Descaso em Caçapava? Desabafo de mãe atípica cobra dados e expõe anos de espera por terapias na saúde

Desabafo de mãe atípica ganhou atenção durante a audiência pública de prestação de contas da Secretaria de Saúde de Caçapava, referente ao primeiro quadrimestre, realizada na Câmara Municipal nesta quinta-feira (28/05), quando a munícipe Roseli cobrou dados, terapias, acolhimento e atendimento digno para crianças autistas e neurodivergentes. A fala expôs uma cobrança direta sobre filas, falta de profissionais especializados, atendimento no CAPS Infantil, projeto Conecta e funcionamento da rede municipal de saúde. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

A manifestação ocorreu quando a palavra foi concedida aos munícipes. Roseli se apresentou como mãe atípica e afirmou que leria o texto por não ter costume de falar em público. Em seguida, fez uma fala dura sobre a realidade de famílias que aguardam consultas, diagnósticos, terapias, medicamentos e acompanhamento especializado em Caçapava.

Ao longo do discurso, a munícipe cobrou respostas da área da saúde sobre o número de crianças autistas que aguardam avaliação e atendimento especializado, o prazo real para início de tratamento após encaminhamento médico e a falta de profissionais para atender uma demanda que, segundo ela, cresce no município.

Mãe atípica em Caçapava cobram dados sobre crianças na fila

As mães atípicas em Caçapava foram representadas na fala de Roseli por uma cobrança objetiva: quantas crianças autistas estão atualmente aguardando avaliação, terapias e atendimento especializado no município?

Durante a audiência, ela questionou se a Secretaria de Saúde possui levantamento atualizado sobre a fila e qual seria o tempo real entre o encaminhamento médico e o início do tratamento.

“Alguém tem esse número? Alguém tem esse levantamento?”, questionou a mãe, ao cobrar respostas dos representantes da área da saúde presentes na audiência.

Demora compromete desenvolvimento, diz Roseli

Roseli afirmou que a demora por consultas, diagnóstico, terapias, medicamentos e acompanhamento especializado compromete diariamente o desenvolvimento e a qualidade de vida das crianças.

Segundo ela, no caso de uma criança autista, cada dia sem intervenção adequada pode fazer diferença no desenvolvimento.

A fala colocou no centro da audiência um ponto sensível para famílias atípicas: o tempo de espera não é apenas uma questão administrativa. Para essas famílias, a demora pode representar perda de evolução, regressão de habilidades, sobrecarga emocional e aumento do sofrimento de mães, pais e cuidadores.

CAPS Infantil e Conecta foram citados no desabafo

Roseli também citou o CAPS Infantil de Caçapava. Ela afirmou ter apreço pelo trabalho da área da saúde, mas disse que o serviço precisa melhorar em atendimento, acolhimento e cuidado com as crianças.

Na fala, ela também mencionou o projeto Conecta, usado por famílias como apoio no atendimento a crianças atípicas. Segundo Roseli, foi informado durante a audiência que o atendimento teria caído de 135 para 75 crianças.

Para ela, o número é insuficiente diante do tamanho da demanda no município. “Setenta e cinco crianças não é nada”, afirmou, ao dizer que apenas em seu bairro seria possível encontrar mais de 20 crianças atípicas.

O que Roseli cobrou na audiência da Saúde

Cobrança feita na audiência Ponto central
Levantamento de dados Quantidade de crianças autistas aguardando avaliação, terapias e atendimento especializado
Prazo real de tratamento Tempo entre encaminhamento médico e início das terapias
Profissionais especializados Falta de fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e equipe multidisciplinar
CAPS Infantil Críticas sobre acolhimento, cuidado e qualidade do atendimento
Projeto Conecta Questionamento sobre redução de crianças atendidas
Judicialização Famílias que precisam recorrer à Justiça para garantir direitos
Absenteísmo Cobrança de controle não apenas dos pacientes, mas também dos profissionais
Fusam Relatos pessoais de demora, erro e descaso no atendimento

“Não é meses. São anos”, diz mãe atípica sobre espera por atendimento

Um dos momentos mais fortes da fala ocorreu quando Roseli afirmou que mães enfrentam anos de espera por atendimento aos filhos.

