Cinco vereadores de Caçapava votaram contra a população — Roseli Bueno (PL), Dandara Gissoni (PSB), Rodrigo Meireles (PL), Catiane Fonseca (União) e Professor Jefferson (Podemos) — nesta terça-feira (29/09) e a favor da manutenção do veto do prefeito Yan Lopes (Pode) ao aumento das emendas parlamentares individuais de 0,6% para 1,2% da Receita Corrente Líquida. Pela estimativa apresentada pela própria Prefeitura, o percentual de 1,2% reservaria cerca de R$ 5,9 milhões para as emendas dos vereadores em 2027, com metade desse montante, aproximadamente R$ 2,95 milhões, destinada obrigatoriamente à saúde. Cinco vereadores votaram para derrubar o veto, mas eram necessários seis votos. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O resultado manteve o veto ao § 3º do artigo 23 da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, dispositivo que havia sido alterado pela própria Câmara para elevar o percentual das emendas impositivas. O tema afeta diretamente o espaço que cada vereador tem para indicar recursos do orçamento para postos de saúde, compra de equipamentos, entidades, infraestrutura, esporte, assistência social e outras demandas apresentadas pela população.
Na saúde, a regra determina que metade do percentual destinado às emendas individuais seja reservada a ações e serviços públicos do setor.
Vale um esclarecimento importante: não se trata de dinheiro novo no orçamento. A discussão define qual parcela da Receita Corrente Líquida fica vinculada às indicações dos vereadores e passa a ter execução obrigatória, salvo impedimento técnico previsto em lei.
Quais vereadores de Caçapava votaram contra o aumento das emendas (verbas) para 1,2%?
Pelo placar da sessão desta terça (29), cinco vereadores votaram pela manutenção do veto do prefeito ao dispositivo que elevava as emendas de 0,6% para 1,2%:
| Vereador | Partido | Voto |
|---|---|---|
| Roseli Bueno | PL | Pela manutenção do veto |
| Dandara Gissoni | PSB | Pela manutenção do veto |
| Rodrigo Meireles | PL | Pela manutenção do veto |
| Catiane Fonseca | União | Pela manutenção do veto |
| Professor Jefferson | Podemos | Pela manutenção do veto |


Na prática, esses votos ajudaram a manter o veto ao texto que reservaria 1,2% da Receita Corrente Líquida para as emendas individuais — ou seja, os próprios vereadores votaram contra a ampliação de seu próprio espaço de indicação, incluindo a parcela que seria obrigatoriamente destinada à saúde.
Quais vereadores votaram pelo aumento das emendas impositivas?
Outros cinco parlamentares votaram pela rejeição do veto e pela manutenção da decisão anterior da Câmara:
| Vereador | Partido | Voto |
|---|---|---|
| Fran Miranda | PL | Pela rejeição do veto |
| Pablo Fernandes | DC | Pela rejeição do veto |
| Bruno Henrique | PL | Pela rejeição do veto |
| Maicon Goiembiesqui | Republicanos | Pela rejeição do veto |
| Dani Galdino | Republicanos | Pela rejeição do veto |
O presidente da Câmara, Adilson Henrique, não participou do placar informado da votação, mas deixou clara na tribuna sua posição: favorável à decisão do prefeito Yan Lopes.
Com 11 integrantes na Câmara, eram necessários seis votos para rejeitar o veto — os cinco votos favoráveis à derrubada ficaram, portanto, um voto abaixo da maioria absoluta.
Quanto dinheiro ficou reservado para as emendas em Caçapava?
O percentual aprovado foi de 0,8% da Receita Corrente Líquida. Com base na mesma estimativa financeira apresentada pelo prefeito nas razões do veto, isso representa aproximadamente R$ 3.930.248 para emendas individuais em 2027.
O valor fica entre as duas propostas que dominaram a discussão: o Executivo havia apresentado inicialmente 0,6%, cerca de R$ 2.947.686, e a Câmara havia aprovado 1,2%, equivalente a aproximadamente R$ 5.895.372.
Com o resultado final de 0,8%, o Legislativo terá cerca de R$ 982.562 a mais em emendas impositivas do que teria pelo percentual original de 0,6% — mas cerca de R$ 1.965.124 abaixo dos R$ 5,895 milhões previstos caso os 1,2% tivessem prevalecido.
| Percentual | Valor estimado | Situação |
|---|---|---|
| 0,6% | R$ 2.947.686 | Proposta original do Executivo |
| 0,8% | R$ 3.930.248 | Percentual aprovado |
| 1,2% | R$ 5.895.372 | Percentual aprovado anteriormente pela Câmara |
Quanto dos R$ 3,93 milhões será destinado à saúde?
