Chuva de setembro de 2026 bate recorde em Campos do Jordão e passa de 150 mm em Taubaté e Cachoeira Paulista

A chuva de setembro de 2026 no Vale do Paraíba já colocou o mês entre os mais chuvosos das séries automáticas analisadas pelo Vale 360 News a partir de dados oficiais do INMET. Até as 14h deste sábado (12/09), Campos do Jordão acumulava 157,6 milímetros e já superava o maior setembro confiável da estação automática local. Cachoeira Paulista registrava 167,8 mm e Taubaté, 151,6 mm; nas duas cidades, o mês já ocupa a segunda posição nas respectivas séries analisadas, apesar de setembro ainda ter mais de duas semanas pela frente. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

O levantamento foi feito pelo Vale 360 News exclusivamente com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A análise considerou os arquivos históricos anuais disponíveis entre 2000 e 2025 e os registros horários operacionais de 2026 disponíveis até 17h UTC deste sábado, equivalentes às 14h no horário de Brasília.

Entre as três estações com dados válidos de precipitação em setembro de 2026, Cachoeira Paulista apresenta o maior acumulado absoluto, com 167,8 mm. Campos do Jordão, porém, é a cidade que já estabeleceu uma nova marca para setembro dentro da série automática confiável analisada.

São Luiz do Paraitinga também entrou no levantamento, mas ficou fora da comparação de 2026 porque a variável de precipitação da estação automática está sem leituras válidas neste mês. Isso não significa que não tenha chovido na cidade.

Quanto já choveu em setembro de 2026 no Vale do Paraíba?

Os acumulados das estações automáticas do INMET analisadas pelo Vale 360 News até as 14h de sábado mostram volumes superiores a 150 mm em três pontos da região.

Estação Acumulado até 12/09 Posição na série
Cachoeira Paulista 167,8 mm 2º maior setembro
Campos do Jordão 157,6 mm Recorde da série
Taubaté 151,6 mm 2º maior setembro
São Luiz do Paraitinga Sem dados válidos Fora da comparação
Acumulado de chuva entre 1º e 12 de setembro de 2026, até 14h. Fonte: INMET, estações automáticas A706, A728, A740 e A769.

Os números de 2026 são parciais e podem aumentar até o fim do mês. Além disso, os dados operacionais disponibilizados pelo INMET ainda podem passar por procedimentos posteriores de controle de qualidade.

Campos do Jordão bateu recorde de chuva em setembro?

Sim, dentro da série automática analisada e entre os meses com cobertura adequada de dados. A estação A706, de Campos do Jordão, acumulou 157,6 mm entre o início do mês e as 14h deste sábado.

Setembro Acumulado
2026 (até dia 12, parcial) 157,6 mm
2015 (recorde anterior) 139,2 mm
Estação A706, Campos do Jordão. Série automática desde março de 2002. Fonte: INMET.

O maior acumulado anterior entre os meses de setembro considerados confiáveis era de 139,2 mm, em 2015. Setembro de 2026, portanto, já supera a antiga marca em 18,4 mm, diferença de aproximadamente 13,2%.

O resultado chama ainda mais atenção porque foi alcançado em apenas 12 dias.

Há, porém, uma ressalva fundamental: a estação automática A706 começou a operar em março de 2002. Portanto, o resultado representa o maior setembro da série automática disponível e considerada confiável dessa estação, e não necessariamente o maior volume de chuva de toda a história de Campos do Jordão.

Por que alguns anos de Campos do Jordão ficaram fora da comparação?

A análise encontrou períodos com falhas nas medições. O Vale 360 News adotou um critério de cobertura mínima justamente para evitar comparações distorcidas.

Setembro de 2002, por exemplo, apresentou pelo menos 78,4 mm, mas teve 43 horas sem dados. Os anos de 2004, 2005, 2006, 2008 e 2022 apresentaram lacunas ainda maiores e não entraram no ranking principal.

Essa separação é importante porque simplesmente somar os valores disponíveis poderia fazer um mês com várias horas sem medição parecer artificialmente mais seco.

Quanto falta para Taubaté bater o recorde de setembro?

Taubaté está a apenas 21,4 mm de igualar o maior setembro da série automática confiável analisada. A estação A728 acumulava 151,6 mm até as 14h deste sábado.

Setembro Acumulado
2026 (até dia 12, parcial) 151,6 mm
2022 (recorde da série) 173,0 mm
Estação A728, Taubaté. Série automática desde dezembro de 2006. Fonte: INMET.

