O empresário Eugênio Pinto de Freitas Filho, conhecido como Geninho da Funerária, rebateu as declarações do prefeito de Caçapava, Yan Lopes (Podemos), sobre a Comissão Processante que investiga o uso de R$ 2.161.600 do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito para subsidiar a passagem de ônibus. Marido da vice-prefeita Juliana Freitas (Pode) e um dos responsáveis pela denúncia que deu origem à investigação, Geninho negou que sua atuação tenha como objetivo uma disputa pelo poder e cobrou esclarecimentos sobre a legalidade da destinação dos recursos. A manifestação ocorre após entrevista exclusiva de Yan ao Vale 360 News, na quinta-feira (22/10), quando o prefeito acusou adversários de quererem prejudicar a cidade para conquistar espaço político. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Na resposta, Geninho contestou especialmente uma declaração do prefeito, que afirmou que determinados adversários políticos seriam capazes de “atear fogo na cidade para governar sobre as cinzas”.
O empresário rejeitou a associação entre a investigação e uma tentativa de chegar ao comando da Prefeitura.
“Essa conversa nunca foi sobre poder. Quem conhece minha história sabe disso.”
Geninho afirmou que atua como empresário em Caçapava há mais de 30 anos e que não precisa ocupar um cargo público para participar das discussões sobre a administração municipal.
“Nunca precisei de cadeira nenhuma para defender Caçapava. E não vou começar agora.”
Geninho responde à declaração de Yan sobre adversários políticos
Na entrevista ao Vale 360 News, Yan Lopes foi questionado sobre a Comissão Processante e a participação do marido da vice-prefeita na denúncia apresentada à Câmara.
O prefeito negou irregularidades e afirmou que a investigação possui motivação política.
“Eu acredito muito no bom senso e na honestidade de cada vereador. O nosso grupo político na Câmara Municipal entende que essa é uma questão delicada, porém que não existe ilegalidade, irregularidade ou qualquer apontamento de Ministério Público.”
Yan também questionou a atuação do Legislativo na apuração da destinação dos recursos.
“Quem vai apontar isso é o Tribunal de Contas, é o Ministério Público, não a Câmara Municipal, por meio de uma denúncia do marido da vice-prefeita.”
Durante a mesma entrevista, ao comentar a oposição, o prefeito fez uma crítica mais contundente.
“São pessoas que ateariam fogo na cidade para governar sobre as cinzas.”
A declaração motivou a resposta de Geninho, que rejeitou a metáfora utilizada por Yan Lopes.
“Eu não preciso atear fogo em nada. A cidade já é minha casa há três décadas. Eu ajudei a construí-la. Não preciso destruí-la para governá-la.”
O empresário também criticou o tom das declarações do prefeito e afirmou que o debate deveria se concentrar na aplicação dos recursos públicos.
“Quem realmente ama este lugar defende com seriedade, com transparência e com respeito ao dinheiro público — não com metáforas inflamadas de quem se sente acuado.”
Empresário cobra explicações sobre R$ 2,16 milhões do Fundo de Transporte
Geninho sustenta que a discussão central não envolve interesses eleitorais, mas a legalidade da utilização de recursos vinculados ao trânsito para financiar parte do custo da passagem de ônibus.
A Comissão Processante apura a destinação de R$ 2.161.600 do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito ao subsídio tarifário do transporte coletivo de Caçapava.
A denúncia questiona a compatibilidade dessa aplicação com as finalidades previstas na legislação federal.
“O que está em discussão é simples: o uso de R$ 2,16 milhões de um fundo específico, criado com recursos de multas de trânsito, para subsidiar passagem de ônibus. A lei federal é clara sobre as finalidades permitidas. A dúvida existe. A investigação existe.”
O artigo 320 do Código de Trânsito Brasileiro estabelece destinações específicas para a receita arrecadada com multas, incluindo sinalização, engenharia de tráfego, policiamento, fiscalização, renovação da frota circulante, educação de trânsito e custeio da habilitação de condutores de baixa renda.
O pagamento de subsídio tarifário não aparece expressamente entre essas finalidades. A análise do caso, entretanto, depende também da origem dos recursos utilizados, das normas municipais aplicáveis e dos fundamentos jurídicos adotados pela Prefeitura.
Yan Lopes afirma que a utilização do dinheiro foi respaldada por parecer jurídico e permitiu manter a passagem em R$ 4,20, sem transferir integralmente os custos do serviço aos usuários.
A defesa do prefeito nega desvio de finalidade e sustenta que os pagamentos atenderam ao interesse público.
A abertura da Comissão Processante não representa comprovação de irregularidade nem significa que o prefeito será cassado.
Geninho critica argumentos de perseguição política e conflito familiar
Na manifestação, Geninho também questionou as justificativas apresentadas por Yan Lopes ao longo da investigação.
O prefeito já classificou o procedimento como político e apontou possíveis irregularidades na atuação da comissão, inclusive em razão da participação da vereadora Fran Miranda (PL), sua tia, que preside o colegiado.
O empresário criticou essa mudança de enfoque.
“Primeiro foi ‘perseguição política’. Depois virou ‘briga familiar’. Agora somos pessoas que ‘ateariam fogo na cidade para governar sobre as cinzas’.”
Para Geninho, os argumentos apresentados pelo prefeito não afastam a necessidade de esclarecer a utilização do dinheiro público.
“Interessante como a acusação muda de forma, mas o conteúdo das perguntas permanece o mesmo. E continua sem resposta.”
A avaliação de que as perguntas seguem sem resposta é de Geninho. Yan Lopes e sua defesa já apresentaram argumentos à comissão, incluindo a alegação de que houve parecer jurídico favorável ao uso dos recursos.
A controvérsia permanece em análise no procedimento político-administrativo.
Investigação está na fase final na Câmara de Caçapava
A Comissão Processante foi aberta em 11 de agosto, após a Câmara aprovar o recebimento da denúncia apresentada contra Yan Lopes.
O colegiado é composto pelos vereadores Fran Miranda (PL), Dani Galdino (Republicanos) e Pablo Fernandes (DC).
Após a realização de depoimentos e diligências, a investigação avançou para a fase de alegações finais da defesa. O procedimento deverá resultar em um relatório que poderá ser submetido à apreciação dos vereadores.
Na entrevista exclusiva ao Vale 360 News, o prefeito afirmou que sua equipe jurídica avalia recorrer à Justiça para contestar a condução do processo, alegando cerceamento do direito de defesa.
Uma eventual decisão sobre a perda do mandato depende das conclusões do processo e de votação na Câmara, com observância das garantias legais de defesa.
Geninho afirma que prestar contas não é perseguição
Ao encerrar a manifestação, Eugênio Pinto de Freitas Filho reafirmou que pretende continuar a cobrar explicações da administração municipal.
“O poder não é propriedade de ninguém. E prestar contas não é perseguição. É a obrigação mínima de quem foi eleito.”
O empresário também afirmou que permanece disposto a discutir a destinação dos recursos do Fundo de Transporte.
“Quando o prefeito quiser trocar a retórica pela verdade dos números, estarei aqui. Como sempre estive. Do lado de Caçapava.”
Na entrevista publicada pelo Vale 360 News na quinta-feira (22), Yan Lopes apresentou sua versão sobre a Comissão Processante, negou irregularidades e afirmou confiar na avaliação dos vereadores.
O debate sobre a utilização dos R$ 2,16 milhões permanece aberto, sem conclusão definitiva sobre a legalidade dos pagamentos investigados.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

