele, o problema vem antes da qualificação: “Você não tem a mão de obra para qualificar.”
Ele associa parte da dificuldade aos horários do setor. Restaurantes, bares, hotéis e casas de entretenimento concentram o trabalho justamente quando outros profissionais estão de folga.
Trabalhar aos fins de semana afasta candidatos?
Para o presidente do Sinhores, é um dos fatores. Parte dos jovens procura vagas de segunda a sexta e mostra menos interesse por postos que exigem noite ou fim de semana.
No setor de alimentação fora do lar, o momento de lazer do consumidor coincide com o pico de demanda por trabalhadores: sexta à noite, sábado, domingo e feriados costumam ser períodos importantes de faturamento. Isso exige escalas compatíveis com o funcionamento das casas e cria um desafio diferente do de atividades concentradas no horário comercial.
Qualificação resolve a falta de mão de obra?
A capacitação ajuda a desenvolver quem já entrou no setor, mas não resolve sozinha a falta de candidatos. Sampaio afirma que o Sinhores investe em formação e que mais de 7 mil pessoas passaram por qualificações financiadas pelo sindicato nos últimos anos. O número foi informado por ele na entrevista, sem detalhamento por ano, município ou curso.
O histórico recente confirma a existência dos programas: em 2025, o Vale 360 News mostrou que o Sinhores abriu 150 vagas gratuitas para cursos em São José dos Campos, Campos do Jordão e Jacareí, com aulas de gestão de estoques, liderança, planejamento estratégico e qualidade em vendas de alimentos e bebidas.
Empresários também precisam de capacitação?
Sampaio defende que sim. Para ele, a formação não deve ficar restrita aos funcionários: gestores precisam entender custos, estoque, atendimento, formação de preços, tecnologia e mudanças no comportamento do consumidor. Ele relaciona essa preparação à capacidade de manter a empresa aberta nos primeiros anos.
A tecnologia pode reduzir a dependência de mão de obra?
Esse movimento já aparece no setor. Sampaio relata que restaurantes começam a encontrar equipamentos que automatizam tarefas repetitivas, como robôs de transporte de pratos, máquinas de preparo de bebidas e braços mecânicos para processos de cozinha. Ele viu parte dessas soluções numa feira internacional em Chicago.
A automação, porém, não elimina pessoas de todas as funções: atendimento, hospitalidade, relacionamento com o cliente, supervisão e várias etapas da cozinha continuam dependendo de profissionais.
Inteligência artificial também entra nessa mudança?
Sim. Sampaio cita sistemas de inteligência artificial para tarefas administrativas e comerciais, como controle de estoque, cálculo de custos, histórico de clientes e gestão de delivery. Segundo ele, essas ferramentas podem tirar dos funcionários o trabalho repetitivo e concentrar o esforço humano em atendimento e tomada de decisão.
O debate não é novo na região: em 2024, o Sinhores promoveu capacitações sobre Gastronomia 4.0, Turismo 4.0 e Hospitalidade 4.0 em São José dos Campos.
O setor gastronômico continua a abrir oportunidades?
A dificuldade relatada não significa ausência de vagas. O setor reúne funções de atendimento, cozinha, estoque, administração, limpeza, liderança, hotelaria e serviços relacionados. Além do emprego formal, a gastronomia regional também reúne pequenos produtores e empreendedores — o Fórum da Gastronomia Artesanal de São José dos Campos, por exemplo, reúne produtores, chefs e negócios da cadeia regional.
Para Sampaio, o desafio é aproximar qualificação, gestão e novas tecnologias para que o setor responda às mudanças no mercado de trabalho.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