O maior setembro da série analisada ocorreu em 2022, quando o INMET registrou 173,0 mm. Isso significa que, em apenas 12 dias, setembro de 2026 já atingiu aproximadamente 87,6% de toda a chuva registrada em setembro de 2022.

A estação A728 começou a operar em dezembro de 2006. Por isso, o primeiro setembro completo disponível para comparação é o de 2007.

Os anos de 2008, 2009 e 2010 ficaram fora do ranking principal devido à quantidade de horas sem medição. Setembro de 2024 também apresentou cobertura insuficiente, com apenas 252 das 720 horas do mês com dados válidos de precipitação.

Cachoeira Paulista pode bater o recorde de chuva?

Cachoeira Paulista registra o maior volume entre as três estações com dados válidos neste setembro: 167,8 mm. O recorde da série analisada, porém, permanece mais distante.

Setembro Acumulado
2026 (até dia 12, parcial) 167,8 mm
2022 (recorde da série) 232,2 mm
2019 (3º maior da série) 62,8 mm
Estação A769, Cachoeira Paulista. Série automática desde outubro de 2017. Fonte: INMET.

Em setembro de 2022, a estação A769 acumulou 232,2 mm. O volume de 2026 já representa aproximadamente 72,3% daquela marca. Para igualar o maior setembro da série analisada, seriam necessários outros 64,4 mm até o fim do mês.

Mesmo sem recorde até agora, o acumulado de 2026 se destaca em relação aos demais anos. Os 167,8 mm registrados em 12 dias correspondem a mais de duas vezes e meia os 62,8 mm de setembro de 2019, terceiro maior valor confiável da série analisada.

A estação A769 começou a operar em outubro de 2017, o que faz de setembro de 2018 o primeiro mês completo disponível para a comparação. Os anos de 2021, 2024 e 2025 ficaram fora do ranking principal devido a falhas significativas nas medições.

Por que São Luiz do Paraitinga não aparece no ranking de 2026?

Não há dados válidos de precipitação disponíveis na estação A740 do INMET para setembro de 2026 no período analisado. A estação fornece neste mês outras informações meteorológicas, como temperatura, umidade e pressão, mas a coluna referente à precipitação aparece sem leituras.

Foram verificadas as horas disponíveis entre 1º de setembro e 17h UTC de 12 de setembro. Nenhuma apresentava leitura válida de chuva.

Por isso, não seria correto afirmar que São Luiz do Paraitinga teve zero milímetro de precipitação. A informação tecnicamente adequada é que não existem dados de chuva disponíveis pela estação A740 para o período analisado.

Entre os meses com cobertura adequada, setembro de 2018 registrou 100,6 mm na estação.

Em 2022, há registro de pelo menos 144,8 mm, mas 69 horas do mês ficaram sem dados de precipitação. Como quase 10% do período não possui medição, o volume real pode ter sido superior e o mês não entrou como série completa no ranking principal.

Como o Vale 360 News calculou os acumulados históricos?

O levantamento utilizou exclusivamente arquivos oficiais do INMET. Foram processados os arquivos históricos anuais disponibilizados pelo instituto entre 2000 e 2025. Em cada arquivo, o Vale 360 News localizou as estações A706, de Campos do Jordão; A728, de Taubaté; A740, de São Luiz do Paraitinga; e A769, de Cachoeira Paulista.

Depois, foram separados apenas os registros entre 1º e 30 de setembro de cada ano. A variável analisada foi “PRECIPITAÇÃO TOTAL, HORÁRIO (mm)”. Os valores horários válidos foram somados para obter o acumulado de cada mês.

Como setembro possui 30 dias, um mês completo normalmente apresenta 720 registros horários. Para o ranking principal, foram considerados somente os meses que apresentaram pelo menos 99% das horas com dados válidos de precipitação.

Meses com falhas superiores a esse limite foram separados da classificação. O critério evita que períodos de indisponibilidade dos equipamentos criem falsos meses secos ou alterem a posição dos maiores acumulados.

Por que setembro de 2026 já chama atenção no Vale do Paraíba?

Além dos números das estações do INMET, os impactos da sequência de chuva já apareceram em diferentes pontos da região.

