Homem foi morto com cabo de enxada em Taubaté por causa de briga por ferramentas. Entenda

Homem foi morto com cabo de enxada em Taubaté por causa de briga por ferramentas. A Polícia Civil de Taubaté investiga o homicídio ocorrido por volta das 15h54 de domingo (26/10) na Rua José Benedito Fabiano, bairro Barranco/Vila Albina. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

A vítima, de 48 anos, morreu após ser agredida com um pedaço de madeira, possivelmente cabo de enxada. O autor, de 36 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar e confessou o crime.

O caso foi registrado na Delegacia de Plantão em Taubaté como homicídio qualificado (art. 121 do Código Penal). O suspeito permanece custodiado, após a autoridade policial determinar prisão em flagrante e pedir a conversão da mesma em preventiva, citando a gravidade do delito e a necessidade de garantir a ordem pública.

Onde aconteceu

O crime ocorreu em via pública, na Rua José Benedito Fabiano, que corta o bairro Barranco, região também conhecida como Vila Albina, área residencial.

Populares acionaram o COPOM após perceberem a vítima caída na rua, com ferimentos na cabeça e corpo. O SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado para o socorro e constatou o óbito no local.

Segundo os PMs, o local foi preservado para perícia e o corpo removido pela funerária de plantão, após o acionamento da equipe da Polícia Técnico-Científica.

Dinâmica do crime

De acordo com o boletim de ocorrência, a desavença entre autor e vítima teria se iniciado por causa de ferramentas emprestadas.
A vítima cobrava o avô do suspeito pela devolução do material, o que gerou uma discussão que evoluiu para agressão física.

Testemunhas relataram que a vítima atingiu primeiro o suspeito com um cabo de enxada. Na sequência, o autor reagiu com o mesmo pedaço de madeira, golpeando a vítima pelo menos três vezes, na cabeça e no corpo, até que ela caiu ao solo sem vida.

Ação da Polícia Militar

Os policiais relataram que, ao chegarem ao endereço, encontraram a vítima já sem sinais vitais.

Moradores apontaram que o autor havia fugido pela rua dos fundos. A equipe iniciou buscas imediatas e localizou o suspeito correndo em uma via próxima, ainda com marcas de sangue no corpo.

Indagado, ele confessou espontaneamente a autoria da agressão e foi conduzido à delegacia. A PM comunicou o fato via sistema integrado PCIPM/TPD, garantindo o registro de flagrante em tempo real.

Versão do indiciado

Em interrogatório gravado em áudio e vídeo, o indiciado afirmou não possuir advogado e disse que sua família já sabia da prisão. Declarou que “foi agredido primeiro” pela vítima e que teria agido em legítima defesa, usando o cabo de madeira apenas para se proteger.

Segundo ele:

“Ele me bateu na cabeça com a madeira. Eu reagi com o mesmo pau. Foi para me defender. Não pensei que ele fosse morrer.”

O autor também afirmou que estava machucado, apresentando lesões compatíveis com luta corporal, e negou ter usado outra arma além da madeira.

Disse que não mora no local, mas o frequenta com frequência, pois a casa é de seu avô, e que a vítima “já havia cobrado o tio por ferramentas em dias anteriores”.

Testemunhas e versões

Entre as pessoas ouvidas, está uma mulher identificada como tia do suspeito e a irmã do suspeito, apontado na conversa como alvo de cobranças da vítima.

Segundo a polícia, não há indícios de participação do indiciado na briga que resultou na morte.

Os depoimentos reforçam que autor e vítima se conheciam e mantinham relação cotidiana no bairro, trocando conversas e pequenos favores.

A discussão do dia teria sido repentina e ocorrida diante de vizinhos.

Laudo e perícia

A Polícia Técnico-Científica foi acionada para perícia de local e corpo.

O instrumento utilizado — um pedaço de madeira semelhante a cabo de enxada — não havia sido apreendido até o fechamento do registro.

A perícia analisará respingos de sangue e marcas no solo, além de imagens de câmeras próximas.

O laudo necroscópico deve confirmar a causa exata da morte, preliminarmente atribuída a traumatismo craniano causado por múltiplos impactos.

Decisão da autoridade policial

Após ouvir os envolvidos e examinar os elementos de prova, o delegado de plantão manteve a prisão em flagrante, fundamentando a decisão com base no artigo 302, II, do Código de Processo Penal (CPP).

No despacho, afirmou:

“Há indícios de autoria e materialidade. A versão do indiciado é contraditória, sem provas de legítima defesa. A conduta se amolda ao tipo penal do artigo 121 do Código Penal.”

O documento ainda destaca que, diante da gravidade e da repercussão social, a prisão preventiva é necessária para garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal, evitando eventual ameaça a testemunhas ou risco de fuga.

Enquadramento legal

  • Tipo penal: homicídio simples (art. 121 do Código Penal)

  • Circunstância: morte provocada por meio de instrumento contundente (cabo de madeira)

  • Situação processual: prisão em flagrante convertida em preventiva

  • Autoridade responsável: Delegacia de Plantão em Taubaté

  • Pena prevista: reclusão de 6 a 20 anos

Contexto do caso

A briga motivada por ferramentas emprestadas expõe o perfil de crimes interpessoais comuns em áreas residenciais periféricas, em que discussões cotidianas se tornam agressões fatais.

A Polícia Civil reforça que, mesmo diante de alegações de legítima defesa, é imprescindível aguardar perícia e provas técnicas para confirmar a dinâmica real do confronto.

Local e perímetro

  • Endereço: Rua José Benedito Fabiano – Barranco/Vila Albina – Taubaté

  • Horário: 15h54 – domingo (26/10)

  • Clima: tarde de calor, com temperatura próxima de 32 °C (Inmet)

  • Preservação do local: efetivada pela PM até a chegada da perícia

cabo de enxada
Foto: Ranieri Morgado

Perguntas Frequentes

A vítima e o autor se conheciam?

Sim. Segundo testemunhas, os dois já haviam se encontrado outras vezes e tinham relação de convivência no bairro.

Qual foi o motivo da briga?

Cobrança pela devolução de ferramentas que teriam sido emprestadas ao suspeito.

A polícia encontrou a arma do crime?

Até o fechamento do boletim, o cabo de madeira não havia sido apresentado na delegacia.

O autor alegou legítima defesa?

Sim, mas a autoridade policial não aceitou a tese por ausência de provas concretas.

O que diz o delegado?

Que o crime apresenta “fortes indícios de dolo e intenção de matar”, justificando a prisão preventiva.

Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.