Parker Hannifin comunica demissões em Jacareí durante greve; Sindicato contesta legalidade

Parker Hannifin comunica demissões em Jacareí, nesta terça-feira (11/08), por WhatsApp e telegrama, enquanto os funcionários mantêm greve contra o fechamento da fábrica desde 20 de julho. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região afirma que a dispensa durante a paralisação é irregular e apura quantos trabalhadores receberam a notificação. No documento enviado aos funcionários, a Parker informa que os contratos vinculados à unidade serão extintos e oferece, além das verbas rescisórias, indenização líquida de R$ 20 mil, assistência médica e odontológica por seis meses e vale-alimentação pelo mesmo período. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

O que aconteceu com os trabalhadores da Parker em Jacareí?

A Parker Hannifin enviou um comunicado de dispensa aos funcionários da unidade de Jacareí na terça-feira. Segundo o Sindicato, a mensagem chegou por WhatsApp e telegrama no mesmo dia em que empresa e entidade sindical teriam uma nova rodada de negociação sobre o fechamento da fábrica.

A reunião prevista para terça-feira, porém, foi cancelada pela companhia, de acordo com o Sindicato. A entidade afirma que havia participado de quatro encontros com representantes da Parker desde o anúncio do encerramento das atividades.

No documento enviado aos funcionários, a Parker apresenta outra perspectiva sobre as tratativas. A empresa afirma que manteve negociações com as entidades representativas, que buscou alternativas para reduzir os impactos do fechamento e que as partes não chegaram a um acordo.

O fechamento da fábrica da Parker Hannifin em Jacareí foi anunciado em 17 de julho. Na ocasião, a unidade possuía cerca de 100 trabalhadores, conforme dados divulgados pelo Sindicato.

A entidade ainda apura o número exato de funcionários que receberam o comunicado de dispensa nesta semana. A carta da empresa informa que os contratos de trabalho vinculados à operação de Jacareí serão extintos.

A Parker pode demitir trabalhadores durante uma greve?

Esse é o principal ponto de conflito entre o Sindicato e a empresa. A Lei Federal nº 7.783, conhecida como Lei de Greve, estabelece no artigo 7º que a participação em greve, quando observadas as condições previstas na legislação, suspende o contrato de trabalho.

O parágrafo único do mesmo artigo estabelece que a rescisão do contrato de trabalho durante a greve é vedada, com as exceções previstas nos artigos 9º e 14 da própria lei.

É nessa regra que o Sindicato dos Metalúrgicos baseia a afirmação de que as dispensas são irregulares. Os trabalhadores da Parker estão em greve desde 20 de julho, após a decisão da companhia de encerrar a operação de Jacareí.

A existência da regra legal, porém, não equivale a uma decisão judicial específica sobre as demissões da Parker. Caso o conflito chegue à Justiça do Trabalho, caberá ao Judiciário examinar as circunstâncias da paralisação, as condições das dispensas e os demais elementos jurídicos do caso.

O que o STF determina para uma demissão em massa?

Outro ponto importante envolve a dispensa coletiva. O Supremo Tribunal Federal definiu, no Tema 638, que a intervenção sindical prévia é uma exigência para a demissão em massa de trabalhadores.

O próprio STF também estabeleceu que essa exigência não significa que a empresa precise obter autorização do Sindicato ou necessariamente assinar um acordo coletivo antes das dispensas.

No caso da Parker, empresa e Sindicato reconhecem que houve reuniões antes do comunicado desta terça-feira. A divergência está no resultado das negociações e na possibilidade de encerramento dos contratos durante uma greve que, segundo a entidade, permanece ativa.

Quanto a Parker oferece aos trabalhadores demitidos em Jacareí?

O comunicado obtido pela reportagem informa que a Parker promete pagar integralmente as verbas rescisórias previstas em lei e acrescentar um pacote indenizatório excepcional.

Segundo a empresa, o pacote inclui:

  • R$ 20 mil líquidos em parcela única para cada empregado elegível;
  • seis meses de assistência médica e odontológica após a rescisão;
  • seis meses de vale-alimentação.

A Parker afirma que esses benefícios possuem caráter excepcional e não integram o salário para efeito de encargos trabalhistas ou previdenciários, conforme a legislação aplicável.

A proposta representa um avanço em relação aos R$ 2 mil de indenização citados pelo Sindicato após a primeira reunião com a empresa, em julho. Apesar disso, permanece abaixo da pauta divulgada pela entidade durante a mobilização.

No início de agosto, o Sindicato defendia indenização social de R$ 70 mil, manutenção dos benefícios por 14 meses e transferência para a fábrica de São José dos Campos ou outras unidades paulistas, com um ano de estabilidade para quem aceitasse a mudança.

Por que os trabalhadores da Parker estão em greve desde julho?

A greve começou em 20 de julho, três dias depois de a Parker comunicar a decisão de fechar a unidade de Jacareí. Desde então, os metalúrgicos defendem a manutenção da fábrica e dos empregos ou a construção de alternativas para os funcionários afetados.

