Em Ubatuba, homem é preso com 59 kg de “pepino-do-mar”, espécie criticamente vulnerável. A apreensão foi da Polícia Ambiental, que estourou um depósito clandestino usado para beneficiamento e armazenamento de pepino-do-mar (invertebrado marinho) e prendeu em flagrante um homem, de 33 anos. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
No local, os agentes apreenderam 59 kg do animal — espécie “criticamente vulnerável” segundo a Portaria MMA 445/2018 — e apetrechos de processamento. A Vigilância Sanitária autuou o endereço e determinou a inutilização de toda a carga por estar imprópria para consumo.
Segundo o boletim, a equipe chegou ao imóvel após denúncia via SIGAM. O suspeito foi localizado dentro de um carro ligado em frente à casa desabitada usada como depósito.
No quintal havia estufas com exemplares do animal; no interior, balanças e embalagens. Inicialmente, o indiciado alegou consumo próprio.
Depois, disse comprar de dois pescadores não identificados de Paraty (RJ) por cerca de R$ 100/kg para revenda. Ele não apresentou licença nem documento de origem. A autoridade policial ratificou a prisão por crime ambiental e arbitrou fiança de R$ 2 mil.
O homem também foi multado pela Polícia Ambiental em R$ 6,7 mil.
O que foi apreendido
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59 kg de pepino-do-mar (invertebrado marinho) — carga destruída pela Vigilância Sanitária;
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Estrutura de processamento: estufas artesanais, exaustores, aquecedores, prateleiras de tela/grade, balanças, seladora, além de insumos (sal refinado, fitas, braçadeiras).
Por que é grave
O pepino-do-mar integra a fauna aquática e sua coleta/beneficiamento exige autorização. A exploração irregular ameaça o equilíbrio de costões e fundos marinhos, onde o animal atua como “faxineiro” do ecossistema ao reciclar matéria orgânica. O art. 33, II, da Lei 9.605 prevê detenção e multa para quem explora invertebrados aquáticos sem licença.
Próximos passos
O material e os apetrechos ficaram apreendidos; o indiciado foi submetido a exame cautelar e responderá por crime contra o meio ambiente. A investigação deve apurar cadeia de fornecimento (pescadores citados), destino comercial e eventuais coautores.

Mais sobre o pepino-do-mar
Os pepinos-do-mar (Holothuroidea) servem para muita coisa — na natureza e para as pessoas:
Na natureza
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“Minhocas do mar”: ingerem sedimento rico em matéria orgânica e o “limpam”, reciclando nutrientes (N, P) para a cadeia alimentar.
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Bioturbação: revolvem e oxigenam o fundo, ajudando microrganismos e outros invertebrados.
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Química da água: ao processar carbonatos no sedimento, podem aumentar a alcalinidade local, ajudando a tamponar a acidificação.
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Habitat e alimento: servem de presa para peixes e crustáceos e criam micro-habitats ao modificar o substrato.
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Relações curiosas: abrigam peixes-pérola e outros comensais dentro do corpo.
Para as pessoas
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Alimentação: muito valorizados na culinária asiática (bêche-de-mer/trepang); pesca e aquicultura geram renda costeira.
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Saúde e P&D: contêm saponinas triterpênicas (ex. holoturina), polissacarídeos (como sulfato de condroitina) e outros compostos estudados por atividade anti-inflamatória, antimicrobiana e antitumoral.
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Biomateriais/cosmética: extratos entram em cicatrizantes, suplementos e alguns cosméticos.
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Educação científica: modelo para estudar regeneração (eles regeneram partes do corpo).
Observação importante
A alta demanda levou a sobrepesca em várias regiões. Manejo, defesos e cultivo sustentável são essenciais para manter esses serviços ecossistêmicos e a renda das comunidades pesqueiras.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