Ela disse ter esperado mais de três anos por diferentes demandas relacionadas ao filho e afirmou conhecer mães que aguardam há mais de cinco anos por soluções para os filhos.

“Não é meses. São anos”, afirmou.

Roseli também declarou que, na prática, faltam profissionais como fonoaudiólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional. Segundo ela, quando há atendimento, há casos em que a sessão não ocorre pelo tempo adequado.

Mãe relata que filho evoluiu com terapia particular

Durante o desabafo, Roseli contou que tem um filho de 13 anos com Transtorno do Espectro Autista. Segundo ela, o menino já foi nível 3 de suporte e hoje é nível 2, evolução que atribui à busca da família por atendimento particular.

Ela afirmou que o filho faz fonoaudiologia particular duas vezes por semana e que, se dependesse apenas do município, talvez ele não tivesse alcançado o desenvolvimento atual.

A fala reforçou uma desigualdade frequente relatada por famílias atípicas: quem consegue pagar, busca terapias particulares; quem não consegue, permanece dependente da rede pública, das filas, de projetos, de ONGs ou da judicialização.

Judicialização foi tratada como sinal de falha no acesso

Roseli questionou por que tantas famílias precisam recorrer à Justiça para obter atendimento que, segundo ela, já é direito das crianças.

Ela citou o Estatuto da Criança e do Adolescente e leis voltadas à pessoa com deficiência para defender que crianças autistas e neurodivergentes têm direito a atendimento e cuidado adequado.

Na fala, a munícipe afirmou que políticas públicas coerentes não podem existir apenas no papel. Para ela, o município precisa apresentar levantamento de dados, número de famílias, localização das crianças, necessidade de transporte e capacidade real de atendimento.

Fusam também foi alvo de críticas durante a audiência

Além da pauta das crianças atípicas, Roseli fez críticas ao atendimento na Fusam. Ela relatou situações pessoais e afirmou conhecer casos de óbitos, demora, erro médico ou descaso.

Entre os relatos, citou o caso de um irmão que, segundo ela, teria passado 24 horas em atendimento na Fusam, recebido alta com receita de dipirona e, depois, precisado ser levado a São José dos Campos para cirurgia de emergência.

Ela também mencionou um sobrinho que, segundo seu relato, teria ficado em estado vegetativo por erro médico. As declarações foram feitas pela munícipe durante a audiência pública e devem ser tratadas como relatos pessoais, ainda sem manifestação da Secretaria de Saúde ou da Fusam no material encaminhado à reportagem.

“Nossa saúde não é referência para ninguém”, afirma Roseli

Em tom de indignação, Roseli contestou discursos de que a saúde de Caçapava seria referência. Para ela, a realidade vivida por famílias e pacientes não corresponde a essa avaliação.

“Nossa cidade não está um brinco. A nossa saúde não é referência para ninguém”, disse a munícipe durante a fala.

A declaração foi feita em uma audiência que tinha como objetivo apresentar a prestação de contas da Secretaria de Saúde referente ao primeiro quadrimestre, mas acabou abrindo espaço para uma cobrança pública sobre a qualidade do atendimento percebida por moradores.

Absenteísmo de pacientes e de profissionais entrou no debate

Roseli também mencionou a discussão sobre absenteísmo, termo usado para tratar das faltas a consultas e atendimentos.

Ela questionou se há controle rigoroso sobre a presença e a conduta dos profissionais nos locais de trabalho. Segundo a munícipe, o debate não pode recair apenas sobre pacientes que faltam, sem verificar se a rede consegue acolher, informar, transportar e atender corretamente as famílias.

Para Roseli, o poder público precisa saber onde a família mora, se conseguiu transporte, se recebeu orientação e se teve condições reais de comparecer ao atendimento.

A cobrança por dados concretos

A fala de Roseli teve um eixo central: a falta de dados públicos claros sobre a demanda das crianças autistas e neurodivergentes no município.

Ela cobrou números sobre quantas crianças aguardam atendimento, quantas são atendidas, onde moram, quais terapias precisam, qual o tempo de espera e qual a capacidade da rede.