A mobilização ganhou uma nova etapa em 3 de agosto. Trabalhadores e representantes sindicais montaram um acampamento em frente à Parker Filtros, em São José dos Campos, sede da companhia no Brasil.

O acampamento permanece como ponto de mobilização dos trabalhadores. O Sindicato afirma que o ato continuará enquanto houver disputa sobre os empregos e as condições oferecidas aos funcionários da unidade de Jacareí.

O encerramento ocorre em um período de mudanças importantes no mapa industrial da cidade. Em maio, a Avibras retomou as atividades em Jacareí após quatro anos de crise e mobilização, com 271 trabalhadores ativos na primeira etapa.

Em outro movimento relevante para a economia local, a Prefeitura avançou no processo de desapropriação da antiga fábrica da Caoa Chery em Jacareí. A planta deixou de produzir veículos em 2022 e tornou-se um dos principais símbolos do debate sobre emprego industrial no município.

O que a Parker afirma sobre o fechamento da fábrica?

No comunicado aos funcionários, divulgado pelo Sindicato dos Metalúrgicos, a companhia afirma que decidiu encerrar a unidade após uma avaliação das necessidades operacionais e da estrutura produtiva no Brasil.

A Parker diz que a decisão busca assegurar a sustentabilidade de suas operações no país. A empresa também declara que tentou construir uma solução consensual com os representantes dos trabalhadores, mas que não houve acordo.

A companhia afirma que pretende cumprir todas as obrigações legais e pagar as verbas rescisórias, além do pacote adicional de R$ 20 mil e dos benefícios por seis meses.

A Parker havia convocado os funcionários para reuniões presenciais na unidade de Jacareí às 14h desta quarta-feira (12), com apresentação dos valores individuais e das condições de desligamento.

O Sindicato, por sua vez, orientou os trabalhadores a não comparecer ao chamado da companhia. O material recebido pela reportagem não informa quantos funcionários compareceram nem o resultado de eventuais reuniões realizadas nesta quarta-feira.

Quando será a nova assembleia dos trabalhadores da Parker?

O Sindicato convocou uma assembleia para quinta-feira (13/08), às 6h30, em frente à Parker Filtros, matriz da empresa em São José dos Campos.

A reunião terá como pauta os próximos passos da mobilização após o comunicado de dispensa. A entidade deve discutir com os trabalhadores quais medidas sindicais e jurídicas poderão ser adotadas.

“A demissão em massa feita pela empresa foi um absoluto desrespeito aos trabalhadores e à legislação trabalhista. Não vamos aceitar essa afronta. Nossa luta em defesa dos empregos continua”, afirma a diretora do Sindicato Fatima Silva.

Qual é o impacto das demissões da Parker para Jacareí?

A fábrica empregava cerca de 100 metalúrgicos quando o fechamento foi anunciado em julho. O número definitivo de contratos extintos ainda depende da confirmação individual das dispensas.

Além do impacto direto sobre as famílias, o encerramento de uma indústria pode atingir fornecedores, prestadores de serviços, transportadoras e estabelecimentos comerciais que dependem da movimentação econômica criada pela fábrica.

Jacareí possui forte presença industrial e logística. Em fevereiro de 2026, a administração municipal apresentou uma projeção de 5 mil novos empregos para Jacareí ao longo de 2026. A perda de aproximadamente uma centena de postos industriais cria um impacto localizado importante dentro desse cenário.

O desfecho do caso da Parker agora depende das decisões empresariais, da mobilização dos trabalhadores e de eventual discussão na Justiça do Trabalho sobre a validade das dispensas durante a greve.

Parker Hannifin comunica demissões em Jacareí
Foto: Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (Divulgação)

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Perguntas frequentes sobre as demissões da Parker em Jacareí

Quantos trabalhadores da Parker foram demitidos em Jacareí?

O Sindicato afirma que a empresa comunicou a demissão de todos os trabalhadores da unidade, mas ainda apura quantos receberam a notificação. A fábrica possuía cerca de 100 funcionários quando o fechamento foi anunciado.

Quando começaram as demissões da Parker em Jacareí?

Os comunicados de dispensa foram enviados por WhatsApp e telegrama na terça-feira, 11 de agosto de 2026.

Os trabalhadores da Parker ainda estão em greve?

Sim. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a greve começou em 20 de julho e permanece ativa contra o fechamento da unidade de Jacareí.

Quanto a Parker oferece de indenização?

A empresa informou que oferecerá R$ 20 mil líquidos em parcela única aos empregados elegíveis, além de seis meses de assistência médica e odontológica e seis meses de vale-alimentação.

Quando será a assembleia dos trabalhadores da Parker?

A assembleia foi convocada para quinta-feira, 13 de agosto, às 6h30, em frente à Parker Filtros, em São José dos Campos.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.