Ciclista atropelado e que morreu na Carvalho Pinto é identificado e estava em romaria. Motorista do caminhão foi preso

Gilberto Dom Pedro, de 59 anos, morreu atropelado por um caminhão na manhã deste sábado (10/10), na Rodovia Governador Carvalho Pinto (SP-070), em Caçapava. Segundo o boletim de ocorrência, ele pedalava com o irmão e outros ciclistas em uma romaria rumo a Aparecida quando o grupo foi atingido no acostamento, na altura do km 116,5. O motorista do caminhão foi autuado em flagrante por homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, e a Polícia Civil determinou que ele seja apresentado em audiência de custódia.

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O acidente foi por volta das 6h30. Segundo informação repassada ao Vale 360 News, o grupo fazia uma peregrinação de bicicleta até Aparecida. O boletim diz que os ciclistas seguiam em fila indiana pelo acostamento quando foram atingidos.

Gilberto, que era de Guarulhos, na Grande São Paulo, sofreu grave traumatismo craniano e morreu no local. O irmão dele, de 66 anos, também foi atingido e teve uma lesão em um dos braços. O registro policial cita ainda outro ciclista atingido, que precisou de atendimento médico.

O Vale 360 News havia mostrado pela manhã que o caminhão atingiu três ciclistas na Carvalho Pinto. O boletim da Polícia Civil identifica a vítima fatal, traz detalhes da dinâmica e confirma a autuação em flagrante do motorista.

Irmão da vítima diz que o caminhão entrou de repente no acostamento

O irmão de Gilberto contou à polícia que pedalava em fila indiana pelo acostamento, ao lado dele e de outros ciclistas, e que o tempo e a visibilidade eram bons. Segundo ele, o caminhão entrou repentinamente no acostamento e atingiu o grupo. Ele foi arremessado para a lateral da rodovia e disse ter visto o caminhão atingir Gilberto e passar sobre ele, que foi arrastado junto com a bicicleta.

Ele afirmou não saber por que o caminhão entrou no acostamento e levantou como hipótese que o motorista tivesse adormecido. É uma avaliação da testemunha, e não conclusão da Polícia Civil.

Motorista diz que não sabe explicar o acidente

O caminhoneiro deu outra versão. Disse que se lembra de fazer uma curva e que não sabe explicar como o caminhão entrou no acostamento. Segundo ele, quando percebeu a situação, o atropelamento já havia acontecido. Negou ter usado o celular e ter adormecido, e declarou ser motorista profissional, habilitado na categoria D.

O boletim não conclui o que levou o caminhão ao acostamento. Isso depende da análise das provas, dos vestígios na pista e dos exames periciais.

Bafômetro deu negativo, e exame toxicológico foi pedido

O motorista fez o teste do etilômetro, com resultado negativo para álcool. A Polícia Civil determinou também exame toxicológico. Ele foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), que não tinha meios para o procedimento, e seguiu para o Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, em São José dos Campos, com um perito e policiais militares. Segundo o boletim, o resultado ficou retido no hospital e ainda dependia de requisição formal para ser juntado à investigação.

Versões divergem sobre a permanência do motorista no local

O boletim traz versões diferentes sobre o comportamento do motorista logo após o atropelamento. Dois policiais militares relataram que o caminhão estava parado a cerca de 100 metros, e que o motorista, em estado de choque, não demonstrou intenção de fuga, permaneceu no local e se colocou à disposição para ajudar e fazer exames.

O irmão de Gilberto afirmou que ele não teria ficado junto às vítimas e que terceiros teriam impedido sua saída até a chegada das autoridades. O motorista disse que parou, voltou para ver o que havia acontecido e avisou a empresa em que trabalha, e que não conseguiu se aproximar das vítimas porque foi hostilizado por uma pessoa. O boletim não registra tentativa de fuga como fato comprovado.

Motorista foi autuado em flagrante

Depois de ouvir policiais, sobreviventes e o motorista, a Polícia Civil lavrou o auto de prisão em flagrante por homicídio culposo (artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro) e lesão corporal culposa (artigo 303), ambos na direção de veículo automotor. A classificação é provisória e pode mudar ao longo da investigação.

Não foi arbitrada fiança na delegacia porque, segundo a decisão registrada no boletim, a pena máxima prevista ultrapassa quatro anos. O motorista permaneceu preso para ser apresentado em audiência de custódia, em que a Justiça decide se mantém a prisão ou concede liberdade, com ou sem medidas cautelares.

Vítima fazia romaria de bicicleta para Aparecida

O acidente foi no período de maior deslocamento de romeiros pelas rodovias do Vale do Paraíba até o Dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro. Na Via Dutra, o Vale 360 News registrou milhares de romeiros nos acostamentos rumo a Aparecida.

O trecho da Carvalho Pinto em Caçapava já teve outros acidentes graves com veículos pesados: o de um motorista de guincho atropelado por caminhão, na altura do km 110,9, e o de um motociclista arrastado por um caminhão.

Neste sábado, a Polícia Científica fez perícia no local, e foram requisitados exames para as vítimas e para o motorista. A investigação deve confrontar os depoimentos com os vestígios na pista para esclarecer por que o caminhão entrou no acostamento.

Trecho da Rodovia Carvalho Pinto, em Caçapava, onde um ciclista morreu atropelado
Acidente na Carvalho Pinto, em Caçapava, matou ciclista que fazia romaria a Aparecida. Foto: Vale 360 News

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.