Metade do percentual das emendas impositivas vai para ações e serviços públicos de saúde. Com os 0,8%, essa parcela fica em cerca de R$ 1.965.124.
Se os 1,2% aprovados anteriormente pela Câmara tivessem prevalecido, a saúde teria cerca de R$ 2.947.686 dentro das emendas individuais — uma diferença de aproximadamente R$ 982.562 a menos em recursos de indicação parlamentar para a saúde.
Na comparação com a proposta inicial do Executivo, de 0,6%, o movimento é o contrário: com 0,6%, metade corresponderia a cerca de R$ 1.473.843 para a saúde. Assim, o percentual final de 0,8% representa cerca de R$ 491.281 a mais para a saúde do que a proposta original de 0,6%, mas cerca de R$ 982,6 mil a menos do que o Legislativo havia previsto com os 1,2%.
As emendas podem atender finalidades como compra de equipamentos, estrutura de unidades, materiais, serviços e outras ações de saúde — a destinação concreta depende das emendas que cada vereador apresentar no processo da Lei Orçamentária de 2027.
O voto retirou dinheiro diretamente da saúde de Caçapava?
Não é correto afirmar isso tecnicamente. O que mudou foi o valor que fica obrigatoriamente reservado às indicações parlamentares, não o orçamento total do município.
A comparação mais precisa considera três cenários: pela proposta original de 0,6%, cerca de R$ 1,47 milhão das emendas seria reservado à saúde; com os 0,8% aprovados, o valor sobe para cerca de R$ 1,97 milhão; com os 1,2% defendidos por parte dos vereadores, chegaria a cerca de R$ 2,95 milhões.
Ou seja: o percentual final de 0,8% aumentou a verba de indicação parlamentar para a saúde em relação aos 0,6% propostos pelo Executivo, mas deixou essa reserva cerca de R$ 982,6 mil abaixo do valor que existiria com os 1,2%.
Os recursos que não ficam vinculados às emendas continuam no orçamento municipal e podem atender outras programações da administração. A diferença está em quem tem o poder de indicar previamente a finalidade dessa parcela do orçamento.
Por que o percentual de 0,8% afeta a autonomia dos vereadores?
As emendas impositivas dão ao Legislativo participação direta na destinação de parte do orçamento. Um morador pode levar a um vereador uma demanda do bairro — equipamento para uma unidade de saúde, melhoria de infraestrutura, apoio a um serviço público — e o parlamentar pode transformar isso numa emenda ao orçamento.
Quando a emenda tem caráter impositivo e cumpre as exigências legais, o Executivo precisa executar a programação, salvo impedimento técnico previsto em lei. Por isso, quanto maior o percentual reservado às emendas impositivas, maior a parcela do orçamento sobre a qual os vereadores exercem indicação direta.
Com 0,6%, o volume estimado seria de R$ 2,95 milhões. Com 0,8%, sobe para R$ 3,93 milhões. Com 1,2%, chegaria a R$ 5,9 milhões — o resultado de 0,8% amplia o espaço do Legislativo em relação à proposta original do prefeito, mas mantém a Câmara com cerca de R$ 1,97 milhão a menos em poder de indicação do que teria com os 1,2%.
Os vereadores já haviam aprovado os 1,2%?
Sim. A Emenda Modificativa nº 1 ao Projeto de Lei nº 44/2026 havia passado pelo plenário em junho, com a proposta de 1,2% recebendo seis votos favoráveis e quatro contrários.
O texto elevou o percentual em relação aos 0,6% apresentados originalmente pelo Executivo, e o processo passou também pelas Comissões de Justiça e Redação e de Finanças e Orçamento. Depois da aprovação, o projeto seguiu para o prefeito Yan Lopes, que sancionou parcialmente a LDO e vetou o § 3º do artigo 23 — o dispositivo que fixava o percentual em 1,2%.
A discussão voltou ao plenário, e o resultado posterior levou ao percentual de 0,8%.
Por que o prefeito Yan Lopes vetou o percentual de 1,2%?
O prefeito sustentou que a mudança dos 0,6% originais para 1,2% criaria impacto adicional de cerca de R$ 2,95 milhões. Nas razões do veto, o Executivo afirmou que a Câmara não havia indicado de forma suficientemente individualizada quais dotações sofreriam redução para suportar o acréscimo.
