Falso médico, Gerson Lavísio, da Via Dutra se passava por pastor, missionário e coach, diz TV. O falsário se tornou nacionalmente conhecido, após ser descoberto pela Polícia Rodoviária Federal na última semana em atendimento na base da CCR RioSP, na Via Dutra, em Pindamonhangaba.
Reportagem do Fantástico, da TV Globo, contou detalhes dos golpes aplicados pelo falsário nas empresas, onde trabalhou, em fiéis e mesmo em uma namorada. Um dos fiéis chegou a dizer que ele foi ludibriado pelas palavras fáceis de Lavísio. A ex-namorada contou que pagava corridas por aplicativo a Gerson Lavísio, que contava a ela viver uma vida simples.
Quem é Gerson Lavísio e quais os golpes aplicados por ele?

A reportagem da TV Globo aponta que o falso médico é natural de Cambará, no Paraná, tem 32 anos e exerce a função há pelo menos quatro meses. Nos empregos em que conseguiu se passar por médico, ele apresentava diploma falso de Unicid. A instituição negou que ele tenha feito qualquer curso na instituição.
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Lavísio se passava ainda por missionário na África do Sul, coach cristão e namorava mais de uma companheira ao mesmo tempo. Ele ainda usava as redes sociais para convencer algumas das vítimas, ostentando uma vida que não tinha.
Gerson Lávisio cometia erros de português e prescrevia medicação equivocada
Os prontuários de Lávísio continham erros de português e a mesma prescrição de remédios para pacientes com queixas diferentes. Em dos estabelecimentos hospitalares em que trabalhou, ele receitou, segundo a reportagem, mesmo antibiótico para três pacientes com queixa de dores de coluna e cabeça. O prontuário ainda trazia como orientação a medicação na enfermagem a escrita “tose adulta”, para sinalizar a dose adulta do medicamento
Em atendimento, na Rodovia Presidente Dutra, o falso médico teria errado diversos procedimentos básicos, relataram colegas e a própria Polícia Rodoviária Federal. Em um deles, atendeu a uma queda de bicicleta em que o paciente reclamava de dor nas costas e receitou 10 miligramas de Diazepan, que é calmante. O ciclista precisou ser internado depois do procedimento.
No acidente mais grave, Gerson Lavísio teria mandado amputar a perna de um dos acidentados.
Os relacionamentos do falsário
Uma das mulheres que tiveram relacionamento com Gerson Lávisio contou à TV Globo que foi surpreendida quando a mentira veio à tona. Regiane Arabi relatou que enquanto namoravam, o que sabia sobre ele é que era médico e que passavam fins de semana fora em plantões.
Durante o namoro, ele contava sobre sua história de vida simples e de tempos em tempos pedia ajuda financeira. Inclusive para corridas por aplicativo. “Ele falava que estava precisando chamar Uber, se eu não poderia pagar e eu pagava. Paguei contas para ele..”, conta.
Regiane descobriu também, que além dela, ele mantinha outra namorada ao mesmo tempo, para quem também dizia ser médico. Um dos boletins de ocorrência registrados contra ele na Polícia Civil era por apropriação indébita, depois de levar o computador de uma das namoradas e se recusar a devolver.
Gerson Lavísio, o falso pastor e missionário

O enredo de enganação movia o falsário a pregar mentiras e mexer com fé alheia. Nas redes sociais, ele se passava por Pastor da igreja “Acordando as Nações”, que não existe. Em publicações, ele chegava a compartilhar cartazes de eventos em que ele estaria, mas com endereços falsos.
Ele peregrinava por igrejas menores, apesar de se passar por Pastor Presidente de uma Congregação. Segundo fieis, ele se passava por missionário em Moçambique na África. Com isso, arrecadava dinheiro. Em uma de suas campanhas, chegou a arrecadar R$ 16 mil.
Processos do Falso médico

Apesar de todas as falsidades e da vida de mentiras, Gerson Lavísio nunca foi preso. Em uma consulta à Polícia Civil, constam três boletins de ocorrência. Dois por exercício ilegal da profissão e um por apropriação indébita, feito pela namorada.
A primeira denuncia sobre exercício ilegal da profissão é de dezembro quando atendeu em uma unidade de saúde em Parelheiros, na capital. No local, ele atendeu 18 pacientes. O diretor clínico da unidade suspeitou dele quando leu os prontuários com erros de ortografia.
Ele foi levado à delegacia e denunciado por exercício ilegal da profissão.
O segundo boletim de ocorrência foi feito após a descoberta a detenção dele pela PRF, na Rodovia Presidente Dutra e o terceiro foi lavrado pela ex-namorada por apropriação indébita.
O que dizem os envolvidos?
A TV Globo deu voz aos envolvidos, que responderam da seguinte maneira:
“A CCR RioSP informou que o médico foi desligado da terceirizada e que adotou junto à empresa uma apuração do corpo clínico e novos processos de checagem durante as contratações. A Enseg segue prestando serviços para a empresa.
A concessionária disse ainda que lamenta o caso, está à disposição da família da vítima e que colabora com as investigações.
A Enseg, empresa contratada pela CCR Rio-SP, informou que afastou o falso médico e está cooperando com investigações.
As prefeituras de São Paulo e de Votorantim, onde ele atendeu em hospitais públicos, dizem que Gerson trabalhou apenas um dia nas unidades, e que ele foi enviado aos plantões por empresas terceirizadas.
A Cirmed, que atua em Votorantim, diz que foi vítima de uma tentativa de fraude. E a Associação Saúde da Família (ASF), que presta serviços para a secretaria da saúde de São Paulo, não respondeu até a publicação.
A Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), de quem Gerson disse ter diploma, afirmou que não reconhece os documentos apresentados pelo falsário e que ele nunca foi aluno da instituição. Disse ainda que está adotando todas as medidas legais cabíveis”.
A reportagem tentou contato com Lavísio, mas não conseguiu ouvi-lo.
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