Polícia apreende dólares suspeitos de falsificação em Aparecida; caso vai à PF

A Polícia apreendeu US$ 1.052 em cédulas de dólar sob suspeita de falsificação após relatos de compras no comércio de Aparecida. A ocorrência teve início na manhã de domingo (11/10), na região central da cidade, após comerciantes relatarem à Polícia Militar que duas mulheres teriam usado notas de dólar suspeitas em estabelecimentos locais.

Não houve prisão em flagrante. A Polícia Civil registrou o caso como moeda falsa e encaminhou a documentação para a Polícia Federal em Cruzeiro.

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O boletim de ocorrência aponta que policiais militares faziam patrulhamento a pé pela área central e comercial de Aparecida quando receberam informações de comerciantes sobre duas mulheres que teriam feito compras com cédulas norte-americanas consideradas suspeitas.

A equipe localizou as duas mulheres e fez a abordagem.

Com uma delas, os policiais encontraram US$ 902.

O valor era composto por seis notas de US$ 100, seis notas de US$ 50 e duas notas de US$ 1.

Com a outra mulher, o boletim não registra localização de objeto ilícito durante a abordagem.

A Polícia também apreendeu uma caneta rosa que, de acordo com o registro policial, seria supostamente usada para verificar dinheiro falso.

Comerciante apresentou mais US$ 150 à Polícia Civil

Durante a apuração, um comerciante de Aparecida compareceu ao plantão policial e apresentou três notas de US$ 50, no total de US$ 150.

Ele declarou que teria recebido o dinheiro das duas mulheres em setembro de 2026, durante uma compra em seu estabelecimento.

Com isso, o total de dólares relacionados à ocorrência chegou a US$ 1.052.

São 17 cédulas ao todo: seis notas de US$ 100, nove de US$ 50 e duas de US$ 1.

O registro policial trata o dinheiro como suspeito.

Esse cuidado é importante porque a equipe informou no próprio boletim que não possuía condições técnicas para confirmar, naquele momento, se as cédulas eram verdadeiras ou falsas.

Por isso, a reportagem não trata os US$ 1.052 como dinheiro falso já comprovado.

Relatos de comerciantes deram origem à abordagem

Os policiais afirmaram que comerciantes da cidade citaram episódios de compras com notas de dólar supostamente falsas.

O boletim também registra que algumas pessoas disseram reconhecer as duas mulheres por situações anteriores semelhantes.

Essas informações aparecem como relatos prestados aos policiais e ainda dependem de apuração.

De acordo com o documento, também havia fotografias e outras imagens que mostrariam a presença das investigadas em Aparecida em ocasião anterior.

Essa informação teria chamado a atenção dos policiais porque as duas disseram que haviam chegado recentemente ao município, que estavam hospedadas na cidade e que depois seguiriam para São Paulo.

As duas negaram irregularidades e sustentaram que as cédulas eram autênticas.

Na delegacia, exerceram o direito constitucional ao silêncio.

Polícia não confirmou falsificação das notas no plantão

O ponto central da ocorrência é a necessidade de perícia.

O boletim afirma de forma expressa que a equipe não tinha condições técnicas de confirmar a autenticidade ou eventual falsidade das cédulas apreendidas.

Isso significa que o resultado final depende de exame especializado.

A condição é semelhante à orientação dada pelo Banco Central para qualquer cédula suspeita: a aparência diferente ou a desconfiança de quem recebe dinheiro não substitui a análise técnica.

O Banco Central orienta que notas sob suspeita sejam encaminhadas para avaliação e alerta que uma cédula não deve voltar à circulação após surgir suspeita sobre sua autenticidade.

A simples posse de uma nota que desperta dúvida também não prova, de forma automática, prática criminosa.

É necessário esclarecer a autenticidade da moeda, a origem do dinheiro e as circunstâncias em que as cédulas chegaram às pessoas investigadas.

Caso foi encaminhado à Polícia Federal em Cruzeiro

A autoridade policial de Aparecida registrou contato com um delegado da Polícia Federal em Cruzeiro para informar os fatos apurados.