O documento cita responsabilidade fiscal, planejamento, despesas obrigatórias e continuidade dos serviços públicos, argumentando que uma reserva maior para despesas de execução obrigatória reduziria a margem do Executivo para outras programações.
O veto também deixa claro que o Executivo não questionava a importância institucional das emendas parlamentares, mas a ampliação para 1,2% sem a demonstração orçamentária que a administração considerava necessária. Com o percentual final de 0,8%, a reserva ficou acima dos 0,6% defendidos inicialmente pela Prefeitura e abaixo dos 1,2% aprovados anteriormente pela Câmara.
O que diz a Lei Orgânica de Caçapava sobre os 1,2%?
A Lei Orgânica de Caçapava estabelece referência de até 1,2% da Receita Corrente Líquida para as emendas individuais, com metade do percentual destinada a ações e serviços públicos de saúde.
O percentual de 0,8% fica, portanto, abaixo desse limite. É importante notar que a votação não extinguiu as emendas impositivas nem as reduziu ao percentual inicial de 0,6% — o resultado definiu um percentual intermediário, com a Câmara ficando com mais recursos de indicação do que a proposta original do Executivo, mas menos do que teria com os 1,2% aprovados anteriormente.
Qual percentual ficou definido para as emendas impositivas?
O percentual aprovado ficou em 0,8% da Receita Corrente Líquida, o que representa cerca de R$ 3,93 milhões. Metade, cerca de R$ 1,97 milhão, fica destinada a ações e serviços públicos de saúde.
Na comparação com os 1,2%, há redução de cerca de R$ 1,965 milhão no total das emendas e de cerca de R$ 982,6 mil na parcela da saúde. Já na comparação com os 0,6% propostos inicialmente pelo Executivo, os 0,8% representam aumento de cerca de R$ 982,6 mil no total das emendas e de R$ 491,3 mil na parcela da saúde.
Por que essa votação tem impacto para a população de Caçapava?
Porque as emendas parlamentares podem financiar ações que chegam diretamente aos bairros e aos serviços públicos. Em agosto, o Vale 360 News mostrou que vereadores cobraram da Prefeitura a execução de emendas destinadas à saúde, odontologia, acessibilidade e infraestrutura no município.
Entre as demandas apresentadas naquela sessão estavam recursos para o Centro de Odontologia, equipamentos públicos e melhorias em bairros — Rodrigo Meireles reclamou, na ocasião, da demora na execução de uma emenda destinada ao Centro de Odontologia, e Fran Miranda, Pablo Fernandes, Maicon Goiembiesqui e Dani Galdino também apresentaram cobranças ligadas às emendas e à atuação do Executivo.
A votação de setembro define, justamente, quanto os vereadores vão ter disponível para esse tipo de indicação no orçamento de 2027: com 0,8%, o total estimado fica em R$ 3,93 milhões, com cerca de R$ 1,97 milhão reservado à saúde.
Caçapava já teve outras disputas sobre emendas destinadas à saúde?
Sim. O Vale 360 News publicou outra discussão sobre emendas destinadas à Fusam e à saúde de Caçapava, quando houve divergência entre uma vereadora e a Prefeitura sobre o risco de perda de recursos — a administração negou a perda e apresentou sua própria versão. O episódio mostra que indicação orçamentária e execução financeira são etapas distintas.
Qual é a diferença entre essas emendas e as emendas de deputados?
A votação trata das emendas dos próprios vereadores ao orçamento municipal — diferentes das emendas enviadas ao município por deputados estaduais ou federais.
O Vale 360 News fez um levantamento que identificou mais de R$ 14 milhões em emendas federais destinadas a Caçapava em 2025 e 2026. Esses recursos vêm do orçamento federal — já os R$ 3,93 milhões estimados a partir do percentual de 0,8% pertencem ao orçamento municipal e seguem as regras das emendas impositivas dos vereadores.
O que acontece após a definição dos 0,8%?
O novo percentual passa a ser a principal referência para a elaboração das emendas parlamentares individuais no orçamento de 2027.
A próxima etapa central é a análise da Lei Orçamentária Anual, quando cada vereador apresenta a destinação dos recursos e identifica as ações que pretende contemplar.
Para a população, três números passam a valer a pena acompanhar: cerca de R$ 3,93 milhões no total das emendas, cerca de R$ 1,97 milhão reservado à saúde, e a execução efetiva das indicações aprovadas — o acompanhamento posterior vai mostrar quais áreas, bairros, unidades de saúde, entidades e serviços recebem os recursos.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.