Impacto em cidades e serviços

Em Jacareí, a Defesa Civil municipal informou que a chuva chegou a 123,1 mm apenas nos primeiros dez dias de setembro, volume superior ao registrado durante todo o mês de setembro de 2024 e 2025. Os dados de Jacareí têm origem em monitoramento da Defesa Civil e, portanto, não integram o ranking do INMET elaborado nesta reportagem, mas ajudam a mostrar a abrangência regional do período chuvoso.

Em Aparecida, a Prefeitura chegou a suspender aulas nos períodos da tarde e da noite de sexta-feira diante do risco de temporal, após o município acumular 98 milímetros de chuva desde o início do mês.

Em Guaratinguetá, o Rio Piagui subiu cerca de 1,5 metro em apenas uma hora e levou a Prefeitura a preparar uma escola para acolher moradores retirados de suas casas na Colônia do Piagui.

Impacto nas rodovias

A sequência de precipitação também afetou a ligação entre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte. A Serra Antiga da Tamoios chegou a ser fechada por causa do risco de queda de barreiras, foi liberada após 22 horas e meia de interdição e precisou ser fechada novamente poucas horas depois diante da continuidade da chuva.

Já na Rodovia Carvalho Pinto, em Jacareí, um acidente fatal na madrugada de sábado teve registro de chuva durante parte do atendimento, embora a apuração ainda não tenha estabelecido relação entre o clima e a colisão.

Risco de deslizamento

Em Ubatuba, o acumulado de chuva ultrapassou 100 milímetros em 72 horas no bairro Araribá e colocou a Defesa Civil em mobilização. Posteriormente, o Cemaden ampliou o alerta de deslizamento para sete cidades do Vale do Paraíba, da Serra da Mantiqueira e do Litoral Norte: São Sebastião, Campos do Jordão, Caraguatatuba, São José dos Campos, Ubatuba, Ilhabela e Paraibuna.

Como a previsão antecipou o cenário

Antes dos maiores acumulados, o Vale 360 News já havia mostrado que a Defesa Civil previa chuva de até 70 mm em partes do Vale do Paraíba e Litoral Norte. A instabilidade persistiu nos dias seguintes.

Na quinta-feira (10), o pesquisador e meteorologista do INPE Gustavo Escobar também explicou ao Vale 360 News que uma massa de ar úmida e instável mantinha condições para chuva forte no Vale do Paraíba, com distribuição irregular dos volumes.

É possível dizer que este é o setembro mais chuvoso da história do Vale do Paraíba?

Não. Os dados analisados não sustentam essa conclusão para toda a região. As quatro estações começaram a operar em anos diferentes. Campos do Jordão possui dados automáticos desde 2002; Taubaté, desde o fim de 2006; São Luiz do Paraitinga, desde 2007; e Cachoeira Paulista, desde 2017.

Além disso, existem anos com falhas de medição e uma estação meteorológica representa as condições no ponto onde está instalada, não necessariamente todo o território de uma cidade.

O que o levantamento permite afirmar é que Campos do Jordão já registra o maior setembro da série automática confiável da estação A706 analisada. Taubaté e Cachoeira Paulista já têm o segundo maior setembro das respectivas séries consideradas confiáveis, com possibilidade de mudança no ranking até o fim do mês.

São Luiz do Paraitinga permanece fora da comparação de 2026 pela ausência de dados válidos de precipitação.

Os números de chuva ainda podem mudar?

Sim. Os dados utilizados nesta reportagem terminam às 14h deste sábado (12), e setembro ainda possui mais de duas semanas pela frente. Qualquer novo episódio de chuva aumentará os acumulados de Campos do Jordão, Taubaté e Cachoeira Paulista.

Em Taubaté, uma diferença de apenas 21,4 mm separa 2026 do maior setembro da série analisada. Cachoeira Paulista precisa de 64,4 mm para alcançar os 232,2 mm de 2022. Campos do Jordão já estabeleceu uma nova marca dentro do critério adotado e poderá ampliar a diferença em relação aos 139,2 mm registrados em setembro de 2015.

Há ainda outra ressalva: os números de 2026 são dados operacionais das estações automáticas do INMET e podem passar por controle de qualidade posterior.

Por isso, o levantamento representa a situação dos dados oficiais disponíveis até as 14h de 12 de setembro de 2026.

Chuva de setembro
Foto: Prefeitura de Campos do Jordão

ENTRE NO GRUPO DE NOTÍCIAS DO VALE DO PARAÍBA

Links recomendados

Leia também — cobertura completa da chuva de setembro

Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.