Sem esse diagnóstico, a avaliação da munícipe é que a política pública fica presa a discursos genéricos. “Não é só falar: eu estou fazendo, eu estou olhando. É levantamento de dados”, afirmou.

Por que o tema impacta famílias de Caçapava

O tema tem impacto direto para famílias que dependem do SUS, da rede municipal, de projetos complementares ou de decisões judiciais para garantir acompanhamento a crianças autistas e neurodivergentes.

Para crianças em fase de desenvolvimento, terapias como fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e acompanhamento multidisciplinar podem influenciar comunicação, autonomia, interação social, regulação emocional e qualidade de vida.

Quando o atendimento demora, a família enfrenta sobrecarga financeira, emocional e logística. Muitas mães deixam trabalho, reorganizam rotina e passam a viver entre consultas, filas, laudos, escolas, medicamentos e tentativas de conseguir vaga.

O que a Secretaria de Saúde precisa responder

Depois do desabafo, a cobrança pública deixa perguntas objetivas para a Secretaria de Saúde de Caçapava.

Pergunta Por que importa
Quantas crianças autistas aguardam atendimento especializado? Sem esse número, não há diagnóstico real da demanda
Qual é o prazo médio de espera após encaminhamento médico? Permite medir se o acesso é oportuno ou tardio
Quantos profissionais especializados atendem a rede? Ajuda a verificar se a estrutura acompanha a demanda
Quantas crianças são atendidas pelo CAPS Infantil e por projetos parceiros? Mostra a capacidade atual de atendimento
Há fila reprimida para fono, psicologia e terapia ocupacional? Essas áreas são centrais no cuidado de muitas crianças neurodivergentes
Existe controle de absenteísmo de pacientes e profissionais? Permite avaliar faltas, cancelamentos, atrasos e perda de sessões
Há plano para ampliar terapias e reduzir judicialização? Indica se o município atua antes de a família precisar ir à Justiça

Espaço segue aberto

O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Caçapava, da Secretaria Municipal de Saúde e da Fusam sobre os pontos levantados por Roseli durante a audiência pública.

Caso haja envio de posicionamento oficial, a matéria poderá ser atualizada com as respostas sobre fila, número de atendimentos, estrutura de profissionais, CAPS Infantil, Conecta, Fusam e medidas previstas para as famílias atípicas.

Perguntas frequentes

O que aconteceu na audiência pública da Saúde de Caçapava?

Durante a audiência de prestação de contas da Secretaria de Saúde, a munícipe Roseli fez um desabafo sobre a realidade das mães atípicas em Caçapava e cobrou dados, terapias e atendimento especializado.

Quem fez a fala sobre mães atípicas em Caçapava?

A fala foi feita por Roseli, que se apresentou como mãe atípica e relatou dificuldades enfrentadas por famílias de crianças autistas e neurodivergentes no município.

Quais foram as principais cobranças?

Roseli cobrou levantamento de crianças na fila, prazo real para início do tratamento, mais profissionais especializados, melhoria no CAPS Infantil e atendimento contínuo com terapias multidisciplinares.

O projeto Conecta foi citado?

Sim. Roseli citou o Conecta e afirmou que, segundo informação mencionada na audiência, o atendimento teria caído de 135 para 75 crianças.

O CAPS Infantil de Caçapava foi criticado?

Sim. A munícipe afirmou que o CAPS Infantil precisa melhorar em atendimento, acolhimento e cuidado com as crianças.

Roseli falou sobre a Fusam?

Sim. Ela relatou experiências pessoais e críticas sobre demora, erro, descaso e qualidade do atendimento na Fusam.

Por que a falta de terapias preocupa famílias atípicas?

Porque crianças autistas e neurodivergentes podem precisar de acompanhamento contínuo, e a demora pode afetar desenvolvimento, comunicação, autonomia e qualidade de vida.

O que a Secretaria de Saúde precisa esclarecer?

Entre os pontos estão número de crianças na fila, prazo de espera, quantidade de profissionais, capacidade do CAPS Infantil, atendimento do Conecta e plano para reduzir filas e judicialização.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.