Arrecadação das entidades beneficentes no São João de Caçapava virou o principal ponto de crítica da ex-prefeita Pétala Lacerda (Republicanos) ao novo modelo de realização da festa. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que as instituições beneficentes podem perder até 70% da arrecadação ligada à venda de bebidas e disse que a festa tradicional, historicamente ligada ao apoio a entidades, estaria “descaracterizada” neste ano. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
A fala ocorre em meio à polêmica sobre o edital de chamamento público para o 20º Festival São João de Caçapava 2026. O documento prevê a celebração de termo de cooperação cultural com uma empresa parceira, sem transferência direta de recursos públicos municipais, para operacionalização, produção, execução, captação de patrocínio e apoio estrutural ao evento.
O ponto central do debate é o impacto econômico do novo formato sobre as entidades assistenciais. Segundo Pétala, a festa sempre teve caráter beneficente, com participação de instituições que atendem crianças, idosos, pessoas com deficiência e famílias em vulnerabilidade social.
O Vale 360 News analisou o edital. O documento confirma a participação das entidades, mas também estabelece limites: elas poderão comercializar bebidas como quentão e vinho quente.
Arrecadação das entidades beneficentes é alvo de crítica de Pétala
A arrecadação das entidades beneficentes foi o foco do posicionamento da ex-prefeita. No vídeo, Pétala afirmou que mudar o local da festa poderia ser discutido, mas criticou o que chamou de “vender a festa” sob a justificativa de uma parceria.
“Aqui nós já tivemos muitas festas de São João. E é uma festa tradicional, como vocês sabem, mas que principalmente beneficia as entidades, crianças, idosos, pessoas com deficiência, são instituições que vivem da renda dessa festa”, afirmou Pétala.
Ela também questionou a exploração comercial do evento. “Mudar de local, tudo bem, mas vender a festa? Dizer que é uma parceria público-privada? É uma forma muito bonita de se dizer que vai vender a festa”, disse.
A ex-prefeita ainda afirmou que, mesmo com entrada gratuita, o modelo pode prejudicar as entidades porque a empresa parceira precisaria obter retorno financeiro com a operação do evento.
O que diz o edital sobre as entidades beneficentes
O edital do São João de Caçapava 2026 afirma que o Espaço das Entidades Assistenciais é uma das principais estruturas de impacto social e fortalecimento comunitário da festa. O texto diz que a participação das instituições representa mecanismo de sustentabilidade financeira e fortalecimento institucional.
O documento também informa que os recursos arrecadados durante o evento impactam a manutenção das atividades realizadas ao longo do ano por entidades que atendem população em vulnerabilidade social, em áreas como assistência social, saúde, educação, cultura, esporte, inclusão, acolhimento, desenvolvimento humano e proteção social.
Segundo o edital, serão disponibilizados espaços padronizados para 26 entidades assistenciais do município. A seleção das instituições deve considerar o impacto das entidades, por meio de relatório de prestação de contas, e o tempo de atuação.
Arrecadação das entidades beneficentes: o ponto das bebidas
O trecho mais sensível para a arrecadação das entidades no São João de Caçapava está na regra sobre bebidas. O edital diz que as entidades poderão comercializar bebidas não alcoólicas, como água, sucos e refrigerantes. Ao mesmo tempo, veda a comercialização de qualquer tipo de bebida alcoólica pelas instituições.
Em outra publicação apartada publicada no diário oficial e depois do anúncio da empresa vencedora do chamamento público, a Prefeitura estabeleceu que as entidades só poderão vender vinho quente e quentão.
É nesse ponto que Pétala sustenta a crítica sobre a possível redução de arrecadação. Segundo ela, as instituições terão 70% a menos de arrecadação em relação à venda de bebidas.
O edital consultado pela reportagem, porém, não apresenta esse percentual de 70%. O documento também não informa estimativa de arrecadação por entidade, previsão de faturamento com bebidas, divisão de receitas com a empresa parceira ou comparação com anos anteriores.
Edital garante participação gratuita das entidades
O edital determina que a empresa interessada deverá garantir participação gratuita das entidades locais autorizadas pelo Município. O texto também afirma, em parágrafo específico, que fica expressamente proibida qualquer cobrança às entidades assistenciais participantes.
No termo de cooperação cultural, a parceira cultural deverá assegurar participação gratuita das entidades comunitárias, culturais, religiosas e assistenciais previamente autorizadas pelo Município.
Além disso, a empresa deverá garantir espaço gratuito às entidades locais definidas pelo Município e reservar espaço para artesanato e gastronomia tradicional.
Estrutura prometida para as entidades beneficentes
O edital prevê que cada entidade tenha espaço fechado com dimensão aproximada de 8m x 8m, balcão de atendimento, testeira de identificação, sistema básico de instalação elétrica, ponto de energia, internet para uso de maquininhas e apoio hidráulico e de esgoto.
O documento também prevê oito banheiros de uso exclusivo das entidades, 15 latões de lixo na área das instituições, limpeza de mesas e cadeiras pela organização da festa e 20 jogos de mesa em frente a cada entidade.
As entidades ficariam responsáveis apenas por equipamentos complementares necessários à operação específica, como lâmpadas internas, pias e utensílios próprios.
Entidades beneficentes poderão credenciar até 40 voluntários
O edital estabelece que cada entidade poderá contar com credenciamento operacional para até 40 voluntários. A medida tem como objetivo organizar identificação, acesso controlado às áreas internas e fluxo de abastecimento.
