Spray de pimenta em escola de Pinda leva alunos e funcionárias ao pronto-socorro

O uso de spray de pimenta dentro da Escola de Pinda, Dr. Alfredo Pujol, no Centro da cidade, causou mal-estar em estudantes e funcionárias e mobilizou o Samu na manhã de quarta-feira (30/09). A Secretaria Estadual da Educação informou que cinco pessoas, três estudantes e duas funcionárias, receberam socorro e seguiram para o Pronto-Socorro Municipal. A Polícia Civil registrou o caso e, na terceira edição do boletim de ocorrência, classificou o episódio como ato infracional relacionado ao crime de perigo para a vida ou saúde de outrem, previsto no artigo 132 do Código Penal. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

O boletim de ocorrência teve três atualizações ao longo de quarta-feira — a primeira versão foi aberta às 14h23, e a terceira edição foi concluída às 19h06. O documento policial revela que o spray circulou entre alunos e teria sido acionado em mais de um ponto da unidade escolar.

Por se tratar de adolescentes, o Vale 360 News preserva os nomes dos estudantes citados no registro policial como participantes da sequência que envolveu o produto.

Spray apareceu primeiro dentro de uma sala de aula

Segundo o boletim, uma aluna declarou que levou um spray de pimenta para a escola. Durante a aula, ela teria retirado o objeto da mochila, mostrado a um colega e acionado o produto na direção do braço de outro estudante.

A ação espalhou forte odor pela sala e causou inquietação entre os alunos — a primeira versão registrada na delegacia aponta que uma turma precisou deixar a sala até o produto se dispersar. Depois disso, o spray voltou para a mochila da estudante.

O relato entregue depois pelo diretor à Polícia Civil informa que dois alunos retiraram o objeto da mochila sem autorização.

Produto passou entre estudantes antes de novo acionamento

O registro policial relata que, durante o intervalo, um dos estudantes entregou o spray a outro adolescente. A partir daí, o produto teria sido acionado outra vez perto do refeitório e também dentro do banheiro masculino.

A dispersão da substância alcançou áreas de circulação comum da escola — o boletim cita alunas e funcionárias da cozinha entre as pessoas que apresentaram irritação e mal-estar.

Uma estudante relatou à polícia que, depois de inalar o produto perto do refeitório, sentiu tontura, sensação de garganta fechada, forte dor de cabeça e dor na nuca. Ela procurou a direção e aguardou atendimento até a chegada de uma ambulância.

Samu foi chamado para atender alunos e funcionárias

O Samu foi acionado assim que surgiram os sintomas. Na primeira edição do BO, uma das estudantes relatou que cerca de seis alunos e duas funcionárias da cozinha teriam seguido para atendimento médico.

Já a terceira edição do documento identifica cinco pessoas com sintomas de irritação e mal-estar: três alunas e duas funcionárias.

Em nota divulgada à imprensa nesta quinta-feira (1º), a Secretaria Estadual da Educação informou que cinco pessoas foram socorridas pelo Samu e levadas ao Pronto-Socorro Municipal, e que todas passam bem, com as atividades escolares seguindo normalmente.

Polícia alterou a classificação da ocorrência após novas informações

O histórico do boletim mostra uma mudança importante ao longo do registro. Na primeira edição, a ocorrência apareceu inicialmente como de natureza “não criminal”, com a ressalva de que a classificação poderia mudar após análise da autoridade policial.

Horas depois, com novos relatos e a apresentação do diretor da escola na delegacia, houve uma terceira edição — a Polícia Civil retirou a classificação anterior e inseriu a natureza de ato infracional relacionado ao artigo 132 do Código Penal, que trata de exposição da vida ou da saúde de outra pessoa a perigo direto e iminente.

Essa classificação consta no boletim como etapa da apuração, e não representa decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade de qualquer adolescente. O caso ficou para apreciação do delegado titular.

Escola possui câmeras que podem auxiliar na apuração

Uma das estudantes informou no registro policial que a Escola Estadual Dr. Alfredo Pujol tem câmeras de vigilância que podem ter registrado parte da ocorrência.

O boletim analisado não informa se as imagens já foram entregues à Polícia Civil ou se houve análise das gravações. O material pode ajudar a esclarecer quem teve contato com o spray, em quais momentos o produto foi acionado e a sequência dentro das áreas comuns da escola.

O uso de imagens já teve papel relevante em outros casos policiais em unidades de ensino de Pindamonhangaba — o Vale 360 News mostrou em 2025 que câmeras registraram disparos contra a entrada de um colégio na cidade, numa ocorrência que não deixou feridos.

Responsáveis foram chamados pela direção da escola

O diretor da Alfredo Pujol informou à Polícia Civil que os pais e responsáveis pelos alunos envolvidos no episódio receberam comunicação sobre os fatos, compareceram à unidade e tiveram ciência da gravidade da ocorrência.

O registro também aponta que o caso seguiria para o Conselho Escolar, responsável pela análise de medidas disciplinares conforme o Regimento Escolar. A Secretaria Estadual da Educação confirmou à imprensa que os estudantes identificados foram ouvidos individualmente e que os responsáveis receberam convocação.

A pasta informou ainda que houve aplicação de medidas disciplinares e registro do episódio no Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP). Os estudantes relacionados ao caso também passaram a receber acompanhamento de profissional do Programa Psicólogos nas Escolas.

Ocorrência chama atenção para segurança no ambiente escolar

O episódio expõe o risco de substâncias irritantes em ambientes fechados e com concentração de pessoas. Mesmo um acionamento breve pode afetar alunos e trabalhadores próximos, sobretudo em salas, corredores, banheiros e refeitórios.

No caso da Alfredo Pujol, o registro policial mostra que o produto passou por diferentes estudantes antes dos episódios que causaram sintomas. O acesso de objetos inadequados ao ambiente escolar e a resposta rápida diante de situações que possam afetar a saúde dos alunos seguem entre os desafios de segurança das unidades.

O Vale 360 News já mostrou outro episódio ligado à segurança escolar em Pinda, quando adolescentes foram levados à delegacia após uma ocorrência nas proximidades de uma escola estadual — os casos não têm qualquer relação entre si.

Atendimento rápido é essencial diante de sintomas

Situações de mal-estar dentro de escolas também exigem avaliação rápida para que profissionais de saúde definam a necessidade de encaminhamento.

Em abril, o Vale 360 News acompanhou um caso de meningite que mobilizou equipes de Saúde e Educação após a internação de um aluno em Pindamonhangaba. Embora as situações sejam completamente diferentes, os episódios reforçam a importância de protocolos claros quando estudantes apresentam sintomas que exigem avaliação médica.

No caso do spray de pimenta, o Samu prestou assistência, e as pessoas citadas pela Secretaria da Educação passam bem.

Spray de pimenta em escola de Pinda
Agentes do Samu fizeram atendimento em escola de Pinda. Foto: Divulgação

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.