Após a comunicação, os documentos produzidos na ocorrência foram remetidos à autoridade federal.

A Polícia Federal possui atribuição para investigar crimes de moeda falsa.

O artigo 289 do Código Penal alcança tanto moeda brasileira quanto papel-moeda de curso legal no exterior.

A lei estabelece pena de três a 12 anos de reclusão, além de multa, para a falsificação de moeda.

A mesma faixa de pena pode atingir, conforme a situação comprovada na investigação, quem adquire, vende, troca, guarda ou coloca moeda falsa em circulação.

Isso não significa que as duas mulheres já respondam definitivamente por todas essas condutas.

O boletim representa o início da apuração, e a confirmação de crime depende das provas reunidas no inquérito.

Ninguém foi preso em flagrante

Embora o boletim registre duas mulheres na condição de investigadas, a ocorrência consta expressamente como sem flagrante.

Não houve prisão das abordadas naquele registro.

Após a apresentação do caso, a Polícia Civil reuniu as cédulas, a caneta e as informações dos comerciantes para as providências cabíveis.

A apuração deverá esclarecer a origem dos dólares e se as notas são autênticas.

Também será necessário verificar se houve uso de cédulas irregulares em estabelecimentos de Aparecida e se as mulheres tinham conhecimento de eventual falsidade.

Essa diferença jurídica é relevante.

Uma pessoa pode receber uma cédula falsa sem saber da fraude. O Código Penal prevê tratamento diferente para quem recebe dinheiro de boa-fé e só depois descobre a falsidade.

Aparecida já teve apreensão de notas falsas

O caso atual não é o primeiro registro de moeda suspeita no município, mas não existe informação de relação entre as ocorrências.

Em outubro de 2022, o Vale 360 News publicou que um casal foi preso com R$ 21,4 mil em notas falsas em Aparecida.

Naquele episódio, a Polícia Militar encontrou cédulas de R$ 200 dentro de um veículo e encaminhou o casal à Polícia Federal.

Em outro caso regional, a Polícia Federal realizou uma operação contra o uso de notas falsas no comércio de Caçapava após investigação sobre cédulas que teriam chegado pelos Correios.

O Vale 360 News também publicou o caso de um homem preso após receber R$ 3 mil em notas falsas em Campos do Jordão.

As ocorrências possuem investigados, datas e circunstâncias distintas.

Comércio de Aparecida concentra grande circulação de visitantes

Aparecida recebe intenso movimento de turistas e romeiros, principalmente em períodos próximos ao Dia de Nossa Senhora Aparecida.

Esse fluxo também amplia a circulação de dinheiro em hotéis, restaurantes, lojas, estacionamentos e outros estabelecimentos.

Por isso, relatos de uso de moeda estrangeira ou notas suspeitas exigem atenção de comerciantes e das autoridades.

Em 2025, o Vale 360 News acompanhou uma operação da Receita Federal contra comércio irregular em Aparecida, naquele caso com foco em produtos falsificados, cigarros eletrônicos e eletrônicos irregulares.

Os fatos não possuem ligação conhecida com a investigação dos dólares.

O contexto mostra apenas que a região comercial da cidade recebe ações frequentes de fiscalização por causa do grande volume de negócios e visitantes.

Investigação deverá esclarecer origem e autenticidade dos dólares

Os próximos passos dependem da análise técnica das cédulas e das diligências policiais.

A confirmação de falsificação é essencial para definir o rumo da investigação.

Também será necessário apurar a procedência dos US$ 902 encontrados durante a abordagem e dos US$ 150 apresentados pelo comerciante.

Outro ponto será verificar os relatos sobre compras anteriores e eventuais imagens citadas no boletim.

Até a conclusão dessas etapas, as duas mulheres devem ser tratadas como investigadas.

Não existe, no boletim analisado, confirmação pericial de que os US$ 1.052 sejam falsos.

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Polícia apreende US$ 1.052 em notas suspeitas em Aparecida (Imagem/ Polícia Civil)

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