Também estão previstas áreas específicas de estacionamento operacional destinadas às entidades participantes, para guarda de veículos, transporte de materiais, abastecimento e apoio às atividades durante o evento.
Modelo do São João prevê patrocínio e exploração publicitária
O novo modelo de realização do São João de Caçapava prevê viabilização econômica por captação de patrocínios privados, exploração publicitária vinculada ao evento, cessão de espaços institucionais de ativação de patrocinadores e cotas de hospitalidade institucional.
O edital afirma que a exploração publicitária deve ter caráter acessório, temporário e vinculado à viabilização cultural do evento. O documento também diz que o instrumento não caracteriza concessão de serviço público, concessão de uso, permissão de uso ou parceria público-privada.
Mesmo assim, Pétala criticou o modelo e afirmou que a entrada gratuita não elimina a preocupação com a mudança do perfil beneficente da festa.
Entrada geral gratuita está prevista no edital
O edital veda cobrança de ingresso para acesso geral ao recinto do evento. O termo de cooperação cultural também afirma que o acesso da população ao recinto principal será integralmente gratuito.
O documento, no entanto, prevê espaços de hospitalidade institucional destinados a patrocinadores. Segundo o edital, esses espaços não descaracterizam a gratuidade do evento.
Para Pétala, a crítica não está centrada na cobrança de ingresso geral, mas no impacto que a reorganização comercial pode provocar na arrecadação das entidades no São João de Caçapava.
São João de Caçapava terá mudança de local e shows nacionais
O São João de Caçapava 2026 deve acontecer de 18 a 28 de junho, com programação cultural, missa, procissão do mastro, carros de boi, quadrilhas, jogos do Brasil, shows locais e apresentações nacionais.
Em matéria anterior, o portal mostrou que a programação do São João de Caçapava 2026 prevê 10 dias de festa. O evento deixará a Avenida Brasil e será realizado na Rua do Porto, no mesmo espaço onde ocorreu o rodeio.
O portal também mostrou que o edital prevê valores estimados que somam R$ 5,1 milhões em shows nacionais na Festa de São João de Caçapava. Os nomes das atrações nacionais ainda não haviam sido divulgados nas matérias anteriores.
Festa sempre teve peso beneficente em Caçapava
A festa tem tradição centenária no município e, segundo o edital, é uma manifestação cultural popular realizada há mais de 100 anos, originalmente vinculada à Paróquia Nossa Senhora D’Ajuda e, há 20 anos, sob execução do Município de Caçapava.
Em 2022, o Vale 360 News mostrou que a Festa de São João de Caçapava se destacava pelo aspecto beneficente, com participação de 19 entidades assistenciais responsáveis por barracas e venda de comidas típicas.
Naquele formato, a renda obtida nas barracas era destinada aos projetos sociais desenvolvidos por cada instituição. Esse histórico ajuda a explicar por que a arrecadação das entidades no São João de Caçapava virou o centro da polêmica.
Resumo do que o edital prevê para as entidades
- Participação: gratuita para entidades autorizadas pelo Município
- Quantidade: 26 entidades assistenciais
- Espaço: estrutura padronizada, com área aproximada de 8m x 8m por entidade
- Infraestrutura: energia, internet, banheiros exclusivos, mesas, limpeza e apoio operacional
- Voluntários: até 40 credenciados por entidade
- Bebidas permitidas: quentão e vinho quente
- Bebidas proibidas: qualquer tipo de bebida
- Cobrança das entidades: proibida pelo edital
- Percentual de perda: o edital não informa o índice de 70% citado por Pétala

Perguntas frequentes
O que Pétala Lacerda criticou no São João de Caçapava?
Pétala Lacerda criticou o novo modelo de realização da festa e afirmou que as entidades beneficentes podem perder arrecadação com a mudança na venda de bebidas.
Qual é o principal ponto da crítica?
O principal ponto é a arrecadação das entidades no São João de Caçapava, especialmente em relação à venda de bebidas durante a festa.
Pétala falou em perda de quanto?
Segundo Pétala, as entidades terão 70% a menos de arrecadação em relação à venda de bebidas.
O edital confirma esse percentual de 70%?
Não. O edital consultado pela reportagem não apresenta o percentual de 70% citado pela ex-prefeita.
O que o edital permite que as entidades vendam?
O edital permite que as entidades vendam bebidas não alcoólicas, como água, sucos e refrigerantes. Mas publicação apartada divulgada no diário oficial, depois que a empresa vencedora foi divulgada, mudou as regras do jogo e diz que as entidades só podem vender quentão e vinho quente.
As entidades poderão vender bebida alcoólica?
Não. O edital veda a comercialização de qualquer tipo de bebida alcoólica pelas entidades.
As entidades terão que pagar para participar?
Não. O edital determina participação gratuita e proíbe qualquer tipo de cobrança às entidades assistenciais participantes.
Quantas entidades estão previstas?
O edital prevê espaços padronizados para 26 entidades assistenciais do município.
A entrada da festa será gratuita?
Sim. O edital veda cobrança de ingresso para acesso geral ao recinto principal do evento.
O que ainda não está claro?
O edital não informa estimativa de arrecadação por entidade, divisão de receitas com a empresa parceira ou comparação com anos anteriores.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

